Indústria

Portugal é paraíso para designers de moda internacionais

Além dos grandes grupos de vestuário, designers independentes procuram a qualidade da indústria e do artesanato português.

A Teatum Jones tem sotaque britânico, mas foi na indústria portuguesa
que encontrou exatamente o sotaque de produção que procurava. Através de
um programa da UK Trade & Investment, promovido pelo governo do
Reino Unido, os designers Rob Jones e Catherine Teatum conheceram
pessoalmente fábricas nacionais que vão de encontro às suas exigências
enquanto marca pequena.

“Os fabricantes portugueses entendem perfeitamente como é trabalhar com quantidades pequenas, o que é essencial para marcas como a nossa, que está em crescimento”, explica Rob. Outro atrativo é a facilidade de relacionamento com os fabricantes, que se mostraram “muito prestáveis e verdadeiramente apaixonados e orgulhosos dos seus produtos”, acrescenta o fundador da Teatum Jones, que vende em sites internacionais como o Net-a-Porter.

A equipa de oito criativos d”O Segredo do Mar, empresa localizada em Matosinhos, trabalha juntamente com outras quatro fábricas parceiras para alcançar o resultado pretendido dos designers que a procuram. Para além de grandes marcas como a Inditex, a empresa é também procurada por pequenos designers que querem começar ou começaram recentemente uma marca própria. Vêm do estrangeiro, por referência ou por intermédio de outros colegas, e dirigem-se à empresa diretamente: os contactos feitos por intermédio de agências de trading não são significativos. Andam à procura de produção de alta qualidade, sempre feita com um acompanhamento personalizado, uma vez que as encomendas são normalmente de pequenas quantidades. “Alguns querem mesmo ver as instalações, como está a ser produzido”, acrescenta Ana Cristina Alves, gestora de produto da O Segredo do Mar, e é essa disponibilidade e abertura que os designers estrangeiros procuram na indústria têxtil e do vestuário portuguesa.

Para além das grandes marcas internacionais que produzem em Portugal, existe este tipo de clientes que, cada vez mais, procuram a técnica, a qualidade e a flexibilidade com que podem contar quando trabalham com fabricantes portugueses. São jovens designers, pequenas boutiques e criadores independentes que, através de contactos informais, vêm conhecer o setor e trocam a produção em massa asiática pela qualidade made in Portugal.

Paula Borges, Mefri e O Segredo do Mar são três empresas portuguesas de confeção que trabalham com este tipo de clientes. Para além de grandes encomendas, a fábrica Paula Borges, com 50 funcionários, lida frequentemente com quantidades pequenas encomendadas por designers e lojas estrangeiras, sobretudo de Inglaterra e França. “Precisam que alguém saiba interpretar bem o que desejam”, explica Paula, diretora da empresa, sobre as exigências dos seus clientes. Deslocam-se à fábrica pelo menos duas vezes por ano e vão “passando a palavra”, fazendo chegar novos possíveis clientes à fábrica, na Maia. Para este tipo de clientes é importante visitar a fábrica, conhecer a mão-de-obra e as condições de produção, de maneira a criar uma boa relação de trabalho com os fornecedores.

O que importa aos clientes d”O Segredo do Mar é a facilidade de distribuição e de transporte permitida pela localização privilegiada de Portugal na Europa. Outro detalhe que faz que a indústria portuguesa supere a concorrência da asiática é, segundo Ana Alves, a exigência que cada vez mais os clientes têm relativamente ao controlo da qualidade, não só das peças como das substâncias químicas utilizadas no fabrico, e também no campo dos direitos humanos.

As feiras de tecidos têm um papel fundamental na articulação entre designers e fabricantes. Sónia Rocha, da Mefri, dá o exemplo da feira internacional Première Vision, em Paris, onde os criadores independentes “ao comprarem tecidos a fornecedores portugueses perguntam contactos de fabricantes locais” e chegam até às fábricas.

Para além da indústria, o potencial de Portugal estende-se à qualidade do artesanato. Existe uma interlocutora privilegiada a construir pontes entre artesãos portuenses e pequenos criadores e lojas parisienses. Em 2008, Agnes Boudahana mudou-se de Espanha para o Porto, para abrir a própria agência e mantém uma agenda de contactos recheada de artesãos, especializados sobretudo em tricô, renda e lãs. De Paris vêm exigências de alta qualidade de designers que querem produzir pequenas quantidades com a flexibilidade de poder mudar e alterar encomendas e, segundo Agnes, as expectativas são satisfeitas. “Há muita vantagens de Portugal relativamente à Ásia”, diz. A primeira é a qualidade, característica que Agnes não se cansa de referir. Em seguida, a facilidade da moeda, de comunicação e de poder efetuar pequenas encomendas (por vezes não ultrapassam as 30 peças), ao contrário das produções em massa da indústria asiática. Outro ponto que joga a favor de Portugal é a facilidade de transporte: “Se há algum problema com a produção/confeção, rapidamente podem estar cá e falar diretamente com os fabricantes.”

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