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Guerra Pedras Sabores. Sumol acusa Super Bock de publicidade “falsa e enganosa”

Pedras Sabores

Em causa está a referência a Ingredientes 100% Naturais da Pedras Sabores. Auto-Regulação Publicitária decidiu pela retirada. Super Bock já recorreu

A Sumol acusou a Super Bock de publicidade “falsa e enganosa” na campanha para a Pedra Sabores em que o grupo cervejeiro promove a gama de produtos como tendo “ingredientes 100 % naturais”. O organismo de Auto-Regulação Publicitária (ARP) determinou a retirada dessa referência da comunicação da Pedras Sabores em todos os suportes, inclusive rótulos da bebida. O Super Bock Group recorreu da decisão.

O júri de ética da ARP considerou que a campanha para a Pedras Sabores, com o claim “ingredientes 100% naturais”, ofende o código de conduta do organismo, bem como o regulamento do Parlamento e do Conselho Europeu (Regulamento n.º 1169/2001) relativo à prestação de informação aos consumidores sobre géneros alimentícios, tendo determinado que “devem cessar de imediato as menções publicitárias inscritas nas embalagens dos produtos e nos demais suportes, não devendo ser repostas, total ou parcialmente, seja em que suporte for”.

“A referida deliberação não é definitiva, uma vez que, da mesma, foi apresentado o competente recurso”, reage fonte oficial do Super Bock Group quando contactada pelo Dinheiro Vivo. “O Super Bock Group rege-se pela aplicação das boas práticas na comunicação comercial das suas marcas, com respeito pelas normas e princípios ético-publicitários. A Pedras Sabores é a única à base de água mineral 100% natural, gasocarbónica, com sabores, produzida no mercado nacional, com ingredientes naturais, sem corantes nem conservantes. Pedras Sabores reforça as credenciais de naturalidade da marca-mãe, Água das Pedras, e ao adicionar-se sumo de frutos à água com gás 100% natural, intensifica-se o sabor a fruta, proporcionando ainda mais frescura”, refere ainda a mesma fonte.

O que acusa a Sumol?

A decisão do ARP foi tomada após uma queixa da Sumol relativamente à comunicação comercial difundida em vários media, bem como nos rótulos das embalagens e materiais em ponto de venda, da Pedras Sabores, nas variedades limão, frutos vermelhos e maçã. A campanha lançada em abril, com novos sabores e assinalando uma nova imagem da gama, teve como banda sonora um tema inédito dos portugueses Moulinex e Da Chick, criatividade da BBDO e produção do filme da Quioto.

“Toda a comunicação deste produto pretende transmitir que o mesmo contém “água mineral natural com gás e ingredientes 100% naturais”, acusa a Sumol. O grupo Super Bock “publicita o produto como sendo “água mineral natural com gás e ingredientes 100% naturais” quando, na realidade, a bebida contém frutose e ácido cítrico, que não são ingredientes naturais”. O que, no entender da Sumol, é enganador já que “o produto em causa não é feito com ingredientes 100% naturais” e, como tal, “a utilização da palavra natural associada aos ingredientes presentes na fórmula da Águas das Pedras Sabores, nomeadamente frutose e ácido cítrico, é errada e enganosa”.

A empresa de refrigerantes vai mais longe e acusa a publicidade de ser “falsa e enganosa, tendo sido elaborada de modo a, voluntariamente, induzir o consumidor em erro a respeito das características essenciais do produto. Pretendendo dar deste uma falsa ideia de naturalidade.”

A queixa da Sumol incidiu ainda sobre os rótulos das Pedras Sabores onde a informação de ingredientes 100% naturais é também visível, levando o “consumidor médio a crer que está a adquirir uma bebida natural, o que está longe da verdade”. Por isso, “tendo esta bebida ingredientes não naturais, a utilização da denominação “Ingredientes 100% Naturais” é manifestamente abusiva” e que, “a utilização do claim “Ingredientes 100% Naturais” contradiz a informação rotular prestada ao consumidor em caracteres necessariamente reduzidos, incorrendo, assim, numa prática de publicidade enganosa”, argumenta a Sumol.

O que diz o Super Bock Group?

O Super Bock Group rejeita a acusação de que a comunicação comercial da Pedras Sabores seja publicidade enganosa e que tenha sido feito com o intuito de induzir o consumidor em erro. “A publicidade aos produtos em causa não é falsa nem enganosa e ainda menos foi feita com o intuito de voluntariamente induzir o consumidor em erro. Não sendo de todo falsa a ideia transmitida sobre a naturalidade do produto”, diz a Super Bock considerando que as “águas das Pedras nos seus vários sabores, são, de facto, constituídas à base de água mineral natural com gás e com ingredientes 100% naturais (…) e que “essas bebidas são feitas com ingredientes 100% naturais.”

O grupo cervejeiro defende ainda a naturalidade da bebida sublinhando que “o produto é feito com ingredientes 100% naturais”, embora “a alegação (…) não prescreve que a totalidade dos ingredientes são 100% naturais, mas que aquelas águas contêm ingredientes 100% naturais.” E acrescenta, “até são todos (…) embora não seja isso o alegado na publicidade”.

Na alegação apresentada à ARP, o Super Bock Group detalha os ingredientes que compõem a bebida, defendendo a sua “naturalidade”. “São produtos (ácido cítrico e a frutose) obtidos da natureza ou constituídos por ingredientes produzidos pela natureza, isentos de produtos químicos ou ingredientes que contenham produtos químicos tais como aditivos e aromatizantes resultantes de processos químicos”, dizem. “Nem a frutose nem o ácido cítrico nascem de processos químicos.”

O grupo dono da Pedras Sabores alega ainda pela inexistência de “qualquer definição na legislação nacional ou europeia sobre a terminologia ‘Natural’ e chama a atenção para “as linhas orientadoras sobre a utilização do termo natural definidas pela DGFCQA em 2005”, sublinhando que “resulta do mesmo parecer que o termo ‘natural’ pode ser substituído por ‘ingredientes naturais'”, pode ler-se na deliberação da ARP.

O que decidiu o ARP?

Argumentos que não colheram junto do ARP. Apesar de o organismo auto-regulador ter considerado que não houve má fé, o Super Bock Group “não logrou fazer prova que todos os ingredientes são 100% naturais” e fez uma má interpretação sobre a diretiva de 2005, já que as referidas linhas orientadoras “muito claramente esclarecem que ‘sempre que um género alimentício tenha sido submetido a, pelo menos, um dos tratamentos enunciados, o mesmo pode conter na rotulagem a menção “natural” associada à indicação do(s) tratamento(s) utilizados'” e, por maioria de razão, à menção “ingredientes naturais”, considera ARP.

“Considera este Júri de Ética que existe uma enorme probabilidade do consumidor médio considerar que todos os ingredientes são 100% naturais – na aceção de proveniente diretamente da natureza sem qualquer intervenção humana ou química- sendo, consequentemente, induzido em erro quanto às características essenciais do produto, nas suas diferentes variantes de sabores, sendo por isso publicidade enganosa”, tendo determinado que pela retirada da comunicação em todos os suportes.

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