Media Capital passa de prejuízos a lucros de 40,8 milhões no primeiro semestre

Dona da TVI e da CNN Portugal apresentou lucro graças à conclusão da alienação do negócio das rádios. Recuperação da publicidade em televisão para níveis pré-pandemia também ajudou.

José Varela Rodrigues
Estúdio da TVI

O grupo Media Capital anunciou esta quinta-feira ter alcançado um resultado líquido de 40,8 milhões de euros no primeiro semestre do ano, valor que compara com o prejuízo de 8,5 milhões no período homólogo de 2021. O lucro da dona da TVI e da CNN Portugal beneficiou da conclusão da venda do negócio das rádios à alemã e da recuperação do investimento publicitário, com o grupo a registar ainda "os níveis de endividamento líquido mais baixos da sua história".

De acordo com as contas enviadas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 46,3 milhões de euros, valor "que compara muito positivamente com os 4,5 milhões de euros negativos do período homólogo". No entanto, incluindo gastos líquidos com provisões e reestruturações e a mais-valia gerada pela alienação da Media Capital Rádios, o EBITDA ajustado foi 1,3 milhões de euros. Este valor compara com os dois milhões de euros negativos observados na primeira metade do ano de 2021.

A Media Capital teve rendimentos operacionais de 123,9 milhões de euros até junho, mais de 70% face a igual período do ano passado. Grande parte destes rendimentos tiveram origem na mais-valia gerada pela venda das rádios. Aliás, "excluindo o efeito da mais-valia gerada com a alienação do negócio das rádios" - lê-se -, o grupo liderado por Mário Ferreira teve rendimentos operacionais de 77,4 milhões, só mais 6% do que há um ano.

A transação da Media Capital Rádios para a Bauer Media Audio ficou concluída a 31 de maio, num negócio que ascendeu a 69,6 milhões de euros e gerou para a dona da TVI uma mais-valia líquida de 46,5 milhões de euros, "já inscrita nas contas consolidadas do grupo".

A contribuir também para o crescimento dos rendimentos operacionais esteve a "recuperação do mercado publicitário". "O investimento publicitário total em televisão (sinal aberto e cabo) já se encontra nos níveis pré-pandemia", lê-se. Acrescem também na "evolução positiva dos rendimentos operacionais" os indicadores de audiência televisiva, nas rádios e no digital.

"No digital o investimento já supera, em larga escala, os valores de 2019. Por outro lado, na rádio a recuperação verifica-se mais lenta, com alguma resistência à retoma dos valores de anos anteriores à pandemia", lê-se também. Como a alienação do negócio das rádios só ficou concluído no final de maio, o desempenho operacional dessa área ainda é tida em conta nos resultados semestrais.

Contas feitas, com a publicidade, a Media Capital captou 54,3 milhões de euros, mais 9% do que nos primeiros seis meses de 2021. Só a televisão captou mais 44,6 milhões em investimento publicitário.

Do lado dos encargos, a Media Capital viu os gastos operacionais (ajustados dos gastos líquidos com provisões e reestruturações) agravarem-se 2%, para 76,2 milhões de euros. Não obstante, a empresa realça "a capacidade em reforçar os conteúdos e indicadores de audiência, mantendo simultaneamente o foco no controlo dos gastos operacionais".

No final de junho, a dívida da Media Capital também tinha diminuido fortemente. "O endividamento líquido situou-se, no final de junho de 2022, em 16,1 milhões de euros, correspondendo a uma diminuição muito acentuada de 62,2 milhões face ao final do ano de 2021".

O emagrecimento da dívida deveu-se, sobretudo, à venda das rásdios à alemã Bauer. "o grupo atingiu os níveis de endividamento líquido mais baixos da sua história", o que - sublinha a dona da TVI e da CNN Portugal -, permitiu a "distribuição de dez milhões de euros em dividendos durante o mês de julho, a primeira desde julho de 2018".

A quebra do endividamente também se deveu à amortização da totalidade do empréstimo obrigacionista e reduzido o montante máximo das linhas de papel comercial contratadas juntos dos bancos BPI, Santander e BIC para 50 milhões de euros. As condições do montante contratado mantêm-se inalteradas, contudo, com spread de 2,5% e maturidade até 2027.

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