Galp."Logo ganha novo potencial. Campanha é um template EDP"

Desde 2002 que a Galp não mexia na sua identidade. Pedro Albuquerque, da Albuquerque Designing Business, comenta a nova imagem e campanha.

A Galp mudou. Refrescou o logótipo, tem um novo posicionamento e tem na rua uma campanha de publicidade institucional que dá a conhecer esta nova fase da empresa de energia.

Há 14 anos que a Galp não alterava a sua identidade. Pedro Albuquerque, designer e fundador da Albuquerque Designing Business, analisa esta nova fase da marca.

 

Leia aqui na íntegra o que diz Pedro Albuquerque sobre a mudança da Galp:

 

"O logo ganha novo potencial, a campanha é um template EDP, Continente, Vodafone, Super Bock…

A marca visual Galp Energia tem resistido bem ao desgaste do tempo e desde 2002, ano em que foi criada, tem demonstrado uma notável capacidade de desdobramento gerando um conjunto de submarcas apelativas, tais como a Tangerina ou o GForce. É assim compreensível que o recente rebranding concebido pela Ivity, ou seja, pela mesma dupla mágica, Carlos Coelho e Paulo Rocha, que criou a versão original, tenha resultado numa evolução e não numa mudança radical. É um bom sintoma de marca, na medida em que os melhores logos são aqueles que ascendem ao patamar de ícone enraizado no imaginário coletivo, os quais só admitem afinações, nunca alterações de fundo, exceto quando novos paradigmas de negócio assim o exigem.

Quanto à evolução adotada, registo como aspetos mais positivos o novo lema “Energia cria Energia”, os diferentes elementos visuais que o corpo do logo pode assumir conferindo um maior poder de narrativa em contextos diversificados, especialmente os de suporte digital e dinâmico, e também, o redesenho tipográfico. Já a nova interpretação 3D sobre o símbolo laranja e branco constitui a parte menos conseguida por ser excessiva sem necessidade, apenas vem complicar e poluir a estética do desenho original e nesse sentido torna-se mais um exercício de software do que de conceito.

O posicionamento da marca falha, porém, na comunicação, onde havia mais margem para provocar e explorar uma mensagem mais disruptiva que espelhasse melhor os tempos que vivemos. Os combustíveis são caros, cada vez mais sobretaxados pelo Estado, e as descidas significativas no preço do petróleo não têm tido expressão significativa no preço final ao consumidor, o que faz com que cada vez mais veículos se abasteçam nas low cost ou em Espanha, onde porventura, podem encontrar um posto de abastecimento da Galp. Por outro lado, os combustíveis de origem fóssil, continuam a ser uma das maiores ameaças ambientais. Em suma, a energia é o eterno quebra-cabeças da sociedade e da economia.

 

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Ora, é neste contexto difícil que a Galp existe mas parece ignorá-lo quando comunica. Ao assumir o papel de mensageiro sobre o sentido da vida em tom lamechas com uma música de fundo a puxar à emoção ronda o despropósito. A forma tem uma qualidade estética cinematográfica, e retórica quanto baste, mas falha no conteúdo. É a opção pela via mais fácil, um conjunto de lugares comuns sob o mote “a tua energia” tão ao gosto de outra energética, a EDP. É estratégico que a valorização das marcas se faça pela via cultural com origem nas artes plásticas, na poesia, na música e no cinema, contudo, a arte é imensamente rica para alimentar outras orientações de conteúdo que se aproximem mais dos anseios e das ameaças que hoje tanto consomem os consumidores.

A Galp está de boa energia e isso é muito bom para ela e para a economia do país. Quanto aos portugueses, continuam a contar com a sua própria energia, é certo, mas sem rótulos de marca."

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