Cerveja Artesanal

Cerveja. Brooklyn chega a Portugal

The Brooklyn Brewery
The Brooklyn Brewery

Referência mundial nas cervejas artesanais vai ser distribuída pela Unicer. Para já são só três as variedades disponíveis

A Brooklyn, uma referência mundial nas cervejas artesanais, é a nova aposta da Unicer. A marca, co-fundada em 1987 pelos americanos Steve Hindy e Tom Potter, no condado de Brooklyn, em Nova Iorque, como o nome indica, passa agora a estar disponível em Portugal, distribuída pela empresa de Leça do Balio. O que não admira atendendo que a Brooklyn tem uma joint venture, a nível mundial, com a Carlsberg, grupo que detém 44% do capital da Unicer. Steve Hindy, ex correspondente de guerra da Associated Press e CEO da The Brooklyn Brewer Corporation, esteve esta quinta-feira no Porto para o lançamento da cerveja Brooklyn em Portugal.

A aposta da Unicer surge na sequência da “crescente procura do consumidor português por uma maior diversidade cervejeira”, uma realidade para a qual quer contribuir. A escolha da Brooklyn é um “passo natural” atendendo a que esta é “uma referência incontornável nas cervejas artesanais no mundo”, explicou, ao Dinheiro Vivo, Bruno Albuquerque, diretor de Marketing Cervejas da Unicer. Já a Brooklyn “quer estar nos sítios que marcam as tendências mundiais e incluiu Portugal nesse bolo”, diz Bruno Albuquerque.

Da imensa variedade de cervejas que a Brooklyn produz, são três as que estarão disponíveis neste arranque em Portugal. São elas a Brooklyn Lager, a “estrela da companhia” e que foi o primeiro produto lançado pela marca, a Brooklyn East IPA, um estilo muito característico nas cervejas artesanais, e a Brooklyn Naranjito, uma American Pale Ale de inspiração mexicana, “muito refrescante, com notas aromáticas de laranja e um teor alcoólico de, apenas, 4,5 graus. A Lager tem 5,2 graus e a IPA 6,9 graus de teor alcoólico. Estarão disponíveis em garrafas de tara perdida de 350 mililitros e terão um preço de venda ao público recomendado de 3,5 euros.

As novas cervejas já estão a chegar ao mercado, mas através de uma abordagem “muito segmentada” da distribuição. “A ideia não é entrar e forma massiva, mas concentrarmo-nos no canal horeca (hotelaria, restauração e cafés) nesta primeira fase e só, mais tarde, avaliar se fará sentido alargar à grande distribuição. Sendo uma cerveja premium importada e, como tal, com um preço mais elevado, queremos apostar em bares mais contemporâneos e em locais onde as cervejas artesanais têm grande peso”, refere Bruno Albuquerque. Questionado sobre as expectativas de vendas, o diretor de Marketing Cervejas da Unicer garante que não há meta estabelecidas. “Este é um segmento que está a crescer em Portugal, mas que ainda é muito pequeno. A ideia não é tanto focarmo-nos em volumes, é em fomentarmos experiências”, sublinha.

E, por isso, o local escolhido para o lançamento oficial da marca em Portugal foi o ‘Bonaparte Baixa’, um típico pub irlandês, “de espírito e decoração alternativo”. Steve Hindy explicou que, quando começou, há 30 anos, havia 40 empresas cervejeiras nos Estados Unidos, num “mercado dominado pelas grandes multinacionais”. Hoje são mais de 5.700. “É incrível a explosão que o mercado teve nos últimos anos. As grandes empresas perceberam, finalmente, que isto não é uma fase e que o movimento de cervejas artesanais não vai desaparecer. Basta ver que as cervejas independentes valem 12 ou 13% do mercado americano, em volume, e mais de 20% em valor”, diz. Um desenvolvimento que tem levado a uma compra crescente das pequenas unidades pelas grandes empresas, mas a The Brooklyn Brewer Corporation “tudo fará para se manter independente”. Até porque, garante, “o movimento de cervejas artesanais está só a começar. Não me admirava nada que, daqui por uns anos, houvesse 500 produtores de cerveja em Portugal”.

Steve Hindy assumiu-se “embaraçado” por estar em Portugal pela primeira vez – o ataque ao World Trade Center, em 2001, obrigou a cancelar as férias que tinhas marcadas em Portugal – mas prometeu voltar, em breve, classificado o país de maravilhoso. “É incrível o número de pessoas que encontramos em Nova Iorque e que conhecem Portugal e já cá estiveram”, sublinha.

Sobre a criação da empresa, em 1987, Steve Hindy explicou que foi correspondente de guerra da Associated Press no Médio Oriente durante 15 anos, época em que provou a primeira cerveja artesanal produzida pelos diplomatas americanos destacados na Arábia Saudita, país onde as bebidas alcoólicos são proibidas. No regresso a Nova Iorque, e “aborrecido de morte” no seu cargo de editor num jornal americano, começou, ele próprio, a produzir cerveja em casa. Convenceu, então, Tom Potter a associar-se ao projeto e a avançar com uma unidade cervejeira. “Foi muito difícil iniciar este movimento de cervejas artesanais nos Estados Unidos”, assume. Estiveram “anos a perder dinheiro”, garante. E enquanto lutavam para vender nos Estados Unidos, a procura internacional cresceu. “Havia pessoas do Japão, da Suécia, de França e do Brasil que provavam a nossa cerveja e a queriam importar. E nós precisávamos do dinheiro, portanto, aceitamos. A verdade é que nunca pensamos no negócio da exportação como tal, mas ele foi crescendo, aos poucos e, 15 anos depois, percebemos que temos 40 pessoas em todo o mundo a vender cerveja”, afirma. Tudo graças a meros apaixonados pela cultura cervejeira. No Japão, por exemplo, o importador inicial era um funcionário executivo de uma companhia petrolífera.

Hoje, ,metade da produção da Brooklyn destina-se aos mercados internacionais. “Há qualquer coisa no nome Brooklyn que parece ter um efeito extraordinários nos consumidores”, graceja Steve Hindy.

 

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