Google e Facebook travam lucro de sites com notícias falsas

Novas regras surgem na sequência da proliferação de histórias falsas nas redes sociais durante a campanha para as eleições norte-americanas.

A Google e o Facebook preparam-se para cortar os seus anúncios - a forma de rendimento mais comum de blogs e sites - sempre que detetarem notícias falsas numa das plataformas onde anunciam. A nova política que pode significar um rude golpe nos lucros desse tipo de sites foi anunciada na sequência da proliferação de histórias falsas sobre os candidatos às presidenciais norte-americanas no período eleitoral.

A Google anunciou, ontem, que irá retirar o Adsense (ferramenta através da qual são mostrados os anúncios) dos sites que possuam "conteúdo não verificado", ao passo que o Facebook recordou que já possui regras que impedem a integração ou visualização de anúncios em sites ou apps ilegais, falsos ou suspeitos.

"Vamos restringir a publicação de anúncios em páginas que representam de informação de forma errada, não verificada ou omissa sobre quem publica, sobre o que é publicado ou sobre o principal objetivo do site", disse Andrea Faville, porta-voz da Google, em comunicado. A mesma fonte adiantou que a Google já estava a trabalhar na tecnologia que possibilita a análise dos sites antes das eleições norte-americanas da semana passada, contudo a impossibilidade de a mesma tecnologia banir os próprios sites de surgirem nas pesquisas ainda foi criticada quando, no dia dos resultados, a pesquisa mais comum quanto aos resultados eleitorais direcionava os utilizadores para um blog que citava informação não verificada. A empresa assumiu o problema e, diz Faville, "continua a trabalhar para melhorar os seus algoritmos".

Quanto ao Facebook, Mark Zuckerberg garantiu, ontem, que "mais de 99%" do que as pessoas encontram na rede social é autêntico. "Acma de tudo, é altamente improvável que histórias falsas tenham alterado o resultado destas eleições, seja numa direção, seja noutra", comentou, respondendo às críticas que colocaram a rede social no topo das que mais falsas histórias veicularam antes das eleições.

Em última análise, as regras do Google que podem retirar o Adsense aos editores de sites podem de facto ajudar a limitar o número de publicações que procuram faturar graças a notícias falsas, ainda que não as elimine dos resultados das pesquisas, mas resta saber se serão capazes de fazê-lo sem colocar em causa o rendimento de sites sem problemas devido a erros de algoritmo.

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