Digitalks 2019

“Sem estratégia de publicidade paga o negócio está condenado”

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O primeiro dia do evento brasileiro Digitalks esgotou e atraiu mais de 500 participantes que querem saber mais sobre estratégias e ferramentas do marketing digital

Portugal é o país que menos retorno tem com a publicidade nas redes sociais. Mas também é o que investe menos. Na opinião de Paulo Faustino, COO da agência de marketing digital Get Digital, o investimento em anúncios online é essencial. “Sem estratégia de publicidade paga o negócio está condenado”, disse na estreia em Portugal do evento brasileiro de marketing digital Digitalks, cuja abertura foi feita pelo secretário de Estado da Economia. João Correia das Neves valorizou as ligações entre Portugal e o Brasil, de onde este evento vem e acontece há 10 anos.

“As redes sociais são apenas uma parte da estratégia de marketing digital.” Os conteúdos devem mudar e estar adequados a cada uma das plataformas. Usar o mesmo conteúdo em todas as redes sociais é um erro, advertiu Paulo Faustino.

As principais redes sociais em Portugal são o canal de vídeos YouTube e o Facebook. Mas para fazer negócios não há nada melhor do que o WhatsApp e o Messenger, dois serviços de mensagens instantâneas. Mas no topo está é o Instagram Stories, que, segundo o especialista, é a rede social que mais cresce. “E onde a vossa estratégia de conteúdo tem de estar”, aconselhou a uma assistência que comprou bilhete para estar nesta conferência de dois dias no Lispólis – Pólo Tecnológico de Lisboa. Atenção, “a audiência está aqui [no Instagram Stories] e não no feed do Instagram.”

O storytelling é a tendência a dominar. Esta ferramenta, que se define como a capacidade de contar histórias de maneira relevante, juntando recursos audiovisuais e palavras, é a base dos conteúdos digitais. As pessoas ligam-se mais às histórias das marcas, das pessoas e dos empreendedores. Um produto vende-se pelos benefícios e não pelas suas características. O estatuto social é o que faz vender um telemóvel Apple face ao Samsung. “A Coca-Cola vende felicidade”, exemplificou Faustino.

Os textos no digital devem começar com a ideia que mais cative o leitor. “Primeiro é preciso prender a atenção e depois manter o interesse. No final, ser claro na ação que queremos que as pessoas tomem.”

Num post é a imagem que chama a atenção em primeiro lugar, depois o conteúdo e em terceiro lugar o título. “Os vídeos no feed do Facebook devem ter legenda porque muitos são consumidos sem som e devem ser quadrados para que se possam ver no mobile sem ter de virar o telemóvel”, aconselhou. Note-se que 80% das vendas são feitas em mobile, ficando o PC em segundo lugar.

O autor da obra Marketing Digital na Prática deixou várias dicas para usar as redes sociais como ferramenta de vendas. É que o número de seguidores das redes sociais só por si de nada serve. “A métrica nas redes sociais é o número de compradores e não de seguidores”, defendeu.

A aposta deve estar na recorrência, ou seja, na compra continuada pelo mesmo cliente. Vender mais para os clientes existentes deve ser uma estratégia a não descurar. “Um cliente satisfeito procura sempre novas formas de comprar dentro da marca.”

O caso do e-commerce da Fnac

Da mesma opinião é Paula Alves, diretora de e-Commerce da Fnac Portugal, que veio apresentar o caso desta plataforma de vendas online que hoje realiza 50% do seu volume de negócios com vendas a clientes que compram online e offline.

Para a responsável, a recorrência de clientes deve ser bem explorada. Perante a dificuldade em angariar clientes novos, “as empresas devem aproveitar a recorrência de compra.” Esta foi uma das lições que trouxe ao palco da Digitalks com base na experiência da Fnac, o primeiro retalhista a criar (há 20 anos) um site de vendas, na mesma altura em que nascia a Amazon.

Muito mudou desde 1999, quando começou com um site tradicional que era uma espécie de montra com poucos visitantes. “Em 2016 aumentámos a rapidez de entregas de encomendas feitas online.” Além da rapidez, os clientes do online não querem ter de pagar pelo transporte. “Os portes devem ser gratuitos e rápidos.” Estes são dois fatores para conseguir converter visitantes em compradores. Na sua opinião, não há nada pior para o cliente como deparar-se com mais o custo do transporte. Por este motivo, “temos programas de fidelização, como o cartão Fnac, para que os clientes beneficiem de portes gratuitos para encomendas acima de 15 euros.”

A importância de criar sinergias e relações com os clientes foi outra lição que deixou. Quando a Fnac começou a dar mais visibilidade sobre o que outros clientes pensam sobre o produto através de um rating e comentários as taxas de conversão de produtos melhorou.

Dar voz aos colaboradores é essencial. “Incentivamo-los a recomendar os produtos com isenção.” Como? “No site colocámos um “coração” junto dos produtos que são as melhores escolhas dos vendedores da Fnac, especialistas em cada área.”

Mas as lojas físicas ainda não passaram de moda e são uma mais-valia, defendeu Paula Alves. “No site damos visibilidade ao stock das lojas tradicionais e informamos os clientes das mais próximas.”

Mais engenheiros e menos marketeers

As competências fundamentais na área de Marketing estão a mudar. Quem o diz é Rômulo Gomes, gestor de marketing do grupo OLX em Portugal, Na sua opinião, a procura de profissionais está mais orientada para as Ciências Computacionais, Engenharias, Matemáticas e Estatística do que para as Humanidades.

No grupo OLX a equipa de marketing está assente em engenheiros e em cientistas de dados. As licenciaturas em Marketing passam assim para segundo plano. “Hoje precisamos mais de transpiração do que de uma campanha genial de marketing”, lançou, fechando assim o primeiro dia do Digitalks.

Desde 2009 que o Digitalks é uma referência do setor digital brasileiro. Pertence ao grupo corporativo iMasters e E-Commerce Brasil e em 2018 abriu um escritório em Portugal. O evento, que quer promover a transformação digital das empresas nacionais, está a acontecer nesta semana pela primeira vez em Portugal- entre os dias 20 e 21 de março, no Lispólis – Pólo Tecnológico de Lisboa. “Trata-se de um evento de dois dias com mais de 30 oradores, onde são esperados mais de 500 participantes, que terão acesso a dois palcos e mais de 32 horas de conteúdos”, informa a organização.

Paralelamente às conferências decorre uma feira de negócios onde expõem mais de 15 empresas com soluções digitais e os dias acabam com uma happy hour que promove a partilha de contactos e o convívio ao ar livre.

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