Dinheiro

Afinal, o dinheiro pode ou não trazer felicidade?

Foto: Pixabay
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Estudo selecionou aleatoriamente vencedores de prémios como a lotaria para responderem a uma pergunta: O dinheiro causa felicidade?

Ganhar a lotaria ou outro qualquer prémio monetário de grande escala fará a pessoa mais feliz? Durante muito tempo, os investigadores diziam que não. Investigação alguma encontrou evidências conclusivas de que as pessoas que ganham grandes somas de dinheiro ficam mais felizes depois. Aliás, houve até provas em contrário.

Mas agora há uma nova investigação que afirma que o dinheiro pode mesmo trazer felicidade, defendida pelos economistas Andrew J. Oswald e Rainer Winkelmann, da Universidade de Warwick, no livro The Economics of Happiness. O capítulo pelo qual são responsáveis defende que as investigações anteriores sobre a lotaria foram mal projetadas, razão pela qual encontrou a conclusão contraintuitiva de que os ganhos não nos fazem felizes.

Os economistas têm um bom motivo – além da curiosidade – para se preocuparem se os vencedores da lotaria são mais felizes do que os outros. Os investigadores já sabiam que existe uma associação entre rendimentos elevados e felicidade. Mas pode ser difícil afirmar com certeza que é o rendimento elevado que causa a felicidade. As pessoas mais felizes podem ganhar mais dinheiro ou as pessoas menos felizes ter a tendência para ganhar pouco dinheiro.

Para o estudo, foram selecionados aleatoriamente vencedores de prémios como a lotaria para responderem a uma pergunta: O dinheiro causa felicidade?

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O primeiro estudo a analisar a felicidade causada pelos ganhos monetários foi publicado em 1978, por Philip Brickman, intitulado por “Vencedores da lotaria e vítimas de acidentes: a felicidade é relativa?”
A teoria que estava a ser testada na altura era a de que grandes eventos da vida humana não afetavam muito a felicidade. Um grande evento positivo, como ganhar a lotaria, tem efeitos positivos menores quando comparado com outros eventos; da mesma forma que um grande evento negativo, como um acidente paralisante, não deixa as pessoas muito mais tristes. Para esta análise, a equipa entrevistou 29 vítimas de acidentes, 22 vencedores da lotaria e 22 pessoas num grupo de controlo (que não ganharam a lotaria ou ficaram paralisadas num acidente). No final, concluíram que os vencedores da lotaria não eram mais felizes do que as pessoas do grupo de controlo, de forma estatística relevante.

O novo estudo, agora defendido por Oswald e Winkelmann, indica que a premissa da investigação de 1978 foi o primeiro erro. Os economistas indicam que 22 vencedores da lotaria não são suficientes e a diferença entre a felicidade destes e dos que integravam o grupo de controlo teria de ser enorme para que se encontrasse um efeito estatisticamente significativo.

A análise de Oswald e Winkelmann defende que todas as investigações realizadas até agora usaram amostras muito pequenas. É por isso que algumas encontraram resultados e outras foram inconclusivas. Neste estudo, os dois economistas têm um número de vencedores de grandes prémios monetários superior.

Ao contrário de muitos estudos anteriores, a equipa descobriu que “todos os efeitos de são estatisticamente significativos”. Ganhar a lotaria traz felicidade. Ganhar mais dinheiro tem um efeito pronunciado na felicidade das pessoas.

Os primeiros estudos parecem ter sido alvo de um problema comum na investigação na área das ciências sociais – estudos que não são poderosos o suficiente para detetar efeitos, mesmo que existam. Portanto, os primeiros estudos sobre os efeitos da lotaria podem ter errado. O que não quer dizer que aconteça com todos os vencedores. Certamente existem histórias de pessoas que ganharam dinheiro e ficaram muito pior do que estavam.

Mas, no geral, ter mais dinheiro deixa as pessoas menos stressadas e mais satisfeitas com a vida. O dinheiro pode não comprar felicidade, mas compra muitas coisas que facilitam a procura de uma vida mais feliz.

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