"A pandemia foi um concentrado de mudança com esteroides"

Susana Albuquerque sobe de diretora criativa a partner e diretora criativa executiva da Uzina, a agência da Ikea, do Aldi e do Santander.

Foi um namoro de quatro anos que agora resultou numa relação mais séria: Susana Albuquerque é a nova partner da Uzina, acumulando com a direção criativa executiva.

A mudança surge num momento em que a agência tem vindo a reforçar a carteira de clientes como o Ikea, Aldi ou Santander, contas conquistadas em plena pandemia. Um período de aprendizagem. Maior lição? Aceitar a mudança. "2020 ensinou-nos que não temos que ir todos os dias para um escritório, mas também nos ensinou que é importante passar algum tempo juntos num escritório. O futuro vai ser híbrido, acho", diz.

"Não tenho uma bola de cristal, mas imagino que este ano será de crescimento para a agência, não só pelos novos clientes que conquistámos mas também pela retoma de alguma normalidade na vida e na atividade económica quando começar o desconfinamento", acredita.

De diretora criativa a partner da Uzina. Quais os desafios em cima da mesa?

Desde que voltei de Madrid e entrei na Uzina que havia esta intenção de selarmos um compromisso mais forte. Mas combinámos que deveríamos namorar primeiro e só depois casar. Quatro anos depois, tendo passado por momentos bons e outros menos bons, decidimos que agora era o momento de dar o passo. E temos vários desafios em cima da mesa. O principal é termos excelentes marcas que escolheram trabalhar connosco. Queremos honrar esse compromisso e contribuir para que elas sejam marcas valiosas, relevantes, para que tenham um impacto positivo junto das pessoas.

A mudança surge numa altura em que a agência tem reforçado carteira de clientes como o Ikea e o Aldi, mas também num momento em que a pandemia levou as marcas a reaquacionar investimentos e estratégias de comunicação. Como é que a Uzina poderá ajudar as marcas a navegar estes novos mares?

Temos consciência do papel que podemos e devemos ocupar na criação de valor para uma marca. Acreditamos que as marcas mais fortes, hoje em dia, são as que têm um propósito bem definido, as que cumprem um papel que um número grande de pessoas valoriza. A nossa missão é ajudar as marcas a traduzir, potenciar e dar visibilidade a esse seu propósito.

Temos a sorte (ou o mérito) de não sermos uma agência muito formatada nesta ou naquela disciplina. Procuramos identificar bem os problemas. Gostamos de ouvir os clientes. E depois focamo-nos em encontrar as melhores ideias para resolver esses problemas. Conseguimos criar soluções que não partem de um formato fechado. Acho que isso é útil para uma marca navegar nos mares de hoje.

Reforçaram a direção criativa com a entrada de Andreia Ribeiro. Há mais reforços criativos previstos para dar novo músculo nesta fase?

Sim. A entrada da Andreia Ribeiro vem reforçar o foco da agência na criatividade eficaz. É alguém que consegue juntar graça e bom senso, surpresa e relevância, palavra e pensamento. Há mais reforços criativos nesta mesma direção que comunicaremos muito em breve.

A pandemia transformou a forma de trabalhar. Casa virou mini-agência. Como se cria e gere nestes novos tempos? Que ensinamentos deixou 2020 para o futuro?

Para mim, a maior lição da pandemia é aceitação da mudança. Mesmo que decidas ficar quieta num lugar, as coisas vão mudar à tua volta. Tudo muda a toda a hora, e a pandemia foi um concentrado de mudança com esteroides. Criar em casa é muito bom quando estás numa fase individual do trabalho e podes desligar tudo e pensar sozinha. Se tiveres o foco e a disciplina, que nem toda a gente tem. Criar em casa é difícil quando estás na fase da troca, do contágio e da discussão, e isso significa ficares 12 horas seguidas a falar para uma videochamada.

A pior lição da casa-agência é a destruição de paredes entre o que é a casa e o que é a agência. Há umas semanas ouvia o António Damásio dizer que nos faltavam os percursos para os lugares, que eles eram grandes criadores de memórias. Sinto muita falta dessa vivência dos percursos, talvez porque no meu caso eles são curtos. Vivo a cinco minutos da agência. Sinto isto desde os primeiros meses. 2020 ensinou-nos que não temos que ir todos os dias para um escritório, mas também nos ensinou que é importante passar algum tempo juntos num escritório. O futuro vai ser híbrido, acho.

Depois de conquistas como o Ikea, Aldi e Santander, como estima o correr de 2021, ao nível de faturação e conquistas de novas contas?

Não tenho uma bola de cristal, mas imagino que este ano será de crescimento para a agência, não só pelos novos clientes que conquistámos mas também pela retoma de alguma normalidade na vida e na atividade económica quando começar o desconfinamento, ainda que ele seja progressivo. Continuaremos a nossa aposta em fazer bom trabalho, relevante, diferente, que tenha importância para as pessoas. E esperamos que mais uma ou duas marcas queiram fazer esse caminho connosco.

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