TAP e agências de viagens preparam-se para “tempestade perfeita”

As agências de viagens portuguesas e a TAP preparam-se para enfrentar a "tempestade perfeita", de acordo com Pedro Costa Ferreira e Luíz Mor, respetivamente presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) e vice-presidente da TAP. Em vésperas de uma privatização que a APAVT entende como "apressada, embora necessária", os responsáveis concordam que os destinos do turismo português dependem "do que aí vem".

Luíz Mor explicou, no jantar de encerramento do 40º congresso da APAVT, que termina hoje em Évora, que “esta situação [de privatização] tem colocado a empresa sob muita pressão, nomeadamente a nível sindical”, o que tem gerado “dificuldades económicas”, mas afirmou compreender também as preocupações dos agentes de viagens estar disponível para manter o “casamento harmonioso” que têm mantido. De resto, brincou o responsável, “a TAP está habituada a enfrentar instabilidade”.

Um dos maiores desafios no horizonte, e que “poderá colocar em causa a estabilidade financeira e ameaçar até insolvências das agências”, segundo Pedro Costa Ferreira, reside nas regras impostas pela IATA (International Air Transport Association) que obrigam ao pagamento das viagens aéreas reservadas no prazo de uma semana, a partir de junho de 2015. “Vamos reunir amanhã com a TAP para saber o que é que a TAP pode fazer pelos agentes de viagens e o que é que os agentes de viagens podem fazer pela TAP”, anunciou Pedro Costa Ferreira.

“Este ano, não há registo de qualquer default das agências nos pagamentos à TAP e, por isso, esperamos que seja possível manter o bom entendimento que, em Portugal, existe entre todos os privados, empresas do Estado e tutela, no setor do turismo”, resumiu.

Por sua vez, caberá às agências de viagens “pressionar o governo para que a privatização seja feita e seja feita de maneira a permitir a consolidação financeira da TAP, o crescimento da companhia aérea e a manutenção do hub de Lisboa”.

Fazendo um balanço muito positivo do congresso, desde logo pela adesão de meio milhar de participantes que debateram, durante quatro dias, os “Desafios e Responsabilidades” do turismo, o presidente da APAVT salientou, ainda, que “apesar das dificuldades e dos bons números do turismo português, que resultam do espírito de compromisso permanente entre os players do setor, há a registar que todos estão motivados para pensar no futuro e, quando se pensa no futuro, a direção é boa”.

Durante este ano, houve encerramentos de agências de viagens, embora o presidente da APAVT não pudesse contabilizá-los, mas o saldo de fim de ano será “positivo em algumas dezenas de agências de viagens que nasceram”.

A diminuição em 50% do valor das taxas a pagar pelas novas agências de viagens ao Turismo de Portugal “não terá sido o motivo de nascimento de novas agências, mas é sempre um bom contributo para a diminuição dos custos de funcionamento, indica que a tutela está também na boa direção e que o setor continua a ser apelativo, o que é entusiasmante”, resumiu Pedro Costa Ferreira.

O destino preferido da APAVT para 2015 e o local de realização do 41º congresso, informação sempre aguardada com grande ansiedade pelas regiões e agentes do turismo, será anunciado apenas na Bolsa de Turismo de Lisboa, entre 25 de fevereiro e 1 de março de 2015.

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