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Novo Banco: “Quem compra o banco deve assumir os riscos”

O presidente executivo do Banco Santander Totta, António Vieira Monteiro. (FILIPA BERNARDO/ LUSA)
O presidente executivo do Banco Santander Totta, António Vieira Monteiro. (FILIPA BERNARDO/ LUSA)

Presidente do Totta criticou venda do Novo Banco à Lone Star, que implicam a manutenção de 25% do capital do banco de transição no Fundo de Resolução

O presidente do Banco Santander Totta (BST), António Vieira Monteiro, criticou hoje os moldes da operação de venda do Novo Banco à Lone Star, que implicam a manutenção de 25% do capital do banco de transição no Fundo de Resolução.

“Não entendo como é que o Fundo de Resolução vai ser chamado a mais responsabilidades perante o Novo Banco. Acho pouco razoável esse principio de que os terceiros sejam chamados a responsabilidade. Quem compra o banco tem obrigação de assumir os riscos da compra que faz”, realçou o gestor.

“Agora, os outros bancos serem chamados a essa responsabilidade é um bocado forte”, reforçou, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados trimestrais do BST, em Lisboa.

Questionado sobre se pondera recorrer aos tribunais para travar a venda do Novo Banco, Vieira Monteiro deixou todas as hipóteses em aberto.

“Ainda nem sequer sabemos qual vai ser o resultado [da operação], pelo que estamos longe de pensar em recorrer aos tribunais. Mas gostaríamos que tivesse sido outra solução”, admitiu.

“Os bancos, que somos os contribuintes para o Fundo de Resolução — apesar de ser uma entidade autónoma -, estarmos a pôr mais dinheiro para resolver a situação do Novo Banco é um pouco pesado para nós, daí não nos sentirmos à vontade com a solução obtida”, destacou.

E reforçou: “Acho que é quem compra que tem que correr os riscos e não devem ser os outros bancos a correr o risco por erros feitos no passado por outra instituição”.

Depois de já ter referido que o BST “não estava aberto” a participar na corrida à compra do Novo Banco, Vieira Monteiro disse que a entidade que lidera vai continuar a acompanhar a evolução da entidade liderada por António Ramalho, sem excluir um eventual interesse na compra da instituição dentro de oito anos, quando termina o prazo durante o qual a Lone Star se comprometeu a permanecer no banco.

“Acompanharemos como concorrentes o que se vai passar. O que vai acontecer daqui a oito anos, é impossível estar a dizer agora. Nem nós sabemos bem o que vai ser a banca daqui a oito anos. Espero que o Novo Banco esteja bem porque seria um bom sinal para a economia portuguesa”, lançou.

“Crescer organicamente é a nossa base, mas manter-nos-emos atentos a tudo o que se passa no mercado”, afirmou também depois de questionado sobre se tem outros negócios no radar.

Em 31 de março, foi assinado o contrato de promessa de compra e venda entre o Fundo de Resolução e o fundo norte-americano Lone Star, para a alienação de 75% do Novo Banco, mantendo o Fundo de Resolução bancário 25%.

A Lone Star não pagará qualquer preço pelo Novo Banco, tendo acordado injetar 1.000 milhões de euros no banco para o capitalizar, dos quais 750 milhões quando o negócio for concretizado e os outros 250 milhões até 2020.

Já o Fundo de Resolução ficou com a responsabilidade de compensar o Novo Banco por perdas que venham a ser reconhecidas com os chamados ativos ‘tóxicos’ e alienações de operações não estratégicas, caso ponham em causa os rácios de capital da instituição, até um montante máximo de 3,89 mil milhões de euros.

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