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Emmanuel Macron, o candidato que derrotou a extrema-direita

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Emmanuel Macron lançou-se na corrida presidencial francesa projetando a imagem de um político novo e descomprometido, "nem de direita nem de esquerda"

Emmanuel Macron lançou-se na corrida presidencial francesa projetando a imagem de um político novo e descomprometido, “nem de direita nem de esquerda”, e fica na história por ter derrotado a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen.

Macron, 39 anos, tornou-se hoje o presidente mais jovem da história de França desde Luis Napoleão Bonaparte (1848-1852), sobrinho de Napoleão Bonaparte, presidente aos 40 anos.

Emmanuel Macron nunca tinha sido eleito e demitiu-se do cargo de ministro da Economia (2014-2016) do governo do presidente François Hollande para apresentar a candidatura.

Com a passagem à segunda volta da líder da extrema-direita, Marine Le Pen, Macron beneficiou do apoio de dezenas de políticos, empresários, intelectuais, artistas e cientistas, incluindo o republicano François Fillon (direita) e o socialista Benoît Hamon, derrotados na primeira volta e representantes dos dois partidos que partilharam o poder nas últimas cinco décadas.

A imprensa francesa qualifica-o de “puro produto da intelectualidade”: filho de um casal de médicos, saído das escolas de elite, banqueiro de investimentos até entrar na política em 2012 como conselheiro de Hollande.

Dessa experiência, e da de ministro, Macron diz ter retirado um ensinamento central: o da disfunção do sistema político.

Disse-se candidato da “verdadeira indignação” e da renovação, face “às mesmas caras” da classe política “há 30 anos”: “Isto não pode continuar assim!”.

Nas palavras de Hollande, numa reunião recente, “Macron teve a intuição, precisamente porque estava fora da vida política tradicional, de que os partidos de governo criaram as suas próprias fraquezas, perderam atratividade e estavam […] desgastados, cansados e envelhecidos”.

Essa intuição levou o jovem ministro a fundar, em abril de 2016, o seu próprio movimento, “Em Marche!”, com as suas iniciais — EM — que reivindica 200.000 militantes.

O programa com que se candidata é de inspiração social-liberal, prometendo reconciliar “liberdade e proteção”, reformar o subsídio de desemprego, criar apoios especiais para os jovens de bairros desfavorecidos e “olhar para a classe média”, “esquecida pela direita e pela esquerda”.

Europeísta “assumido” mas com pouca experiência internacional, tentou reforçar esta vertente com uma visita ao Líbano e outra a Berlim, onde se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, junto de quem suscita, segundo a imprensa, “interesse e simpatia”.

O seu discurso, politicamente transversal, agrada sobretudo aos jovens urbanos e aos empresários, mas não é popular junto das classes populares, sobretudo rurais, pela globalização que defende.

Contrariamente aos outros candidatos, Macron expês na campanha a vida privada, aparecendo frequentemente com a mulher, Brigitte, 24 anos mais velha e sua antiga professora. A opção por essa exposição pode ter decorrido do desmentido que fez de rumores lançados nas redes sociais de que seria homossexual.

 

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