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Raquel Varela: “Segurança Social é totalmente sustentável”

Raquel Varela é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais, e do Instituto Internacional de História Social. Nesta curta entrevista feita por telefone, a professora desconstrói argumentos de instituições como OCDE, Comissão Europeia e FMI, que apontam para uma suposta rutura dos sistemas públicos de Segurança Social.

A Previdência tem cura?

A Segurança Social é totalmente sustentável. Tenha em conta o seguinte: há uma política recessiva programada pelo Governo que gera desemprego como nunca vimos em Portugal. Na realidade, o desemprego atinge 1,2 milhões de pessoas, se contarmos com fenómenos como o subemprego, os desmotivados, os ocupados em programas da Segurança Social.

Mais a compressão salarial no caso dos empregados.

É o binómio fundamental para o qual temos de olhar: desemprego e remunerações. O problema da Segurança Social está na produtividade. Se tivermos mais pessoas empregadas e salários mais altos e justos, acredite, chega e sobra para resolver o problema. Se economia crescer, há mais emprego, há mais contribuições, menos despesa social.

Menos pseudo empregos.

Por exemplo. Em Portugal há 200 mil postos de trabalho sustentados pela Segurança Social via programas de políticas ativas. E ganham miseravelmente.

O envelhecimento é uma falsa questão?

O sistema de Segurança Social, tal como é, aguenta perfeitamente ter mais reformados do que hoje tem. Não podemos é ter estes índices de desemprego e baixos salários.

Portugal é produtivo?

Nunca na nossa História produzimos tanto e tão bem. Temos um país moderno, temos instituições, tecnologia ao nosso dispor. Precisamos de trabalho, não da destruição dos últimos anos.

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