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Investigação. Anunciantes deixam YouTube após comentários em vídeos com crianças

O Google volta a ver-se envolvido numa crise com os anunciantes. Haverá até 100 mil contas ativas de predadores que comentam vídeos com crianças

Está aberta uma nova crise no Google com os anunciantes. Mars, Lidl, Adidas são algumas das marcas que abandonaram o YouTube depois de campanhas terem sido encontradas ao lado de vídeos usados por predadores sexuais para atrair crianças, noticiou a BBC e o The Times. O YouTube já reagiu a diz que está “a trabalhar com urgência” para remover esses conteúdos da plataforma,

A investigação levada a cabo pelos dois media britânicos encontraram milhares de contas de predadores que as usavam para deixar comentários explícitos em vídeos com crianças. Problemas com o sistema de denúncia da plataforma estarão na origem da não deteção das contas.

Leia ainda: Depois da crise com conteúdos de ódio, como está o Google?

É a segunda vez em menos de um ano que o Google enfrenta uma crise com a sua plataforma de partilha de vídeos. Em março, as marcas começaram a retirar a sua publicidade do YouTube depois de campanhas terem sido associadas a conteúdos de ódio e os anunciantes terem sido acusados de estarem a financiar extremismo.

“Algumas marcas retiraram-se do YouTube e nunca mais regressaram”, disse Stephan Loerke, CEO da World Federation of Advertisers, num encontro recentemente com jornalistas em Dublin, promovido pelo Google.

E não regressaram mesmo depois das medidas tomadas pelo Google que apertou os filtros e apostou no machine learning para detetar mais rapidamente os casos de conteúdos não adequados às marcas. “83% do conteúdo extremista retirado do ecossistema foi através de machine learning, mais oito pontos percentuais que em relação a agosto”, adiantou Dyna Nadja, diretora para o mercado EMEA do YouTube & Video Solutions.

Mas o risco ainda existia, admitia Matt Brittin, presidente do Google para o mercado europeu, médio oriente e África (EMEA). “Não podemos dar 100% de garantias, mas podemos implementar políticas, regras e princípios que fazem o risco diminuir consideravelmente.”

E este mês, poucos dias depois de o YouTube ter anunciado novas medidas que visavam limitar a disseminação de conteúdo sexualizado ou violento, o risco voltou a manifestar-se. Num blogpost a plataforma prometia bloquear comentários inapropriados em vídeos com crianças e retirar anúncios que têm famílias como público alvo de material considerado ofensivo.

A investigação levada a cabo pela BBC e pelo The Times revelou que vídeos publicados por crianças no YouTube tinham atraído a atenção de adultos que faziam comentários obscenos e faziam pedidos sexualmente explícitos.

A investigação arrancou depois de voluntários da programa Trusted Flagger, do YouTube, terem alertado a plataforma de potenciais violações das suas diretrizes. À BBC voluntários desse programa admitiram a possibilidade de existirem até 100 mil contas de predadores, que se mantinham ativas porque o sistema criado para fazer a denúncia não estava a funcionar em condições.

As marcas voltaram a reagir com a retirada das suas campanhas da plataforma. Mars, Lidl, Deutsche Bank e Cadbury já retiraram as suas campanhas da plataforma de partilha de vídeo. HP, Diageo, Now TV (detida pela Sky) terão já feito o mesmo, segundo o The Guardian.

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