Tecnologia

Slush. A sua startup devia estar na Finlândia

No ano passado, 1200 empresas aterraram em Helsínquia para uma das maiores conferências de startups do mundo. Cerca de 700 precisavam de investimento e encontraram-se lá com investidores vindos de todo o lado. No final, levantaram 200 milhões de dólares.

Leia também: Como a Finlândia sobreviveu à Nokia

Este ano, há vários empreendedores portugueses a fazerem o mesmo: a Slush vai ter 2500 startups todas no mesmo sítio, a 18 e 19 de novembro. Uma mão cheia vai de Portugal.

“Precisamos de publicitar o novo nome e a Slush, a nível europeu, é a melhor conferência”, avança ao Dinheiro Vivo Roberto Ugo, co-fundador da Movvo (ex-Around Knowledge), que vai estar em Helsínquia. A empresa criou um sistema de contagem e análise de tráfego de pessoas em ambientes fechados (como centros comerciais, cinemas) e, em agosto, levantou um milhão de euros de investimento junto da Sonae E. Ventures e da Caixa Capital.

Mas Roberto Ugo ressalva que “como startup, estamos sempre abertos a investimentos, em especial quando se trata de investidores de alto nível.” Que é o que a Slush oferece. Organizada pelos estudantes e empreendedores que fundaram a incubadora Startup Sauna, em Espoo, a Slush funciona como uma casamenteira. Viaja pelo mundo à procura das melhores startups e orienta os investidores para se reunirem com as que se enquadram nos seus interesses.

” Não há muitas conferências que se focam no match making e em ajudar as startups a levantarem financiamento”, explica Martin Talvari, diretor estratégico da Slush, que anda na estrada há ano e meio a conhecer startups de todo o mundo. Esteve em Portugal quatro dias e foi ao acelerador Lisbon Challenge escolher uma startup para ir à Slush gratuitamente – com viagens, hotéis e acesso à conferência pagos. Escolheu a Tradiio, uma empresa recente que criou uma plataforma de curadoria de música em streaming.

“O nosso ângulo, que poucos ou nenhuns fazem, é ligar a Ásia à Europa”, acrescenta o responsável, de 27 anos, natural da Estónia. “Acreditamos que estamos localizados geograficamente num ponto muito conveniente, temos boas relações com a Rússia e estamos perto do Japão. Estamos num bom lugar para construir estas pontes.” Os bilhetes de acesso para startups custam 295 euros.

Além da Movvo e da Tradiio, também estão confirmadas na Slush as portuguesas eSolidar, que desenvolveu uma espécie de “OLX” com componente de solidariedade, a Weclipse, que permite criar clips de vídeo de 7 segundos e desafiar os amigos a entrar no vídeo, e a Coimbra Genomics, que tem investimento da Portugal Ventures e a participação da Critical Software no desenvolvimento de software. A sua missão centra-se na melhoria da tomada de decisões clínicas com base no mapeamento genético de cada doente.

Todas querem maior visibilidade internacional, e a Europa começa a ter maior capacidade de investir em boas ideias. “Parece haver uma subcultura que é sempre a mesma, em todo o lado onde eu vou”, diz Martin Talvari, que já esteve em 70 países com a missão Slush World e pretende chegar aos 100. “Há bons programadores, bons engenheiros, gente de negócio. A ambição às vezes é diferente.” Diz que “a maioria das startups vai, provavelmente, falhar”, mas que estar nisto não é coisa de uma vez. “As pessoas não vão deixar o seu emprego, tentar uma vez e depois regressar à rotina. 99% dos que tentam, falham. Mas 80% das pessoas continuam.”

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