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O que estão os ecrãs a fazer aos nossos olhos?

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Os smartphones mudaram a forma como olhamos com mais frequência para ecrãs. Especialista defende que podemos fazer um uso positivo e... negativo.

Num dia típico, estima-se que o cidadão de um país ocidental, com smartphone, verifique em média o seu telefone 85 vezes. No total, passa cerca de cinco horas por dia a olhar para o telemóvel e, se juntarmos aqui os ecrãs de computador e afins, as médias podem chegar às 7,4 horas por dia (de acordo com um estudo de 2016 da Common Sense Media para os EUA).

O debate sobre o vício que os smartphones podem estar a criar nos mais novos (e mais velhos) já dura há alguns anos. Ainda não há estudos que permitam afirmar, sem margem para dúvida, que há efeitos muito negativos para a visão por uma longa exposição aos ecrãs de smartphones.

Apesar disso, estudos indicam que mais de 50% das pessoas que trabalham em frente a um ecrã de computador sofre do que chama de cansaço visual digital. Isso implica cansaço, olhos secos, irritados e com comichão, além de dores de cabeça. Isto está relacionado com o excesso de exposição a uma luz intensa emitida por aparelhos digitais. Quanto melhor a qualidade do ecrã (e menos o brilho intenso), mais hipóteses temos de não passar por este síndroma.

Este problema é tratável e, para já, não há estudos que indiquem que cria problemas duradouros. Certo é que tem havido um aumento dos problemas de visão ao perto – um estudo recente no Reino Unido indica que, atualmente, 16,4% das crianças tem problemas de ver ao perto, contra 7,2% nos anos 1960.

O que estão os ecrãs a fazer aos nossos olhos?

A boa notícia é que os ecrãs de smartphones, na sua maioria, até costumam ser de qualidade e há cuidados que pode ter, no que diz respeito ao brilho do ecrã (convém não ser excessivo). A má notícia é que estamos a por os nossos olhos sobre uma pressão inédita.

Já em 1951, o antropólogo Earnest A. Hooton descrevia a televisão como “uma educação visual daquilo que não se deve fazer”. A revista Wired norte-americana de abril entra neste domínio, dos ecrãs e dos seus problemas, onde explica que o número de horas que passamos colados ao ecrã de um smartphone põe a nu problemas típicos pelos quais o nosso corpo já passa quando chegamos aos 40 anos. O artigo explica que, agora, “avaliamos cada vez mais a nossa visão pela forma fácil ou difícil de lermos o que está nos nossos smartphones”, o que nem sempre significa que a nossa visão está pior do que a de um quarentão das serras da Mongólia.

A presbiopia entra assim em evidência. Este problema ocular que afeta quem tem mais de 40 anos, está associado ao envelhecimento do olho humano e caracteriza-se pela diminuição progressiva da capacidade de focar nitidamente objetos a curta distância. Nesta época em que estamos constantemente a focar o nosso olhar nos pequenos ecrãs do smartphone, vamos sentir ainda mais esse problema, algo que quem não tem smartphone nunca vai reparar com tanta evidência.

Os jovens e os ecrãs

Jovens norte-americanos dormem pior, namoram menos, têm menos sexo, tiram a carta mais tarde e adiam os empregos em part-time e a perda da virgindade. Isso mesmo vem referido na Notícias Magazine desta semana e é suportado pela psicóloga norte-americana Jean M. Twenge, que vê nesta tendência malefícios duradouros para a saúde mental dos jovens.

A Wired falou com a psicóloga em Desenvolvimento Infantil, Alison Gopnik. A especialista pede à sociedade que “respire funde” e se foque menos em quanta tecnologia as crianças usam e mais na forma como podem usar a tecnologia a seu favor. “Há momentos de interação com um ecrã de smartphone ou tablet de grande qualidade, quando a criança interage com o que se está a passar ao lado de alguém a supervisionar”. Gopnik dá o exemplo de como é melhor para uma criança ver um filme ao lado de um adulto do que sozinha.

O tempo de ecrã pode trazer uma aprendizagem interativa muito interessante, defende a especialista, que dá o exemplo do seu neto e a forma como aprendeu a jogar xadrez sozinho num tablet e adora explorar os locais no Google Maps. As aplicações que as crianças e jovens usam fazem toda a diferença, “só temos de estar atentos”.

“O que os estudos nos indicam é que as crianças que têm problemas ou são vulneráveis na vida real, também vão ser vulneráveis nas redes sociais”, explica Alison Gopnik, que acredita que os jovens interagem nas redes sociais e nas mensagens, de formas semelhantes ao que fariam de outras formas no passado. Isto apesar da comunicação estar muito mais facilitada e ser muito mais rápida.

Regras para evitar tornar-se num zombie de ecrãs

Alison Gopnik indica que é importante haver algumas regras, especialmente à noite, quando o uso de ecrãs pode prejudicar o sono. Os abusos devem e podem ser evitados. A especialista sugere uma prática chamada Shabat ou Sabat de tecnologia – o dia de descanso semanal no judaísmo.

Em que consiste o Sabat tecnológico? Todos na família desligam, sexta-feira à noite, os seus dispositivos com ecrãs. Depois, sábado à noite, voltam a ligar. O objetivo é que as pessoas não se tornem presas ou viciadas na cultura dos ecrãs e das notificações constantes.

O excesso de tecnologia reduz o tempo com a família e amigos e pode interferir na performance no trabalho, na criatividade ou nos níveis de agressividade com os outros, defende ao site NPR Anna Lembke, psiquiatra que estuda estes temas na Universidade de Stanford.

A especialista deixa alguns conselhos para não ficar preso ao seu smartphone:

  • – Deixe de ser o cão de Pavlov e desligue as notificações das redes sociais
  • – Use um relógio de pulso ou um despertador para ver as horas à noite (deve dormir longe do telefone para evitar tentações)
  • – Exclua o telefone das refeições, removendo-o mesmo da mesa (um estudo de 2015 indica que a pulsação e pressão sanguínea sobe quando os telefones tocam e as pessoas não os podem atender).
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