Google patina no terceiro trimestre com queda de 23% nos lucros

Pesquisas no telemóvel, YouTube e Nuvem impulsionaram as receitas, mas uma subida excepcional dos custos tramou a Google

É raro ver a Alphabet, casa-mãe da Google, a trocar as voltas aos investidores com um trimestre fraco. O que aconteceu nesta apresentação de resultados, referentes ao período entre 30 de junho e 30 de setembro, foi uma patinagem que levou as ações a caírem mais de 2% porque desapontaram o mercado. A empresa reportou uma quebra de 23% nos lucros do terceiro trimestre, falhando as expectativas dos investidores devido a uma subida considerável dos custos.

As despesas consolidadas deram um salto de 14,2 para 17,5 mil milhões de dólares, o que a diretora financeira da Alphabet, Ruth Porat, disse na conferência com analistas dever-se sobretudo aos custos com centros de dados e outras operações, aquisição de conteúdos para o YouTube e marketing. Os custos com hardware, em especial os smartphones Pixel, também foram sublinhados.

A diretora explicou ainda que o crescimento do número de empregados foi “extraordinariamente alto”, o que contribuiu para o aumento dos custos. A empresa está a expandir-se em Silicon Valley, com uma segunda sede em São José a adicionar ao Googleplex em Mountain View.

As receitas globais até ficaram acima das previsões, atingindo os 40,5 mil milhões de dólares (36,5 mil milhões de euros) num incremento de 20% face ao homólogo. No entanto, esta subida dos custos deprimiu a capacidade da Alphabet de aumentar os lucros, que desceram de 9,1 para 7,068 mil milhões de dólares (6,3 mil milhões de euros).

Durante a conferência com analistas que se seguiu à divulgação dos resultados, o CEO Sundar Pichai disse que o trimestre foi “bom”, com as receitas impulsionadas por um “forte crescimento” das buscas através de dispositivos móveis, o YouTube e o negócio na nuvem.

“Estamos entusiasmados com as novas funcionalidades lançadas no Google Mapas”, disse Pichai, mencionando também que o negócio de hardware, apesar de “estar na fase inicial”, tem um novo alinhamento Made by Google com potencial. O CEO referiu especificamente os smartphones Pixel 4 e Pixel 4XL, o Pixelbook, Nest Mini Speaker e Nest Wi-Fi. “Sentimo-nos encorajados pelas críticas positivas aos produtos”, garantiu.

O responsável também afirmou que a Google conseguiu dois grandes avanços nas últimas semanas: primeiro, o investimento em inteligência artificial permitiu “uma melhoria dramática” na capacidade de compreensão das perguntas feitas pelos utilizadores no motor de busca. “É o maior avanço nas pesquisas dos últimos cinco anos”, disse o CEO, citando a nova técnica de redes neurais que a empresa desenvolveu, BERT.

Depois, o marco atingido na computação quântica, com o teste feito pelo Sycamore a conseguir em 200 segundos o que computadores normais levariam 10 mil anos a conseguir.

Esta é uma das várias frentes de investimento que a Google tem em simultâneo, e nem todas com perspetiva de monetização no curto prazo. Essa questão, que não é nova, foi colocada por vários analistas. Pichai disse que a empresa está empenhada em conquistar “os próximos mil milhões de utilizadores” e que há muitas oportunidades de comercialização nas várias plataformas da Google. As redes neurais, por exemplo, ao aumentarem a qualidade das pesquisas aumentam o envolvimento dos utilizadores, e isso traduz-se em mais oportunidades de monetização.

Ruth Porat referiu ainda algo que um dos analistas considerou interessante: o desktop continua a ser um contribuinte sólido do crescimento das pesquisas nos motores de busca. Tal deve-se, disse a diretora financeira, ao facto de os utilizadores continuarem a preferir este formato para efetuarem tarefas complexas, como o planeamento de férias e a seleção de uma seguradora automóvel. “Uma das coisas em que nos temos focado é inovação que além de melhorar a busca no móvel também melhora a experiência no desktop”, disse a CFO.

A Google foi responsável pela quase totalidade das receitas, 40,3 mil milhões, enquanto o segmento “Outras apostas” aprofundou os prejuízos de 727 para 941 milhões de dólares.

Duas horas depois da apresentação de resultados, as ações da Alphabet estavam a cair 1,7% (21,91 dólares) nas trocas fora de horas.

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