Vítor Bento. “Não tinha interesse nenhum em meter-me nesta aventura”

"Não tinha interesse nenhum em meter-me nesta aventura."A afirmação é de Vítor Bento, em entrevista à SIC, em agosto, a única dada depois de ter assumido a presidência do Novo Banco.

Cerca de dois meses depois, está de saída: “As circunstâncias alteraram profundamente a natureza do desafio com base no qual aceitáramos esta missão em meados de julho”.

A começar pelas condições em que foi encontrar no BES depois de ter aceite o convite “completamente inesperado” de Ricardo Salgado: um prejuízo de 3,6 mil milhões que determinou a criação do Novo Banco. “Se lhe vou fazer o resumo dos meus estados de alma nestas semanas, provavelmente não vão precisar de ver uma novela a seguir”, admitiu.

Tornar o Novo Banco rentável era o objetivo. No prazo de “um a três meses” queria apresentar um plano de reestruturação do banco. “Vai ter de haver um redimensionamento do banco”, admitia. E era “provável” que esse plano passasse pela redução de pessoas e de balcões, reconheceu sem avançar números. Mas também pela venda de ativos – quais não disse, embora, entretanto tenha sido decidida a venda da Tranquilidade – “sem pôr em causa a capacidade importante que possam ter para a geração de rendimento do banco”, defendia. “O banco tem de ser projetado num horizonte de muito longo prazo”, afirmou.

Para Vítor Bento havia que valorizar o banco para vendê-lo a bom preço. “Esse é o desígnio que eu tenho”, disse e, para isso, contava com os dois anos de prazo do financiamento. “Tenho um determinado capital que foi colocado no banco [4,9 mil milhões de euros]. Tenho de fazer todo o esforço que esteja ao meu alcance – milagres não faço – e assegurar que esse capital é totalmente reembolsado”.

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