Velas e hortas sustentáveis na Greenfest para celebrar a economia circular

Velas que evitam a poluição das águas, palhinhas que se comem e hortas de permacultura estão até domingo na Greenfest, uma feira de sustentabilidade

Velas que evitam a poluição das águas, palhinhas que se comem e hortas de permacultura estão até domingo na Greenfest, uma feira de sustentabilidade que no Estoril celebra a economia circular e o ambiente.

E se afluência de visitantes não foi aparentemente grande até agora, sobraram no entanto ideias para tornar o mundo melhor e menos poluído, levando as pessoas a "apaixonarem-se" pelos seus desperdícios.

Disse-o à Lusa António Mesquita, responsável pela área internacional daquelas que chama "as melhores velas do mundo", feitas de óleos usados e que "não adicionam nada à pegada de carbono".

A empresa e o conceito que levou à Greenfest é simples e cheira bem. Pegando em óleos usados de cozinha e ceras vegetais, juntando-lhe cor e cheiro a gosto, faz velas para Portugal mas também para Espanha, a Escandinávia ou o Canadá. Exporta para 15 mercados ao todo.

"Cada litro de óleo contamina mil litros de água", começa por lembrar António Mesquita à Lusa enquanto prepara mais uma vela que está pronta em 10 minutos. As pessoas, diz, têm a tendência para deitar os óleos nos esgotos, mas podem aproveita-los assim, tanto mais que a empresa vende as velas mas também as ceras numa espécie de "kit faça você mesmo".

"Dotamos o utilizador do poder para fazer a vela como quer. E temos um programa anual nas escolas, chamado ´De fio a Pavio´, de consciencialização para a importância de reciclar os óleos usados. Através das crianças chegamos ao agregado familiar", diz.

E diz ainda que os preços são competitivos, que as velas duram mais e que essencialmente evitam a poluição de milhares de litros de água. No domingo, último dia da Greenfest, António Mesquita vai fazer a maior vela do mundo de óleos usados, um barril de vela que se fosse despejado na sanita iria contaminar 160 mil litros de água.

A "The Greatest Candle in the World" aceita óleos usados e na sua banca não é a batatas fritas que cheira mas a perfume, adocicado, não muito diferente do que sai das primeiras palhinhas comestíveis e aromatizadas do mercado, a fazer fé nas palavras de Pedro Cadete, representante da empresa e do produto "100% biodegradável e amigo do ambiente".

A palhinha "funciona como esponja" e no final pode saborear-se, diz à Lusa. É feita essencialmente de açúcar mas tem metade das calorias de um pacote dos que usam no café, afirma o responsável, que prefere valorizar outro dado: "uma palhinha de plástico tem um tempo de vida útil de quatro minutos mas fica na natureza 400 anos".

Acabada de chegar a Portugal a aceitação das palhinhas comestíveis tem sido boa em bares e discotecas, nada comparado com o sucesso que diz ter em países como o Japão ou até a China, ou especialmente o Reino Unido, mais sensibilizado para a preservação da biodiversidade.

E dela, da economia circular, da permacultura, fala também Ana Catarina Narciso, licenciada em biologia e guardiã da horta da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. E não foi uma sala com pouco público que lhe refreou o entusiasmo da "sua" horta sustentável no centro de Lisboa.

No Greenfest cozinha-se no rés-do-chão enquanto se fazem palestras no primeiro andar do centro de congressos do Estoril. Ana Catarina fala da horta, aberta todas as quartas-feiras a quem quiser "meter as mãos na terra", dos novos projetos de permacultura (cultura sustentável), da sopa que se vende também todas as quartas-feiras, do aproveitamento do lixo orgânico de um dos bares da faculdade, das plantas que se vendem também por um preço feito pelo comprador, ou do novíssimo projeto de "vermicompostores" que quer no futuro recolher todo o lixo orgânico produzido na escola.

A permacultura "observa as características das plantas com outras plantas", não usamos pesticidas mas usamos plantas aromáticas para combater pragas de outras plantas, diz. E dá mais exemplos: a alface e a cebola crescem bem juntas, o alho e a beterraba também.

"A permacultura vai ser uma necessidade futura, vai ser uma prioridade, não duvido", vaticina.

E enquanto o faz, uns metros mais abaixo, Filipe Figueiredo apresenta a primeira quinoa (planta nativa dos andes) produzida em Portugal, o resultado de uma aposta de quatro amigos que este ano produziu "sete a oito toneladas".

A organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) proclamou 2013 o ano internacional da quinoa, relevando a importância que dá ao alimento, e a partir daí juntaram-se os amigos, as vontades e as economias de cada um para um projeto que só agora dá verdadeiramente frutos, ou grãos.

Filipe Figueiredo sente necessidade de divulgar os benefícios do produto, que garante estar conforme todos os parâmetros. A FAO classifica a quinoa como um alimento estratégico para a segurança alimentar no mundo, pelas propriedades nutricionais mas também por se adaptar às alterações climáticas. Mas Figueiredo acredita que muitas pessoas não o saibam.

As alterações climáticas, a economia circular, a diminuição da pegada do carbono, o respeito pela natureza pairam um pouco por toda a Greenfest por estes dias.

Apresenta-se a relva que necessita de menos água, um novo conceito de cozinha natural, propostas de eficiência energética, mercados online sustentáveis. E porque a feira é eclética até há uma aula sobre felicidade no local de trabalho. Estudos dizem que um trabalhador feliz aumenta a produtividade em 12%.

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