“Se houver eleições antecipadas, poderá haver segundo resgate”

Os receios de queda da coligação governamental e de colapso do programa de resgate que possa obrigar a uma nova ajuda financeira estão a provocar uma hecatombe na Bolsa de Lisboa e a fazer disparar os juros da dívida soberana.Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o account manager da XTB, Steven Santos, alerta que a instabilidade política e novas eleições devem afugentar muitos investidores, pelo que Portugal terá de cativar investidores diferentes dos que participaram nas últimas emissões.Acha que o Governo vai cair e que Portugal vai a eleições antecipadas? Porquê?A falta de consenso entre a coligação e e perda do símbolo da consolidação fiscal prejudicam o governo atual. Cavaco Silva prefere o consenso político e a estabilidade governamental, pelo que julgo que as eleições antecipadas são um cenário político de último recurso. Antes de chegar a essa situação-limite, o presidente da República vai tentar outras soluções.Que impacto e efeitos, quer para a Bolsa quer para os juros da dívida de Portugal, terá a realização de eleições?As ações portuguesas vão continuar pressionadas, sobretudo a banca e as empresas mais endividadas e expostas à economia nacional. Deveremos ter um aumento dos juros exigidos pelos investidores, sobretudo no mercado primário de dívida. Portugal terá de cativar investidores diferentes dos que participaram nas últimas emissões, nomeadamente hedge funds pela sua maior apetência para o risco. Instabilidade política e novas eleições devem afugentar muitos investidores que haviam procurado Portugal como bom aluno no contexto dos países periféricos. A perda da confiança da comunidade investidora é um dos maiores riscos da atual crise política.Portugal vai precisar de um segundo resgate? Porquê?Um eventual segundo resgate vai depender da resolução do atual impasse político. Se o CDS (sem Portas) se mantiver como parceiro do PSD ou se houver um governo de iniciativa presidencial, recupera-se a estabilidade requerida pelo apoio da troika, não havendo um segundo resgate. Por outro lado, se houver eleições antecipadas, poderá haver segundo resgate.A confirmar-se uma segunda ajuda financeira quais as consequências?A maior consequência, a meu ver, é a perda de parte significativa da reputação internacional e da confiança dos investidores globais. O índice nacional deve continuar desvalorizado pela sobreponderação da banca e de empresas endividadas no PSI-20. A crise atual no governo reflete também o desgaste com as medidas de austeridade, o que dificulta a execução de reformas estruturais.A escalada dos juros da dívida poderá provocar problemas de financiamento para a banca e, consequentemente, dificuldades para as empresas? Porquê?Sim, a subida dos juros da dívida soberana penalizam não só a banca como também empresas cujo financiamento dependa do risco do país. A situação atual impossibilita às empresas de emitirem dívida junto de investidores particulares como alternativa ao crédito bancário.

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