Stock da Cunha assume hoje a liderança do Novo Banco

Eduardo Stock da Cunha assume hoje a liderança do Novo Banco, substituindo Vítor Bento no cargo, num clima de grande apreensão e nervosismo entre os trabalhadores e numa altura em que vários quadros estão a sair do banco. O banqueiro recebeu já ontem as autorizações formais por parte do Lloyds e do Banco de Portugal.

Depois de ter sido convidado por Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, Eduardo Stock da Cunha precisava apenas da luz verde do Lloyds, que aprovou ontem a licença sem vencimento do seu diretor de auditoria. Sem qualquer obstáculo burocrático, apenas um motivo de agenda poderá impedir o banqueiro, um homem de confiança de António Horta Osório, de assumir já hoje a liderança do Novo Banco.

Com Eduardo Stock da Cunha vão igualmente entrar Jorge Cardoso, em comissão de serviço autorizada pela Caixa Geral de Depósitos, para administrador financeiro, juntamente com Vítor Fernandes, antigo vice-presidente do BCP e atual administrador da ECS, e José João Guilherme, ex-administrador do BCP e atual gestor de empresas não financeiras.

A tarefa do banqueiro de 51 anos não se avizinha nada fácil. Além da saída de quadros do Novo Banco e de acionistas descontentes (ver texto em cima), os trabalhadores que permanecem estão desiludidos e apreensivos com o momento cada vez mais incerto da instituição financeiro.

“Existe um clima de grande ansiedade e de grande nervosismo. Está tudo em banho-maria e ninguém toma qualquer decisão”, lamenta um quadro superior do Novo Banco ao DN/Dinheiro Vivo. E vai mais longe: “Existe um grande medo em relação ao futuro do banco.”

Um outro quadro técnico do banco, também ouvido pelo DN/Dinheiro Vivo, afirma que “estamos na expectativa. Numa primeira fase sentimo-nos desiludidos, a sensação de termos sido traídos, porque ninguém teve a coragem de nos dizer que o aumento de capital não era suficiente”. E sublinha que, após a recente saída de Vítor Bento, “sentimos que vivemos numa grande indecisão” e que “há uma grande desconfiança e dificuldade na abertura de novas contas”. Admite que “ninguém nos diz nada. De tudo o que já passámos, esta é a fase pior para os trabalhadores e clientes”. Certo é que “o banco vai perdendo valor, os trabalhadores temem pelos postos de trabalho. Só espero que não seja uma venda retalhada, mas em bloco”. Um outro quadro superior do Novo Banco reiterou ao DN/Dinheiro Vivo a “total indefinição e falta de orientação estratégica”. A mesma fonte confirmou a saída de quadros, “sendo a private e a comercial as áreas mais afetadas em termos de saída de trabalhadores”.

Concretizada venda da Tranquilidade

A entrada de Eduardo Stock da Cunha acontece nas vésperas de o Novo Banco ter vendido a seguradora Tranquilidade aos norte-americanos da Apollo. Naquela que ficou como a principal obra da presidência de Vítor Bento, o banco anunciou ontem que “chegou a acordo com o fundo de investimento Apollo Management quanto aos termos que irão regular a venda de ações representativas da totalidade do capital da Tranquilidade”.

As ações foram dadas em penhor financeiro ao Novo Banco para cobertura de um crédito concedido à Espírito Santo Financial Group. A venda agora acordada “irá concretizar, quando efetuada, a execução do referido penhor financeiro”. A instituição financeira garante que a contrapartida oferecida pela Apollo “corresponde à melhor proposta recebida durante o processo de venda”. Apesar de não revelar os valores da operação, o Dinheiro Vivo já tinha noticiado que a venda terá sido feita por 215 milhões de euros.

À venda da Tranquilidade irá seguir-se a alienação do Novo Banco. Esse é, aliás, o objetivo da “contratação” temporária de Eduardo Stock da Cunha que tem como única missão vender o banco no espaço de seis meses. Desde a criação do Novo Banco, a intenção do Banco de Portugal e do Executivo é a de uma venda o mais rapidamente possível, não sendo ainda conhecido o modelo. Ou seja, se será feita uma venda em bloco ou em partes.

Entre os possíveis interessados estão o BPI e os espanhóis do Santander Totta e do BBVA. Os angolanos do Banco BIC revelaram ontem não estar interessados, pretendendo consolidar o negócio que têm em Portugal.

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