Stock da Cunha tem menos de seis meses para vender Novo Banco

O banqueiro Eduardo Stock da Cunha, o futuro presidente do Novo Banco, vai assumir a liderança do banco com uma meta: vender o Novo Banco em menos de seis meses.

Com Eduardo Stock da Cunha, conhecido no meio financeiro como ESC, vêm banqueiros experientes. Jorge Freire Cardoso, até aqui administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD), vai ser o novo CFO; e Vítor Fernandes (ex-administrador do BCP, CGD e Mundial Confiança) e José João Guilherme (antigo administrador do BCP e do BIM -Banco Internacional de Moçambique) juntam-se no novo conselho de administração.

Eduardo Stock da Cunha foi, tal como Vítor Bento, escolha do Banco de Portugal, mas a opção agora por banqueiros com experiência demonstra a preocupação em encontrar uma solução de liderança que reúna consenso no sector. Mais, a origem dos banqueiros – Caixa e BCP, tendo sido o próprio Stock da Cunha, atualmente no Llodys Bank, durante 20 anos um homem do Santander – coloca no board do Novo Banco profissionais das instituições que mais contribuem para o Fundo de Resolução. Ou seja, os que mais têm a perder caso a venda seja abaixo do 4,9 mil milhões de euros injetados através do Fundo de Resolução no Novo Banco.

Uma venda rápida é que se quer da nova equipa de gestão. E prova disso é que parte da administração chega ao Novo Banco em comissão de serviço. A entrada em funções está dependente da aprovação dos acordos de cedência (leave of absence) de Eduardo Stock da Cunha e Jorge Freire Cardoso pelo Llodys Bank e pela Caixa, respetivamente, o que deverá acontecer “nos próximos dias”, precisou o Banco de Portugal.

Com mais de 25 anos de experiência na banca nacional e internacional, Stock da Cunha é apontado como tendo um profundo conhecimento do sector financeiro, dos mercados e da banca, bem como da área de seguros (ver texto ao lado). Ou seja, com capacidade para rapidamente se inteirar da situação operacional do Novo Banco e encontrar potenciais compradores. Até no mercado externo, já parte da sua carreira foi feita em Espanha, Estados Unidos (onde foi COO do Sovereign Bank, mais tarde Santander Bank) e mais recentemente em Inglaterra no Llodys Bank, como diretor de auditoria e de risco.

Vender rápido é o mandato da nova equipa

No Banco de Portugal, a expectativa é que a nova equipa de gestão consiga vender o Novo Banco em menos de seis meses – o mais tardar até ao verão. Mas este último prazo já representaria uma derrapagem nos planos de Carlos Costa. O governador defende uma solução rápida para a instituição financeira que emergiu das cinzas do BES, dando origem ao banco da borboleta. Inclusive, o BNP Paribas já foi mandatado para desenhar o melhor modelo de venda.

Uma estratégia que colidia com a defendida por Vítor Bento. Nos dois meses que o economista e a sua equipa – constituída por João Moreira Rato (CFO) e José Honório (vice-presidente) – estiveram à frente do Novo Banco as divergências de visão do regulador relativamente ao rumo a dar ao projeto tornaram-se cada vez mais visíveis.

Bento defendia uma solução de médio prazo, que passava pelo redimensionamento do banco, venda de ativos e sua valorização, para atrair acionistas de referência, dispersando depois o restante capital em Bolsa. O economista acreditava ter, pelo menos, o prazo do empréstimo do Fundo de Resolução para concretizar essa estratégia, tendo inclusive contratado a consultora McKinsey para elaborar um plano a três anos.

Omal estar entre a administração do Novo Banco e o regulador foi-se avolumando de tal forma que, na semana passada, a equipa do Novo Banco já não participou na última reunião de banqueiros no Banco de Portugal. No sábado esse choque tornou-se oficial, com a administração do Novo Banco a confirmar a sua demissão. Dizem que “as circunstâncias alteraram profundamente a natureza do desafio” com base no qual tinham aceite, em julho, liderar o BES (agora o banco mau).

Um timing que colocou o Banco de Portugal sob pressão para rapidamente apresentar uma nova equipa. O nome de Eduardo Stock da Cunha surgiu entre sexta e sábado. Apenas vinte e quatro horas depois o banqueiro foi anunciado como o novo presidente do Novo Banco.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Fotografia: Reuters

PME vão criar mais 70 mil empregos em Portugal

PCP

Subsídios por duodécimos no privado também acabam em 2018

Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo Impresa. Foto: DR

Impresa.Reestruturação já atingiu 20 trabalhadores. E chegou ao Expresso

Outros conteúdos GMG
Conteúdo Patrocinado
Conteúdo TUI
Stock da Cunha tem menos de seis meses para vender Novo Banco