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250 refeições por ano,160 noites em hotéis. A vida de inspetor Michelin

Foto- Paulo Barata 2016/D.R
Foto- Paulo Barata 2016/D.R

O Guia Michelin Espanha e Portugal de 2019 será apresentado em Lisboa, pela primeira vez, na próxima quarta-feira.

A qualidade dos produtos, a criatividade e apresentação, o domínio do ponto de cozedura e dos sabores, a relação qualidade/preço e a regularidade da cozinha são os critérios dos inspetores do Guia Michelin para avaliar os restaurantes.

O Guia Michelin Espanha e Portugal de 2019 será apresentado em Lisboa, pela primeira vez, na próxima quarta-feira, quando serão revelados os novos estabelecimentos distinguidos no ‘guia vermelho’, considerado uma referência mundial da qualificação dos restaurantes.

A Península Ibérica conta com uma equipa de cerca de doze inspetores, de ambas as nacionalidades, que são também responsáveis pela produção dos guias brasileiros de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Devido à necessidade de os inspetores ibéricos viajarem para o Brasil, os restaurantes de Portugal e Espanha também foram avaliados por inspetores de outras nacionalidades europeias, explicou à Lusa Ángel Pardo, responsável de comunicação do Guia Michelin Espanha e Portugal, com sede em Madrid.

Segundo a empresa, cada inspetor faz cerca de 250 refeições por ano, fica alojado em hotéis uma média de 160 noites e visita, no total, mais de 800 estabelecimentos.

Os inspetores “são um cliente como qualquer outro”: visitam os estabelecimentos de forma anónima e periódica e pagam a conta.

“Tomam as decisões de forma colegial e não há tratamentos preferenciais”, garantem os responsáveis do guia.

De acordo com a empresa, os inspetores, “funcionários da Michelin, com licenciaturas em Turismo e Hotelaria e com uma experiência superior a cinco anos no setor”, respondem a “cinco compromissos”, entre os quais o da visita anónima.

Além disso, a seleção de estabelecimentos “faz-se com total independência, pensando apenas nos leitores”, sendo apresentados “os melhores restaurantes e hotéis em todas as categorias”.

Os guias são atualizados todos os anos, “pondo em dia todas as informações práticas, classificações e distinções”.

A Michelin edita atualmente 24 publicações, garantindo uma “homogeneidade”, pelo que “os critérios de classificação são idênticos em todos os países”.

O Guia Michelin surgiu em França, em 1900, e existe na Península Ibérica desde 1910.

A apresentação das edições numa gala teve início em 2009, quando foi anunciado o guia ibérico de 2010, para celebrar o centenário da primeira publicação em Espanha e Portugal, e tem decorrido sempre em diferentes cidades espanholas.

Em comunicado, a Michelin afirma que “levar a apresentação a Portugal era um dos objetivos [da empresa], que se cumpriu graças à valiosa colaboração e envolvimento do Governo português, da secretaria de Estado do Turismo e da autarquia de Lisboa”.

A intenção das autoridades portuguesas de atrair para território nacional começou a consolidar-se há três anos, quando responsáveis da Câmara de Lisboa estiveram presentes na gala que se realizou então em Santiago de Compostela.

Há dois anos, o Governo português fez-se representar pela primeira vez num destes eventos, através da responsável da pasta do Turismo, Ana Mendes Godinho, na gala que se realizou na cidade de Girona, e no ano passado também participaram no evento, em Tenerife, responsáveis portugueses.

No anúncio da realização da gala em Portugal, que decorreu nos Paços do Concelho de Lisboa em junho passado, o então ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, revelou que os apoios públicos para a realização da gala “ultrapassam um pouco os 400 mil euros”, ressalvando que “o investimento será muito maior, mas que também se paga a si próprio com as receitas que esta gala gera”.

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