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Bruno Pinhal lança produtora para fazer “filmes feitos com alma portuguesa”

Bruno Pinhal e Nuno Castel-Branco, dois dos sócios da Made Of Portugal
Bruno Pinhal e Nuno Castel-Branco, dois dos sócios da Made Of Portugal

Made of Portugal é a nova produtora nacional a chegar ao mercado, mas com o olhar no mercado externo

Regressou há mais de três anos a Portugal depois de uma longa temporada no Brasil como realizador. Bruno Pinhal lança agora a sua produtora de produtora, com mais dois sócios (um deles Nuno Castel-Branco), mas também a pensar no mercado internacional, como já dá sinal o nome escolhido para o o projeto. “Made-Of Portugal, o nome da nossa nova produtora, traduz a nossa portugalidade, e é também um nome pensado para o mercado internacional”, diz o realizador, produtor, ao Dinheiro Vivo. Made of Portugal chega ao mercado também a pensar no digital e no Branded Content.

Bruno Pinhal dá a conhecer o novo projeto em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Acabas de lançar uma produtora com mais dois sócios. O que a Made-Of Portugal vai trazer de novo para o mercado nacional?

Regressei do Brasil há três anos e meio, onde vivi entre 2009 e 2015, tive em São Paulo a oportunidade de trabalhar em diversas produtoras, com formatos e lógicas muito diferentes entre si. Trabalhei em produtoras como a Academia de Filmes que, na altura, tinha uma estrutura com 150 pessoas, divididas por quatro departamentos. Depois na Mixer, ainda maior, e que tinha um departamento de ficção onde entre produtores executivos, guionistas, pesquisa, jurídico e editores, trabalhavam cerca de 60 pessoas. À época, era o maior departamento de desenvolvimento de projetos de ficção e branded content da América Latina.

Passei ainda por produtoras como a histórica Companhia de Cinema e a Home, produtoras mais pequenas mas com lógicas de atuação muito interessantes. A Home, por exemplo, é uma produtora muito focada no mercado internacional e com uma microestrutura muito inteligente, tem devido aos contactos internacionais uma estratégia de mercado e um modelo de empresa que me faz todo o sentido, sobretudo num mercado pequeno e periférico como o nosso.

Tirei ensinamentos de todas estas produtoras por onde passei, e até mesmo em outras com quem trabalhei pontualmente nos Estados Unidos, na Argentina ou no Uruguai.

O que a Made-Of se propõem trazer de novo, é um olhar sobre alguns modelos existentes em outros mercados. Sentimos a necessidade de apostar em novos formatos, em novas formas de fazer.

O paradigma da comunicação está hoje em grande mutação, queremos acompanhar de perto esta evolução, interagir e até propor novas linguagens, novas ferramentas. É aí que nos posicionamos, não temos uma postura apenas de executantes. Continuaremos a fazer muito bem o que já fazemos há muitos anos, a produção de filmes publicitários com um elevado padrão, com um bom valor de produção. Mas temos também uma vocação pro-activa. Criamos projetos de Branded Content, onde produzimos conteúdos para todas as plataformas.

São três sócios. O que vos levou a fazer esta aposta?

Conhecia o Nuno Castel-Branco há muitos anos, mas nunca tínhamos trabalhado juntos. Há uns dois anos encontramo-nos por acaso num restaurante, o Nuno perguntou-me se eu tinha disponibilidade para dirigir alguns filmes para a Produtora dele, a Mercúrio. Esse foi um encontro feliz, porque havia um alinhamento de ideias entre nós. Passámos a discutir novos caminhos para a produtora, novos projetos, novas tendências. Seguiram-se várias conversas sobre o futuro da produção em Portugal, alguns filmes de publicidade pelo meio e o desenvolvimento de projetos de Branded Content. Onde destacamos o desenvolvimento de uma série para TV em parceira com uma empresa de Guionistas do Brasil, responsáveis por alguns grandes sucessos da HBO.

Outro projeto que definimos para a produtora, foi a internacionalização dos serviços, o production service. O Nuno trazia já na bagagem muita experiência e alguns clientes nesta área, uma vez que trabalhou alguns anos em produtoras espanholas. Um mercado que é gigantesco na área de service. Ficou a experiência e alguns bons contactos.

Temos consciência que o mercado internacional tem tanto de atrativo como de dificuldade para entrar. Precisávamos de uma estratégia, que acelerasse um processo de prospeção, que tende a ser longo e dispendioso, atalhando e evitando anos de viagens a outros países para road show de reuniões com produtores, potenciais compradores de service, presenças anuais em festivais internacionais de publicidade para ações de Relações Públicas, etc.. Assim concluímos que a nossa empresa precisava ter uma forte componente de marketing digital, algo que fizesse viajar a nossa marca por nós, chegar aos destinos certos, e de forma memorável. O marketing digital é também de fundamental importância para a nossa proposta integrada em projetos de branded content, e outros mais específicos para Mobile. Projetos que são desenhados sempre em função de conteúdos de ficção para as diversas plataformas.

 

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Convidámos para se juntar ao projeto alguém com muitas provas dadas no marketing digital, para connosco construir uma nova empresa. Uma produtora aberta à modernidade, a novas tecnologias e a novos conceitos. Convidámos o nosso outro sócio que trouxe uma visão de Marketing ao projeto, e mostrou-nos muitas novas janelas e oportunidades. Reforçou-nos que o novo caminho da comunicação digital é baseado em conteúdos, cada vez mais em conteúdos vídeo. A sua entrada no projeto permitiu-nos alargar a nossa proposta e organiza-la melhor.

Made-Of Portugal, o nome da nossa nova produtora, traduz a nossa portugalidade, e é também um nome pensado para o mercado internacional. Significa que os filmes produzidos por nós em Portugal, são filmes feitos de Portugal. Com magníficas locações portuguesas, talento português, competência técnica lusitana, casting nacional. São, portanto, filmes feitos com alma portuguesa. O nome da produtora tem também uma componente de Marketing digital, é um nome pensado para otimizar buscas através de Google Adwords, para quem procura produzir um service em Portugal.

Que investimento esta aposta implicou? Qual a estrutura fixa da produtora? Com que realizadores vão trabalhar?

O investimento financeiro não foi muito alto. Não nos faz muito sentido nos dias de hoje, um investimento muito avultado na área de serviços de produção. Mas claro há sempre custos… Desenvolvimento da marca, construção do site, campanhas digitais que serão lançadas em breve, e todo um conjunto de despesas inerentes à fase de arranque de uma empresa.

Onde temos investido mais é no nosso próprio tempo. Temos dedicado muitas horas, a modelar o que nos parece importante para a nova produtora.

A estrutura fixa neste início são seis pessoas, já incluindo os sócios. Como realizadores de publicidade além de mim, estão neste momento numa colaboração mais regular o espanhol David Alcalde, que conhece bem o nosso mercado, e também uma dupla de realizadores italianos, os Cric. Esta dupla tem um trabalho muito conceptual, poético e visualmente poderoso. Penso que podem fazer muito sucesso em Portugal.

Temos também um portefólio muito seletivo de grandes realizadores internacionais que vem da nossa network. Realizadores que trabalham projetos de maior dimensão, e que poderão ser propostos para alguns projetos especiais com mais orçamento.

 

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Querem trabalhar apenas na área da publicidade ou cogitam trabalhar na área editorial, ficção?

Como fui deixando nas entrelinhas, acreditamos que o futuro da comunicação das marcas (e porque não o presente…) está no Storytelling que estas consigam gerar sobre si próprias. Consideramos que já não pode ser apenas o modelo de produção que pensa exclusivamente em formatos publicitários de 30 segundos a 1 minuto.

As marcas querem cada vez mais, estar onde há audiências espontâneos, não se querem impor ao público, querem que o público as siga, que as procure, que venha ao seu encontro. As marcas querem audiências qualificadas com capacidade de consumo para os seus produtos. Essas audiências estão hoje dispersas por uma vasta imensidão de plataformas e conteúdos, o online, o mobile ou o streaming. As marcas querem participar ativamente neste fenómeno, mas para isso necessitam sentir segurança para dar os passos certos. A nossa proposta de branded content, passa por uma integração muito orgânica da marca e dos seus valores, em narrativas de ficção especialmente no formato série. Trabalhamos com experientes guionistas de ficção de Portugal e do estrangeiro na criação de conteúdos, nomeadamente em conteúdos de ficção. Alem disso, de forma integrada, propomos um marketing case, de forma a otimizar todo o conteúdo produzido. Estes marketing cases podem envolver media televisiva, podcast, blogues, redes sociais, e uma imensa gama de recursos de comunicação. Estamos prontos para trabalhar em parceria com as agências nestes projetos.

Estiveste durante vários anos ligado a várias produtoras nacionais, entre as quais a Ozono do qual foste sócio. Porque esta vontade de arrancar com um novo projeto e não manter apenas uma relação profissional de realizador com produtora terceira?

Gostei muito desta minha década a solo, só como realizador. Foi uma fase muito libertadora da minha vida, permitiu-me viajar, para filmar projetos um bocadinho pelo mundo todo, sobretudo no continente americano, mas também aqui em Portugal e até por África, aprendi muito neste trajeto. A vontade de me envolver mais diretamente e formalmente nesta nova produtora, tem muito a ver com a possibilidade de ajudar a colocar estes novos projetos em marcha. A ficção é algo que sempre desejei, o branded content é a forma de financiar a ficção, e uma ferramenta poderosa para as marcas. Acredito muito neste projeto, Mas não seria possível se me mantivesse como realizador freelance, ou mesmo como realizador residente numa produtora. Aí continuaria apenas a realizar os guiões que me chegassem. Nesta empresa tenho um papel mais amplo em conjunto com os meus sócios, como realizador e produtor executivo.

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Regressaste há cerca de três anos do Brasil. Porque foste, porque regressaste e que principais diferenças sentiste no mercado, na forma de trabalhar ao nível da produção, na criatividade…

A história da minha partida para o Brasil será porventura muito semelhante à de tantos outros profissionais na área da comunicação e de outras áreas. Profissionais, que imigraram na mesma época, à procura de mercados com mais músculo, com mais visibilidade, com melhor remuneração, etc..

Em 2009 o país vivia as sequelas de uma crise financeira internacional, em breve chegaria a intervenção do FMI e tudo o que isso significou para a economia portuguesa. Um país muito deprimido e sem otimismo. Em contraciclo eu sentia que tinha atingido alguma maturidade como realizador. Pelo reconhecimento que o mercado me dava, pelo meu portefólio, e até por alguns prémios nacionais e internacionais com que tive a felicidade de ser distinguido, beneficiando do bom trabalho das agências e da confiança que em mim depositaram.

Em 2008 tinha feito um filme em São Paulo para o mercado português, e nessa altura obtive um feedback positivo em relação ao meu portfólio. Logo me disseram “Se quiseres ter uma chance no mercado Brasileiro, tens de viver cá, caso contrário não rola…” Na altura não pensei seriamente nisso, no entanto, uns meses mais tarde, perante um cenário que não se adivinhava positivo em Portugal, acabei por concluir que seria o momento certo para experimentar outro mercado. Mais ainda tratando-se de um dos maiores mercados publicitários do mundo. Fiz a mala e fui passar uma semana a São Paulo. Reuni com alguns produtores, e na terceira reunião fui contratado. Dois meses depois mudei-me para São Paulo. O Brasil vivia a sua melhor fase económica dos últimos cinquenta anos. Para quem tinha saído de um Portugal à beira do colapso, até fazia um pouco de confusão assistir a tanto otimismo.

São Paulo é um mercado de grande visibilidade internacional, muitas campanhas globais são lá criadas e lá produzidas. Isso alargou muito a minha network e inclusive a possibilidade de filmar em outros países. Algumas vezes filmei em países como Argentina ou Chile, para o próprio mercado brasileiro. A dinâmica é totalmente diferente do mercado português. Para termos uma maior perceção da diferença de escala entre os dois mercados, numa grande agência de São Paulo podem trabalhar 600 ou 700 pessoas. Há um Vice-presidente (VP) de criação, a quem reportam dez ou quinze diretores criativos, as equipas são gigantes, porque as contas também são.

 

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Na produção faz-se sentir uma certa influencia norte-americana, o desenho de produção, a composição das equipes de rodagem faz-se mais numerosa em elementos do que em Portugal. Referencia-se por um modelo mais norte-americano do que europeu. É sem duvida um mercado com muito talento criativo, com grande competência e competitividade na produção.

Por lá vivi alguns anos sem nunca perder o contacto com Portugal, até porque todos os meus apelos emocionais por cá permaneceram, filho, família e amigos. Durante os anos do Brasil consegui felizmente manter sempre alguma atividade profissional em Portugal, que regularmente me trazia de volta com grande alegria, numa média de três vezes por ano. Nesses anos colaborei por cá com a produtora Até ao Fim do Mundo, por quem tenho uma grande amizade.

Regressei quando achei que estava na hora, o meu plano nunca foi ficar para sempre. Pensei ficar três anos, e acabei por alargar a minha estadia no Brasil. Senti que com a network entretanto estabelecida já poderia viver em Portugal, e viajar apenas a trabalho, sempre que houvesse um filme para dirigir.

Não me enganei, o ano em que regressei a Portugal, foi o ano em que mais filmei no mercado brasileiro. Entretanto e, infelizmente como sabemos, o Brasil entrou num clima de enorme instabilidade política e económica, uma depressão pós Copa do mundo, e pós Olimpíadas.

O sector passou um período de crise, com a quebra abrupta do investimento publicitário. É o momento certo para lançar mais uma nova produtora?

Sentimos que este é um bom momento. O país vive novamente uma fase otimista. Há uma ligeira retoma face ao investimento das marcas. E, fundamentalmente, há uma transformação no sector da comunicação, e no negócio da produção. É como produtora que traz novas soluções, soluções adequadas às novas necessidades do mercado, que nos posicionamos.

Quais são as vossas expectativas de negócio? Que faturação antecipam no primeiro ano de atividade? Para quando o ROI?

A expectativa é a melhor possível. Iniciamos recentemente uma ação de reuniões de apresentação do projeto ao mercado. Temos estado em algumas agências. O feedback é bastante positivo.

Quanto a expectativas financeiras, o bom de não termos um investimento avultado, é que não será necessário um esforço muito grande para atingirmos o retorno sobre o investimento inicial. Digamos que meia dúzia de projetos no mercado nacional, ou dois projetos no internacional cobrem facilmente o investimento inicial.

 

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Do teu trabalho como realizador, destacas algumas campanhas que te tenham particularmente marcado?

Do meu trabalho como realizador tenho felizmente muitas memórias boas. Destaco um filme que fiz para a MTV para a Ogilvy Londres, com criação da Ogilvy Lisboa, na altura dirigida pelo Edson Athayde. O filme tem o titulo “In Love”, gosto muito desse filme por ser storytelling puro, e por me ter dado a minha primeira nomeação para os Cannes Lions.

Gosto também muito de um dos primeiros filmes que fiz no Brasil, por ser um road movie. Era um filme para uma empresa gigante, a CCR. Que é concessionária de auto-estradas, pontes, linhas de metro e aeroportos. Foi um filme que me fez viajar por uma extensa parte do Brasil, e assim ficar a conhecer melhor o país que acabara de me acolher. Assina a criação o Aaron Sutton que é um publicitário de referência no Brasil.

Por último, vou falar de um video-case que dirigi para a Ogilvy Brasil, para a marca de fraldas Huggies. Foi um projeto com o Hugo Veiga, e ganhou um bronze em Cannes. Destaco-o porque me colocou à prova de diversas formas. Foi uma produção muito rápida com pouquíssimo tempo de preparação porque o projeto estava atrasado. Para ajudar, eu nunca tinha trabalhado com bebés, não tinha essa experiência. Recebi a notícia do Leão na véspera do meu regresso definitivo a Portugal. Fiz um desvio na rota e regressei via Riviera francesa. Foi uma daquelas aventuras com final feliz e, de certa forma, marcou o fim de um ciclo importante na minha vida.

Destaco estes, mas dedico a todos o mesmo carinho e exigência. Acho um privilégio poder trabalhar no que mais gosto.

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