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Pipocas. Nos cinemas NOS a pipoca “é caseirinha, cá de casa”

Foram três anos de investigação para produzir as primeiras 300 toneladas de milho português para pipocas. Estreiam no próximo ano nas 214 salas da NOS

Milheirais a perder de vista cercam a estrada por onde segue o autocarro a caminho de Reguengo do Alviela. A “terra das cheias” perto da Golegã foi um dos campos a receber a plantação de milho para pipocas para as salas dos cinemas NOS. Mal chegou ao campo, Luís Mota, administrador da NOS Lusomundo Cinemas, não resistiu. Saltou para cima da ceifeira e, ao lado do condutor, foi ceifando filas e filas de milheiral. Não o das pipocas. Esse, o primeiro milho para pipocas produzido em Portugal, foi ceifado dias antes.

“Amo estas pipocas. Amo este projeto. Era o elo que nos faltava”, diz Luís Mota. “Estamos a fazer pipocas com milho português. É algo que nos deve orgulhar a todos. Ganha a economia portuguesa, ganhamos nós na realização de um projeto e ganha o consumidor que tem uma pipoca que sabemos onde foi cultivada”, continua. “Costumo dizer na brincadeira à minha equipa que é uma pipoca caseirinha, uma pipoca cá de casa.”

As primeiras 300 toneladas começam no próximo ano a chegar às 214 salas de cinema NOS em Portugal e em Moçambique. É o culminar de um projeto que levou três anos a ser preparado com a Agromais – maior produtor de milho em Portugal -, que teve de ir ao exterior para encontrar as sementes de milho para pipocas mais adequadas para o solo e o clima nacionais. E não foi fácil. “O mercado de venda de milho para pipoca está muito fechado. Cada produtor vai produzindo as suas sementes e preferem não abrir o mercado.”

Tanto a Agromais procurou que obteve sementes e passaram à fase de testes-piloto. No primeiro, em 2013, produziram uma tonelada de milho “de diferentes qualidades de sementes”. Deram a provar as pipocas aos clientes “nos cinemas a um sábado à noite”. Fizeram inquéritos até perceber qual a variedade de semente e de conjugação – com o óleo e o sabor – que mais agradava aos espectadores. Ganhou a mushroom.

Luís Mota não revela quanto a NOS investia na importação de milho para pipocas dos EUA, do México, da Argentina, da França ou da Espanha, nem quanto vai poupar com esta opção nacional. No imediato não vai reduzir significativamente os custos. As vantagens são outras. “Assegura que vamos ter milho para o ano e dá garantia de preço das 400 toneladas que estamos a comprar”, diz. O objetivo é a partir de 2016 atingir as 400 toneladas de produção nos mais 70 hectares de terreno, envolvendo dez produtores do Ribatejo, num projeto que contou com 220 mil euros de apoio do Proder.

A pipoca nacional chega às salas na mesma altura em que o “cinema português está na moda”. No ano passado, A Gaiola Dourada esteve no topo da bilheteira. Neste ano, Os Maias está a ganhar espectadores. “No outro dia estava a olhar para o top dos cinemas NOS e no primeiro e no segundo lugares estavam um filme português, o que é raro”, afirma.

E é mesmo verdade que no negócio do cinema as pipocas é que fazem o dinheiro? “É um mito urbano”, diz. “Todos os projetos que têm aberto em Portugal que não associem a parte do entretenimento à restauração têm tendência a fechar”, acrescenta. A restauração (incluindo pipocas) “poderá representar cerca de 20% das nossas receitas de caixa.”

(notícia atualizada às 11h com correção do nome de filme A Gaiola Dourada)

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