Ikea. O que faz de uma casa a sua "alegre casinha"?

A Vida em Casa, estudo do Ikea, revela o que os lisboetas pensam sobre o que transforma quatro paredes num lar.

Ana Marcela
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O que faz uma casa, a "sua" casa? O Chef Kiko não hesita na resposta: uma mesa. "Cresci, ri, chorei sempre à volta de uma mesa. A mesa foi sempre uma peça importante nas oito casas em que vivi", conta o Chef dos restaurantes O Talho e A Cevicheria, durante a apresentação do estudo A Vida em Casa, do Ikea, que antecede o lançamento do catálogo 2017 da cadeia sueca prevista para 25 de agosto.

"Casa é cheiro. É andar à volta dos tachos. O cheiro a feijão transporta-me para casa", conta o Chef recordando o período da sua vida em que viveu no Brasil e onde o feijão está para a dieta brasileira, como o pão para a portuguesa. Cozinhar está a perder destaque nas casas portuguesas, acredita o Chef, mas o estar à mesa é um hábito que não deve desaparecer. Cria laços, cimenta relações. Em casa do Chef Kiko criou-se o hábito dos pequenos-almoços de rei. É o momento em que todos se juntam. Criam uma casa que é de todos.

E não está só sozinho nessa ligação que faz entre cheiro e casa, ao lar. Mais de metade dos lisboetas (51%) associa a casa um cheiro específico, segundo o estudo A Vida em Casa, da Ikea, realizado em 13 cidades em todo o mundo, incluindo Lisboa. Mais do que a média das 12 cidades alvo do inquérito da cadeia sueca que já vai na terceira edição. E a comida também nos transporta para casa: 34% diz que existem certos tipos de comida que cheiram e sabem à sua casa. Novamente um valor acima da média (30%).

"A casa é uma descoberta estranhamente recente na Humanidade. O quarto, então, é mesmo recente. Até à Idade Média havia apenas um quarto partilhado por todos e com tudo", lembra o psicólogo Eduardo Sá. Emocionalmente "nem sempre o que chamamos casa coincide com o espaço físico", diz. "Há muitas pessoas que têm uma casa, onde têm às vezes as experiências mais significativas de desespero. Têm casa, mas sentem-se sem-abrigo", reforça o psicólogo.

Os motivos não são explicados, mas diz o estudo que 37% dos lisboetas se sentem mais em casa noutro sítio do que na sua própria casa. E "um em cada 2 jovens lisboetas sente-se mais em casa noutros sítios do que na sua própria casa". Esse valor é de apenas 16% entre as pessoas com mais de 61 anos.

"O espaço casa de cada pessoa é o espaço de cada um", continua. E depois há os objetos. Mais de metade acredita que os objetos que tem em casa refletem a sua personalidade, diz o estudo. Mas há objetos que adquirem simbolismos. Qual é a casa que não tem o cadeirão do pai onde ninguém se senta, sobretudo, depois do seu desaparecimento, questiona o psicólogo.

Criamos uma sensação de casa passando tempo com família e os amigos, dizem 67% dos lisboetas inquiridos (média 63%). São as pessoas que nos fazem sentir em casa, mas há pessoas que "não vivem, apenas coabitam", alerta Eduardo Sá. E para as crianças "o espaço da casa é o espaço que os pais conseguem construir um com o outro". "As crianças demoram muito tempo a se sentir em casa", diz. "Muito mais importante é os pais estarem atentos à relação amorosa: pais infelizes são piores pais".

A Vida em Casa também revela o impacto que as novas tecnologias estão a ter na forma como vivemos, fora e dentro de casa: 15% dos lisboetas acham o contacto online mais importante do que convidar as pessoas para casa. Valor que sobe para 22% entre os lisboetas com mais de 61 anos, sendo apenas de 12% entre as pessoas entre 18 e 29 anos.

Mais, para manter "as minhas relações em casa, uma boa ligação ao wi-fi é mais importante do que o espaço social" é referido por 16% dos lisboetas inquiridos. Valor que sobe para 24% entre as pessoas com mais de 61 anos. Quinze por cento acha "o contacto online mais importante do que convidar pessoas para a sua casa", valor que sobe para 22% entre as pessoas com mais de 61 anos.

E mexer nos smartphones, tablets ou computadores pessoais é o primeiro sinal que a relação em casa vai correr mal. Quando questionados sobre quais as barreiras para cuidar e manter relações com as pessoas com quem vive, 19% refere que são as pessoas que "estão sempre a mexer nos seus aparelhos eletrónicos".

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