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CEO da Netflix: “É o problema do sucesso, agora todos nos querem imitar”

Falámos com o CEO da Netflix em Roma sobre os novos rivais Apple, Disney e companhia e na aposta europeia como resposta.

Reed Hastings, CEO da Netflix, está assumidamente à procura das melhores séries. É essa a receita que o responsável da empresa de streaming de conteúdos (séries, filmes, documentários e espetáculos de stand up comedy) dá para fazer frente aos novos concorrentes. Curiosamente, há cerca de 10 anos Hastings garantia que o Netflix nunca iria produzir conteúdos próprios.

O seu colega e amigo Ted Sarandos convenceu-o do contrário – atual CCO (Chief Content Officer – responsável dos conteúdos). Numa conversa com o CEO da empresa de streaming mais relevante da atualidade, em Roma, ficámos a saber que ele só se arrepende de não ter aderido à globalização na produção de conteúdos mais cedo.

Qual foi o momento-chave da história do Netflix, que começou em 1997 como serviço de entrega de DVD por correio?
O lançamento do YouTube foi o primeiro momento-chave. Percebemos que a internet era mesmo o caminho, embora em 2005 e 2006 os vídeos tinham pouca qualidade. Começámos o streaming em 2007 porque já sabíamos que era o caminho certo. Depois dos EUA fomos para o Canadá, o que resultou muito bem. Em cada país temos de licenciar o conteúdo, o que custa muitos euros em direitos antes de haver subscritores ou receitas. E, depois, os concorrentes fazem propostas mais elevadas e fazem subir os preços. Depois a nossa chegada fazia os preços subirem, por isso não pudemos fazer todos os países de uma vez, porque não tínhamos dinheiro para isso, pelo menos até há dois anos – daí também a importância de termos conteúdos nossos.

Há cinco anos poucos acreditavam no Netflix, agora todos querem fazer o mesmo…
É o problema do sucesso, agora temos todos nos querem imitar no streaming. Todas as grandes tecnológicas estão a tentar entrar nos conteúdos próprios, o Google com o YouTube, a Apple, Facebook e Amazon. As grandes empresas de conteúdos também querem entrar no streaming, a Disney, a Fox. O que temos de fazer é manter o foco. Não sei que impacto vamos ter com essas entradas, pode ser grande pode ser pequeno. Só sei é que o melhor que podemos fazer é tornar o nosso serviço cada vez mais perfeito. Não podemos pará-los, muito menos gastar mais do que eles, por isso o que podemos fazer é tentar encontrar grandes séries apaixonantes. Quando encontramos The End of the Fxxxing World, ou La Casa de Papel, ou Stranger Things, é algo mágico. E não há muitas séries dessas. Temos de estar atentos para encontrar os melhores conteúdos.

Mudaria alguma coisa nas decisões do passado?
Teria feito a internacionalização dos conteúdos bem mais cedo, mas a melhor decisão que tive talvez tenha sido precisamente tornar o negócio global mesmo a nível de produção de conteúdos em 2016.

São uma empresa de tecnologia ou conteúdos?
Somos um pouco das duas. Se olharmos para a Apple, eles são bons em quê? Tecnologia e moda. Têm um melhor faro para a moda do que qualquer outra empresa de tecnologia e são melhores em tecnologia do que as empresas de moda. É uma combinação única de duas qualidades que permitem um sucesso enorme… por isso não sei como se vão dar nos conteúdos, mas têm mais dinheiro do que todos. Para nós é tecnologia e conteúdos. A nível de gastos, por ano são 8 mil milhões em conteúdos e 1,3 mil milhões em tecnologia. São escolhas racionais, mas queremos ser bons nos dois.

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