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Referências Profissionais: podemos confiar nelas?

Desde há muito tempo se conhece a importância que a "checagem" de referências profissionais tem na validação da escolha de candidatos, num processo de selecção.

Tradicionalmente, este processo de obtenção/verificação sobre os dados profissionais é utilizado como fase complementar (e geralmente numa etapa derradeira) de um processo de selecção mais amplo, como forma de validar a informação obtida até esse momento, funcionando como “selo” de qualidade final a todo o processo de recolha de informação já antes até então (quer ao nível de hard e soft skills).

Ao longo dos anos, esta abordagem tem sido alvo de algum questionamento, uma vez que se especula acerca da viabilidade das referências dadas pelo próprio candidato envolvido num processo de selecção.

Não nos podemos esquecer da lei da proteção de dados pessoais, o que, no âmbito de processo de validação de referências, significa que só se podem contactar referências com o devido consentimento do candidato envolvido no processo.

Por outras palavras, isso quase sempre significa que o candidato envolvido, apenas fornece contactos de quem quiser, aspecto que pode levantar dúvidas acerca da legitimidade da informação obtida (por exemplo, dificilmente um candidato irá fornecer contactos de anteriores chefias com quem se deu mal…).

Isto por si só invalida a credibilidade do processo? Na minha opinião, não, uma vez que a questão fundamental reside na forma como a pessoa que referencia é questionada e como ela própria se deverá sentir responsabilizada pela informação que fornece. Isto é, o próprio processo de verificação de referências deve ser visto como uma interação dinâmica, onde a pessoa dada como referência é questionada e desafiada a refletir sobre quem está a referenciar, ao invés de estar a debitar a informação de forma unidirecional.

Desta forma é possível enriquecer e completar a informação obtida através de um processo de verificação de referências, colmatando algum enviesamento expectável pela própria natureza do processo. Seja como for, esta forma de obter informação será, para já, bastante mais válida do que algumas formas virtuais atualmente muito comuns em redes sociais/profissionais.

Quantos de nós, que temos o nosso perfil nessas redes, já recebeu endorsments de origens completamente desconhecidas? Para além de poder atestar algum grau de popularidade “virtual”, que tipo de validade profissional esse tipo de referências poderá ter? Provavelmente será um tema interessante para se apurar num futuro muito próximo.

Miguel Abreu, Director de Recrutamento e Selecção na Ray Human Capital

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