Saiba se tem o perfil certo para emigrar

Se está a pensar sair masnão tem a certeza de que iria dar certo, veja aqui os conselhos de Hugo Bernardes, <i>Talent Cloud Director </i>da <a target="_blank" href="http://www.rayhumancapital.com/?lang=pt-pt">Ray Human Capital</a>.

Com a atual crise económica global e o seu impacto na frágil economia nacional, os números de emigração em Portugal subiram para valores sem precedentes, estimando-se a saída anual de cerca 100 mil portugueses por ano entre o período de 2007 a 2012, sendo que nos últimos anos deste período os números oficiais indicam que 10% destes indivíduos possuem habilitações de nível superior.

De facto, esta é uma tendência generalizada que tem um impacto real na mentalidade dos nos nossos jovens e na assunção de quais as opções a tomar no início da sua carreira.

Nos nossos contactos frequentes com este tipo de população, é constante a questão “como sei se tenho o perfil certo para emigrar?”. Infelizmente esta questão por mais pertinente que seja é de resposta complexa porque não nos remete apenas para um perfil único, mas sim para perfis que variam consoante os objetivos individuais de cada um.

Na realidade podemos abordar a questão tendo por base dois tipos de análises independentes entre si, contudo complementares.

1. Perfil e competências pessoais, frequentemente denominado de “soft skills”

De facto existem já vários estudos que relacionam o sucesso de profissionais em regime de expatriação, com as suas características de personalidade. De uma forma generalizada, poder-se-á afirmar que de um ponto de vista universal, existem características de personalidade transversais a cada indivíduo, que independentemente das suas “hard skills”, poderão potenciar o seu sucesso no desenvolvimento de carreira num país que não o seu de origem.

Nesse sentido, características associadas à Extroversão, tais como a capacidade de socialização, colaboração e empatia parecem assumir um papel importante na capacidade do sujeito se conseguir integrar de forma positivamente significante num contexto cultural distinto, onde verá algumas das suas verdades insofismáveis colocadas em causa.

Tais características, conjuntamente com a capacidade de aprendizagem, abertura à mudança e à diferença, revelam-se fundamentais para compreender e ajustar-se às diferenças no estilo de comunicação ou relacionamento interpessoal que é esperado na sociedade, na sua capacidade de estabelecer relacionamentos intersociais e de criação de uma rede de apoio social, não só com outros emigrantes mas também e acima de tudo com os autóctones do país em que se encontra de forma a potenciar a sua integração na respetiva sociedade.

2. Perfil curricular e académico e linguístico, também conhecido como “hard skills”.

As “hard skills” revelam-se igualmente de enorme importância. Nestes 10 % encontramos jovens de universidades de referência que tiveram oportunidade de obter qualificações superiores já administradas em Inglês em áreas do saber absolutamente relevantes e que com relativa facilidade conseguem oportunidades de carreira relevantes no estrangeiro. Para estes, o sacrifício de integração numa nova cultura e sociedade, as saudades da família e amigos, é frequentemente matizada com a motivação gerada pelas oportunidades de carreira e de desenvolvimento que encontram. Todavia, uma grande percentagem não vem deste tipo de contexto e muitos, apesar de terem qualificações superiores, ocupam trabalhos abaixo das suas qualificações.

Poder-se-á inferir que a sua resiliência e capacidade de gestão de frustração assumem um papel de sobeja na concretização do plano de vida que para si traçaram aquando na tomada de decisão em sair do país, uma vez que, entre a balança dos prós e contras os pratos encontram-se um pouco mais desequilibrados.

Hugo Bernardes, Talent Cloud Director da Ray Human Capital.

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