Em teste

De Paris a Roma. Fomos ver se o Huawei P20 Pro tem mesmo a melhor câmara

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

Depois do teste, chegou o veredito: o P20 Pro é, provavelmente, o melhor smartphone a fotografar sem luz. Veja as fotos que tirámos de Paris a Roma.

No mundo da tecnologia, como na vida atual, promessas há muitas. Já para chegar a certezas é preciso fazer o chamado teste do algodão, o tal que não engana (como dizia o anúncio há uns anos). A Huawei há já algum tempo que nos habituou a ter produtos de qualidade e, mesmo seguindo várias vezes a fórmula da Apple com o iPhone, consegue sempre mostrar algo de novo.

Com a chegada do P20 Pro, que foi lançado no final da semana passada em Portugal, a Huawei diz estar a trazer uma “revolução” para a fotografia em telemóvel. E apresentou dados empíricos que mostram que o seu novo topo de gama tem as melhores câmaras de sempre num smartphone. Será que é verdade?

A resposta pode não ser tão simples e clara quanto isso – vamos dá-la nas próximas linhas. Mas o que é preciso dizer, alto e bom som, é que a Huawei consegue por os dois principais gigantes Samsung e Apple em sentido. Como? Apostou em três câmaras traseiras, mantendo a parceria com a Leica. Além da segunda câmara monocromática (a preto e branco) de 20 MP, já usada em modelos desde o P9 (de 2016), a câmara principal surge agora com 40 MP e a terceira câmara, embora só tenha 8MP, permite fazer zoom ótico de 3x.

Isto é uma vantagem avassaladora face ao iPhone X e Samsung Galaxy S9, que têm a segunda câmara a fazer zoom ótico de 2x? Nem por isso. É uma opção do fabricante que favorece quem queira fazer um zoom maior, mas não é tão indicada para prefira só o zoom 2x.

Vamos então à análise, pura e dura, ponto por ponto, que pode ver em cima na fotogaleria. Se quiser ver com pormenores as surpreendentes caraterísticas técnicas pode espreitar aqui.

As (muitas) câmaras: foto vs. vídeo

Gostámos:É mesmo verdade, provavelmente é o melhor smartphoneda atualidade a tirar fotos com pouca luz, especialmente à noite. Nas fotografias que tirámos em Paris, na altura do lançamento, ficámos convencidos com as belíssimas fotos noturnas, repletas de detalhes mesmo em zonas quase sem luz. Comprovámos o mesmo em Roma – veja a fotogaleria. Neste tipo de fotografia com pouca luz, o P20 Pro supera mesmo os rivais iPhone X e Samsung S9+ – iremos compará-los com exemplos de fotografias em breve. O modo Noite pode demorar 4 segundos a fotografar, mas consegue resultados verdadeiramente surpreendentes em zonas muito escuras (pode ver na fotogaleria exemplos). O zoom de 3x ótico também ajuda na hora de tirar fotos mais próximas.

Curiosamente, é mais fácil aproveitar a capacidade das três câmaras combinadas em situações de pouca luz (incluindo a monocromática, que ajuda nos detalhes) usando apenas a resolução de 10 MP, que é o modo normal de fotografia – para usarmos os 40 MP prometidos é preciso ativar essa opção.

Não ficámos fãs: Com uma qualidade de fotografia tão boa com pouca luz, o vídeo ainda não está ao mesmo nível da capacidade de fotografar nestas condições (não podemos querer tudo, é certo).

O slow motionde 32x não é tão prático e fácil de controlar quanto o Super Slow-Motionda Samsung. Claro que podemos sempre só usar a versão 8x, mas parece perder-se algo em qualidade de imagem.

No modo vídeo também não gostávamos que não houvesse a possibilidade de, com um toque, passar logo para o zoom de 3x (tanto o S9 como o iPhone X permitem fazer isso com o zoom de 2x e dá uma sensação de corte de imagem bem conseguida).

O zoom híbrido de 5x (um misto de ótico com digital) promete mais do que entrega. Ou melhor, em algum tipo de fotos não está mal, noutras não convence.

Design moderno

Gostámos: As parecenças com o iPhone X são claras, mas isso para o cliente final não tem de importar nada. É elegante, com acabamentos impressionantes em vidro e cores distintivas na traseira. O nome “Huawei” aparece na traseira de lado, para dar enfoque às capacidades de tirar fotografias (na horizontal, portanto). A definição do ecrã OLED é notável, dentro do nível dos rivais.

Não gostámos: Tal como os rivais da Samsung e Apple tem tendência (graças ao vidro) para escorregar da mão. Um pouco mais do que no iPhone X, já que este tem 5,8” de ecrã e o P20 Pro tem 6,1” (o Galaxy S9+ tem 6,2”). Nada que uma capa não resolva. As câmaras traseiras são salientes (como no iPhone X), o que não é muito prático, mas uma boa capa também pode resolver. Não tem o chamado jack, a entrada tradicional para os auscultadores.

O notch da moda

Temos dúvidas: Há quem não se importe com o notch, ou entalhe, que fica no topo e é uma saliência que se nota já que praticamente toda a parte da frente é ecrã. “O nosso notch é bem mais pequeno do que o iPhone X”, dizia-nos após a apresentação mundial do P20, Richard Yu, CEO da Huawei. Pequeno ou não, não parece uma vantagem. Mas crédito seja dado à Huawei, há uma opção que permite esconder o notch colocando o ecrã preto nas zonas ao lado do tal entalhe.

Desbloquear com cara ou dedo

Gostámos: Basta virar o ecrã na direção da nossa cara e ele faz a leitura facial de imediato e desbloqueia o dispositivo. O iPhone X, por exemplo, requer mais um gesto ou toque no ecrã. Só pode não ser ideal se quisermos apenas ter acesso às notificações e não desbloquear mesmo o dispositivo.

Não ficámos fãs: É útil e de louvar haver uma segunda forma de desbloquear o telefone, com impressão digital. Não ficámos convencidos com a colocação sob a forma de mini botão na base da parte da frente do telefone: primeiro porque o botão em si tem pouca utilidade além dessa, depois porque é estreito e pouco prático para usar só com uma mão.

Inteligência artificial

Gostámos: É possível gostar ou não gostar de uma característica? É sim. O uso de inteligência artificial nas câmaras permite reconhecer o céu, caras ou fruta e colocar de forma automática uma espécie de filtro para realçar as cores. Torna o uso de filtros do Instagram desnecessário.

Não ficámos fãs: Lá está, a inteligência artificial ajuda a colocar um filtro, e há algumas fotos em que as cores ficam saturadas e, se repararmos bem, perdem alguma qualidade. Nota: Há alguns anos a Samsung tinha tendência, para parecer que as fotos realçavam a cor, saturar as cores, o que por vezes tirava qualidade à definição dos detalhes – nem sempre se reparava nisto no ecrã do telemóvel. Felizmente essa moda passou.

Rapidez:

Gostámos:O processador da própria Huawei é o 970 Kirin chipset, com 6GB of RAM e 128GB para armazenamento e é bem rápido, permite inclusive jogar jogos e usar e abusar do P20 Pro.

Não ficámos fãs: Não tem a ver com o processador, mas com a experiência de utilização. O P20 Pro é notável em quase todos os aspetos, mas ainda não está exatamente ao mesmo nível de fluidez de processos de S9 ou iPhone X quando fazemos, por exemplo scroll. Nada que tire brilho ao smartphoneaté porque é um pormenor que só o olho mais atento irá reparar. Tal como se dizia noutro anúncio, neste pequeno pormenor falta-lhe “um bocadinho assim”.

Bateria:

Gostámos:Tema 4,000 mAh e permite14 horas de uso intensivo e bem mais de um dia de uso normal, o que são excelentes pontos de partida. Permite carregamento rápido e por indução.

Em resumo, o P20 Pro é notável e coloca a Huawei ao nível dos melhores, conseguindo mesmo superar os rivais em alguns aspetos, como é o caso das fotografias com pouca luz. O preço de 899 euros pode afastar alguns clientes, mas isso talvez seja injusto. O nome Huawei significa cada vez mais qualidade e, em alguns aspetos, inovação cativante.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.
Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. Fotografia: Diana Quintela/ Global Imagens

OCDE. Famílias portuguesas podem perder 50% do rendimento se vier uma nova crise

Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. Fotografia: Diana Quintela/ Global Imagens

OCDE. Famílias portuguesas podem perder 50% do rendimento se vier uma nova crise

Alberto Souto de Miranda
(Gerardo Santos / Global Imagens)

Governo. “Participar no capital” dos CTT é via “em aberto”

Outros conteúdos GMG
De Paris a Roma. Fomos ver se o Huawei P20 Pro tem mesmo a melhor câmara