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A agência de pessoas autênticas, para marcas que querem pessoas com atitude

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A agência de pessoas autênticas, para marcas que querem pessoas com atitude

Há 4 anos, Fred Canto e Castro criou a Sonder no quarto lá de casa. Hoje a agência de casting fatura mais de meio milhão

Trabalhava a partir do seu quarto na casa de família, quando um dia chegou à agência de casting Sonder um briefing mundial. A Coca-Cola procurava um travesti para a sua campanha europeia Choose Happiness: What Are You Waiting For [Escolhe a Felicidade: Do Que estás à Espera]. Fred Canto e Castro não esperou. “A Coca-Cola tinha uma campanha gigante e precisava de imensas pessoas. Queriam um conjunto de personagens, entre as quais um travesti, e nenhuma agência tinha um em carteira e nós também não. Fomos à procura. Fomos ao Finalmente [clube de espetáculos de transformismo em Lisboa], fizemos cinco a seis castings a travestis, hoje nossos agenciados, e um deles [João Marques/Nyma Charles] filmou para a Coca-Cola”, lembra o fundador da Sonder.

Hoje a agência de casting de “pessoas autênticas” já pôs mais de mil agenciados a filmar para cerca de 30 países mais de 500 campanhas para marcas como a Nike, H&M, NOS ou Super Bock. “Há muitas campanhas que estão a ser feitas para o Mundial que têm agenciados nossos”, diz. Fechou o ano passado com uma faturação de 520 mil euros e já faz planos para se internacionalizar.

Tudo começou com um pitch que Fred Canto e Castro fez à sua avó, até agora o único investidor na empresa. Na sala de jantar lá de casa convenceu-a da ideia que ganhou raízes depois de um trabalho de curso. Partiu de uma constatação simples: as pessoas não gostam de publicidade, as marcas estão a mudar a forma como comunicam, mais do que modelos aspiracionais pretendem “pessoas autênticas, como nós, com as quais nos consigamos identificar para criar uma relação”. Tinha 19 anos.

“Vi que havia este shift enorme no mercado, mas com um problema: as pessoas autênticas não sabem que podem fazer anúncios e, como tal, as agências tradicionais tiveram dificuldade em recrutar”, diz. “Há uma diferença entre ser real e normal e ser autêntico. O que faz a diferença é a atitude perante a vida, é o termos personalidade, algo de diferente, não nos conformarmos. É esse tipo de pessoas que a Sonder procura.”

Internacionalizar a empresa
Largou o curso, o quarto virou o escritório e durante nove meses dormiu no sofá da sala. Quinhentos agenciados a passar lá por casa depois, o pai “sugeriu” que mudasse a empresa para outras instalações. Passou para a LX Factory. “Às vezes temos de ter aquela pressão para sairmos da nossa zona de conforto, e foi o melhor que me aconteceu: começámos a crescer muito mais rapidamente”, garante.
Para crescer perceberam que não podiam ter tantas pessoas a trabalhar na contratação de agenciados. “Decidimos digitalizar uma grande parte da empresa. Começámos por criar o nosso próprio software e há oito meses decidimos digitalizar o setor que era operacionalmente mais pesado: a aquisição de agenciados”, descreve. Os interessados em candidatar-se enviam um vídeo e podem pedir informação online. Há um bot que responde e “80% das pessoas acham que estão a falar com alguém do outro lado”.
Depois das campanhas, levaram o conceito de “pessoas autênticas” para os eventos, para os promotores. “Claramente que é mais difícil. É uma indústria que não despertou tanto para isso”, comenta. Na publicidade o conceito chegou para ficar. “Todas as marcas querem pessoas autênticas, as que ainda preferem modelos são as de perfumes e cosmética”, afirma.

Desde o ano passado, a Sonder está no Porto. “O nosso foco é recrutar nas cidades onde há procura, mas temos candidaturas do mundo inteiro”, explica. O objetivo é expandir a operação para o exterior. “O nosso modelo de negócio é altamente escalável, conseguimos fazer isso tendo só uma pessoa a trabalhar por cidade. Tudo vai depender dos próximos meses. Estamos a fazer pesquisa para perceber qual a melhor forma de escalar a empresa. Se com um investidor e uma pessoa local, se com franchising, se com representação como fazem as agências tradicionais. Há várias hipóteses em jogo e não estamos comprometidos com nenhuma”, diz. Até setembro querem decidir. Depois? Cidade do Cabo, Barcelona e Berlim “são sempre cidades apetecíveis”.

Há cerca de um ano devolveu o investimento feito pela avó. “Devolvi-lhe o empréstimo e paguei-lhe juros, por brio.”

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