Governo admite "grande preocupação" com integridade do mercado único

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, admitiu que há uma "grande preocupação" na UE quanto à integridade do mercado único, que foi "posta à prova" durante a pandemia de covid-19.

Dinheiro Vivo/Lusa
Portuguese Minister of State for the Economy and the Digital Transition Pedro Siza Vieira attends an Informal video conference of European Union Ministers of Tourism under the Portuguese Presidency of the Council, in Lisbon, Portugal, 01 March 2021. The aim of this informal meeting is to discuss the current situation in this sector in the EU and reflect on a set of measures aimed at its recovery to restore the confidence of travellers. ANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA © LUSA

Após o Conselho de Competitividade, que decorreu de forma remota e ao qual presidiu a partir de Lisboa, Pedro Siza Vieira foi questionado, em conferência de imprensa, sobre o que a União Europeia (UE) está a fazer para que, em futuras crises, a circulação de matérias-primas dentro das fronteiras europeias não seja impedida por eventuais restrições dos Estados-membros.

"De facto, a integridade do nosso mercado único foi posta à prova durante esta crise pandémica. Não há que o esconder. Fechámos fronteiras à livre circulação de pessoas e mesmo à livre circulação de mercadorias, e todos perdemos com isso", apontou.

Portanto, "há uma grande preocupação com a integridade do mercado único" europeu, admitiu o ministro, apelando à cooperação entre os Estados-membros para que todos os cidadãos possam ter acesso a bens e mercadorias e, assim, aumentar a capacidade de produção da UE, permitindo, consequentemente, "gerar recursos que depois podem ser investidos na inovação, na criação de emprego qualificado e na melhoria do futuro".

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Margrethe Vestager, que também marcou presença na conferência de imprensa, por via digital, reconheceu que o fecho de fronteiras "sem avisos com antecedência" entre os Estados-membros "tem sido muito doloroso".

Para responder a esta situação, Bruxelas está a pensar propor "um quadro de emergência do mercado único" que permita garantir o seu funcionamento em alturas de crise.

Partido do princípio de que, dentro da UE, "a dependência não é uma fraqueza, mas uma força", uma vez que os Estados-membros sabem que podem confiar uns nos outros, Margrethe Vestager adiantou que a Comissão Europeia está a trabalhar numa proposta neste sentido, para garantir que "todos os Estados-membros sintam e vejam que podem contar com os seus vizinhos em alturas de crise extrema"

"Vamos insistir nisto e esperamos avançar muito em breve, pois aprendemos que não é garantido que as fronteiras se mantenham abertas, mesmo quando há bens necessários que precisam de circular", reiterou.

Por outro lado, o ministro Siza Vieira salientou uma outra questão associada à gestão do mercado interno, de modo a protegê-lo dos "bens e serviços que não respeitam as normas ambientais, de segurança, sociais" que vigoram no bloco comunitário.

"Julgo que houve também um consenso bastante alargado na necessidade de sermos mais eficazes a assegurar o cumprimento destas regras por parte de todos os que operam e oferecem bens e serviços no mercado único", acrescentou, defendendo que os produtores europeus não devem competir com outros que não respeitem as mesmas regras associadas à redução dos gases de efeito de estuda ou reaproveitamento dos resíduos da sua atividade, por exemplo.

O ministro da Economia presidiu hoje a um Conselho informal de ministros responsáveis pela Competitividade da UE, na vertente da indústria e do mercado interno, no qual esteve em cima da mesa de discussão a redução da dependência estratégica da economia europeia e a comunicação da Comissão Europeia designada "A década digital da Europa", apresentada em 09 de março.

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