"Capacidade de não desistir nunca", mais do que talento ou sorte

Dupla portuguesa em Paris triunfa em provas internacionais e mostra talento criativo no feminino

Fixe estes nomes: Teresa Verde Pinho (28 anos) e Mariana Reis (32 anos). Trabalham desde 2016 na Ogilvy Paris e são portuguesas. A dupla Criativa no Mundo é uma das vencedoras regionais da Europa do Next Creative Leaders, uma parceria entre o festival One Club e o 3% Movement, para dar voz ao talento criativo no feminino. Foram escolhidas 25 criativas a nível mundial, 15 vencedores regionais. Teresa Verde Pinho (copywriter) e Mariana Reis (diretora de arte) foi uma das duplas vencedoras.

Segredo? "Paciência, resiliência e ... "desemerdanço". Pode parecer simples ou cliché, mas é verdade. Esta indústria é muito cruel e é fácil um criativo ficar frustrado e perder o Norte. O essencial, mais que do ter talento ou sorte, é a capacidade de não desistir nunca, de arranjar outras formas para crescer criativamente sem ter que só depender numa agência", diz Mariana Reis, diretora de arte. Há quatro anos seguiram uma carreira internacional, mas nem na criatividade - que tanto faz sonhar - a realidade corresponde sempre às expectativas. "Os últimos quatro anos foram muito complicados, não conseguimos produzir tanto quanto queríamos, sofremos de síndrome de impostor (crónico e profundo) e tivemos problemas com a agência", admite Teresa Verde Pinho, copywriter. "Chegou a um ponto que achávamos que estávamos embruxadas. Sermos escolhidas entre diretoras criativas da Droga5, da DAVID Miami, e da Wieden+Kennedy, vem como um botão de restart e uma avalanche de motivação. É uma vozinha a sussurrar "alguma coisa têm de estar a fazer bem"".

Ser dupla numa agência em Paris "ajudou, mas não foi crucial", diz Mariana Reis. "Grande parte dos projetos que inscrevemos foram criados proativamente no nosso tempo livre - como "If I Were A Man" e o "Natal dos Esquecidos" -, apenas um foi produzido na Ogilvy Paris. Estarmos cá deu-nos uma curva de aprendizagem mais rápida do que em Portugal, mais exposição a este tipo de iniciativas".

Há três anos, o 3% Movement avançou para dar mais voz na liderança às mulheres, rachar o telhado de vidro que fazia com que, até nos EUA, apenas 3% dos diretores criativos fossem mulheres. "Muito honestamente, pouco mudou. O telhado continua lá e é bem palpável. Enquanto dupla feminina, sentimos na pele a desigualdade de género. É um problema sistémico e cultural o que torna tudo mais complicado, porque nem sempre as pessoas se apercebem que este normal, não é normal", diz Teresa Verde Pinho.

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