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Festival Política.Um beijo, speed dating e outros motivos para não se abster

Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques da organização do Festival Política

Fotografia: D.R.
Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques da organização do Festival Política Fotografia: D.R.

Speed dating com deputados, debates, concertos e a estreia de Morte de Estaline. O Festival Política arranca na quinta-feira, no São Jorge, em Lisboa

Não votar tem consequências, lembrou o Festival Política na sua primeira edição. Este ano o festival quer combater a discriminação e falar de direitos humanos mas de forma algo inesperada.

Na sua segunda edição, o Festival Política cresceu. De dois passou a quatro dias e a ocupar todas as salas do cinema São Jorge, em Lisboa. Todas as atividades são gratuitas.

Rui Oliveira Marques, um dos co-organizadores do Festival Política com Bárbara Rosa, dá 5 motivos para não perder este evento que arranca quinta-feira e se prolonga até domingo, 22 de abril.

Leia aqui as escolhas de Rui Oliveira Marques.

1. O beijo. No ano passado o spot do Festival Política tinha uma mensagem dura ao confrontar os portugueses sobre as consequências de deixar a decisão do voto nas mãos de pessoas racistas, misóginas, homofóbicas e intolerantes. O anúncio teve muito impacto ao ponto de ter passado no minuto 10 do Jornal das 8 da TVI e de se ter tornado viral em França, onde a versão legendada em francês teve mais de 1,2 milhões de visualizações quando começou a ser usado pelos apoiantes de Macron nas presidenciais contra a Marine Le Pen. Este ano voltamos a contar com a Krypton e o João Gomes de Almeida num spot que materializa o tema central da edição deste ano: Direitos Humanos e combate à discriminação. O filme responde ao nosso desafio de uma forma totalmente inesperada.


2. Música. Pela primeira vez o Festival Política terá concertos. Na quinta-feira (19h30) o quarteto dos Solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa, apresenta “Compositores exilados” constituído por duas obras de compositores marginalizados pelos respetivos regimes – o salazarista em Portugal e o nazi na Alemanha. Na sexta (21h30) recebemos o Fado Bicha, um projeto de fado queer que está a subverter as regras do fado tradicional e que, curiosamente, ainda não é muito conhecido em Portugal apesar de já estar a ter repercussão em Espanha. No sábado (21h30) teremos a performance vídeo-musical “Ouvir com outros olhos”, a cargo de Nuno Meneses e Gabriela Almeida que promete ser uma reflexão, tanto visual como auditiva, sobre os temas transversais ao festival.

3. Debates. Teremos três debates e três workshops/conversas. Logo na quinta (17h30) o festival abre com “A Justiça é Racista?” As perguntas não ficam por aqui. Queremos saber se a legislação portuguesa garante uma proteção eficaz contra o racismo e a xenofobia e se as instituições são eficientes a combater a não discriminação no exercício de direitos por motivos baseados na raça, cor, nacionalidade ou origem étnica. É de esperar que o speed dating com deputados, à semelhança do ano passado, tenha muita adesão.

4. Estaline. Há quem tenha achado irónico termos escolhido uma comédia para a abertura oficial do Festival Política. Graças ao apoio da Cinemundo vamos apresentar em ante-estreia (quinta às 21h30) o filme do britânico Armando Iannucci, que relata de forma burlesca os últimos dias de vida de Estaline e a reação de quem o rodeia após a sua morte. A exibição de “A Morte de Estaline” foi proibida na Rússia. Quem vir o filme vai perceber bem o porquê. É sempre complicado fazer humor a partir da História mais trágica de um país. O filme tem estreia comercial na semana a seguir.


5. Criativos. Queremos envolver a comunidade artística e criativa na discussão política e pública. Por isso contamos com o apoio do Canal 180 que esta quinta-feira (18h30) nos traz três curtas que cruzam ativismo, criatividade e política, tendo como ponto de partida os festivais TodaysArt e What Else Europe, na Holanda, e o 180 Creative Camp, em Abrantes. Estará connosco Thomas Mandl, fotógrafo e activista organizador do What Else Europe, para nos explicar como podem os criativos ajudar a pensar noutro modelo de Europa que dê resposta ao populismo e ao descontentamento que parece estar a instalar-se no agora desencantado sonho europeu.”

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