Criativos no Mundo

A beleza da criatividade? “Qualquer pessoa em qualquer lugar pode ter boa ideia”

Dalatando Almeida (do lado esquerdo) subiu ao palco do Palais para receber um dos Grand Prix The Trash Isles
Dalatando Almeida (do lado esquerdo) subiu ao palco do Palais para receber um dos Grand Prix The Trash Isles

Dalatando Almeida ganhou dois Grand Prix na edição deste ano do Cannes Lions. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o Criativo no Mundo reflete sobre sector

Em casa de Dalatando Almeida há muito que se faz reciclagem. Outra coisa não seria de esperar do português, Criativo no Mundo, que venceu dois Grand Prix com The Trash Isles, alertando para o problema que o plástico e o lixo está a provocar à escala planetária.

Está em Londres desde 2011 e atualmente é diretor de arte da AMV BBDO. Viver em terras de Sua Majestade não causa surpresa, afinal tem uma costela inglesa do lado da mãe e estudou no Reino Unido. Mas da passagem por Portugal guarda boas recordações e amizades. E foi por cá que conheceu outros Criativos no Mundo, como Daniel Soares ou Frederico Roberto.

Ao Dinheiro Vivo Dalatando Almeida fala do que o surpreendeu em Cannes e do impacto que plataformas como Google ou Facebook poderão ter no futuro da publicidade.

Estás em Londres há vários anos. O que te levou para este destino publicitário?

Deixei Portugal quando tinha cerca de 8 anos para viver em França. Estudei no Reino Unido até aos 21 anos. Foi aí que senti a necessidade de regressar a Portugal. Estive durante algum tempo a trabalhar em Lisboa na Ponytale, uma agência de publicidade liderada pelo João Baptista. Partilhávamos um edifício com a Törke que foi onde conheci grandes amigos, Dani Soares e Frederico Roberto. Devo ter estado mais ou menos seis meses antes de ter de regressar ao Reino Unido. Foi ai que decidi fazer dupla com um velho amigo, Mike Hughes, e mudar-me para Londres para ver se conseguiu arranjar trabalho.

O Reino Unido está num processo de Brexit. De algum modo sentes que tem afetado o mundo criativo do país? Tem afetado o teu trabalho?
Penso que talvez o Brexit tenha levado algumas pessoas a decidir não vir e trabalhar no Reino Unido, mas independentemente do que se está a passar aqui não há qualquer semelhança com o que se está a passar politicamente nos Estados Unidos.

Acabas de ganhar dois Grand Prix com The Trash Isles. Que impacto pode vir a ter no teu percurso?

Ganhar dois Grand Prix em Cannes deu-me grande visibilidade na indústria publicitária. É muito difícil vencer em Cannes por isso sentimo-nos honrados por termos sido reconhecidos. Tenho esperança de continuarmos a criar trabalho com impacto e que cativa a atenção das pessoas.

Sentes que de algum modo os prémios dão visibilidade ao objetivo do teu trabalho, neste caso o problema do plástico a nível mundial?

2018 foi o ano em que as pessoas começaram realmente a ter olhar para os oceanos como um problema ambiental. The Trash Isles definitivamente ajudou a aumentar a consciencialização para este tema. O nosso projeto foi falado em canais noticiosos pelo mundo e discutido nas Nações Unidas. 193 países comprometeram-se a reduzir o seu consumo de plástico e, embora não possamos assumir a total responsabilidade por isso, espero que tenhamos feito a nossa parte para tornar o problema visível.

 

Mudaste de algum modo o teu próprio comportamento como consumidor? Agora é tua missão convencer rede de amigos para este tipo de problema?

Sim, certamente. Reciclo tudo em casa depois de comprar um caixote que separa lixo e produtos recicláveis. Tento também evitar usar unidades de plástico, como garrafas de água, etc. Parte da campanha The Trash Isles era educar as pessoas sobre como podiam ser mais ambientalmente conscientes ao reduzir os seus resíduos de plástico.

Estamos a assistir a emergência de players como Google e Facebook no Mundo da Pub. Foi aliás um dos temas de Cannes. Que impacto sentes que vai ter no sector como um todo? O sector está preparado?

Penso que plataformas como o Google ou o Facebook estão definitivamente a tornar-se cada vez mais proeminentes na publicidade. Da nossa experiência trabalhar com plataformas como o Google e o Facebook podemos às vezes realmente ajudar. Têm insights valiosos sobre as audiências e, se usados da forma certa, podem tornar os nossos projetos melhores. Por exemplo, em The Trash Isles fizemos uma parceria com a LadBible. Foi excelente. Eles conheciam a sua audiência jovem e politicamente ativa tinha preocupações com o ambiente e ajudou a que The Trash Isles fosse uma campanha verdadeiramente integrada. Vamos ver deste tipo de parcerias interessantes a acontecer na publicidade.

Que tendências sentes que saíram ou ganharam visibilidade em Cannes este ano?

Penso que a sustentabilidade dos oceanos foi definitivamente um grande tema em Cannes este ano com trabalhos como o nosso projeto, o The Palau Pledge [campanha criada pela Host/Havas, Grand Prix em Direct, em Sustainable Development Goals e Titanium] e The Value of Nature (Deloitte Austrália). Mas não foi o único grande tema em Cannes. A diversidade foi também um grande tem com trabalhos como Nothing beats a Londoner da Nike (W+K de Londres, campanha Grand Prix em Social & Influencer) ou a The Talk da P&G (da BBDO Nova Iorque, Grand Prix em Film). Todos bons trabalhos que impactaram a cultura.

Temos assistido a vários criativos portugueses em agências no exterior a sair do festival com leões. Como olhas para essa emigração criativa?

Penso que há um grande grupo de criativos a trabalhar pelo mundo. Considero o Dani Soares e o Miguel Durão bons amigos. Ambos saíram de Portugal para trabalhar e têm sido extremamente bem- sucedidos.

Há uma forma portuguesa de fazer criatividade ou nisto da Pub não há nacionalidades?

Penso que a beleza da criatividade é que é que qualquer pessoa em qualquer lugar pode ter uma boa ideia. Por isso, sim boas ideias não têm nacionalidade.

Além do trabalho que foi Grand Prix, há algum outro que queiras destacar, pelo desafio colocado, gozo que te deu em produzir?
Estou muito orgulhoso de Hateboards. Uma empresa de skateboard que cofundei em 2017.

Veja mais aqui

 

Estou também muito contente com a campanha que fizemos para Homes for Britain, lutando para tornar à habitação mais acessível.

Percorra a galeria de imagens acima clicando sobre as setas.

Onde te vês daqui a 5 anos? Portugal estará no passaporte criativo no futuro?

Não faço ideia onde estarão daqui a cinco anos. Espero apenas continuar a trabalhar em projetos criativos interessantes que levem as pessoas a pensar ou a rir.

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