Happy Conference. Pensar em novas caixas é “o novo normal”

A criatividade é a fagulha para dar a volta aos negócios em tempos de pandemia, defende Alan Iny, da Boston Consulting.

Alan Iny gosta de pensar em cenários. Mesmo aqueles que à partida poderiam parecer altamente improváveis, como um mundo em que apenas 10% das ligações aéreas no planeta se mantêm no ar. A covid-19 fez que o cenário traçado pelo partner e diretor associado para a Criatividade & Cenários no Boston Consulting Group, cinco semanas antes da pandemia de coronavírus, mudasse de estatuto de “altamente improvável” para “novo normal”.

Criatividade e a capacidade das empresas de pensar em soluções para lá da resposta imediata à espuma dos dias é o que o coautor de Thinking in New Boxes: A New Paradigm for Business Creativity vem defender na Happy Conference, que vai acontecer a 30 de junho, no espaço virtual. O “novo normal” para o setor de eventos enquanto não podemos voltar a juntar-nos.

Alan Iny não é particularmente fã desta expressão que se tornou justificação para todos os ajustes que fomos obrigados a fazer. “Percebo que as pessoas usem a frase ‘novo normal’, mas para mim não funciona, não penso que o será, será sim uma nova realidade”, diz. O que vai ser esta nova realidade? “Os líderes das empresas ainda não têm uma resposta muito clara. Dizem que devemos ter mais teletrabalho, mas que mais? Não sabem.” Em momentos de incerteza, pensar em cenários ajuda a afastar o nevoeiro e a tornar mais segura a navegação. “Não pensar só uma realidade, ter quatro ou cinco cenários de novas realidades ajuda as empresas. Se aceitarem que qualquer uma delas pode acontecer, prepararam-se melhor, têm planos de contingência e são mais resilientes, independentemente do futuro.”

E para isso, a criatividade é “essencial”, diz. “Já o era há seis meses e agora ainda é mais”. Ser criativo, ter ideias inovadoras, não é apenas pensar fora da caixa. O especialista da Boston Consulting prefere falar em novas caixas, analisar o que damos como garantido sobre o que sabemos do negócio, dos clientes, sobre a forma como trabalhamos, e fazer diferente. “A criatividade significa desafiar algumas destas caixas para encontrar novas caixas, assunções, forma de olhar as coisas.” E não ter receio de inovar. Os resultados acabarão por surgir.

“As empresas que investem mais em pesquisa e desenvolvimento, em inovação, acabam por ter retorno adicional para os acionistas”, acredita. “Na última crise, as empresas que foram melhores em inovação tiveram um aumento de 4% desse retorno relativamente às que não o fizeram”, diz. “Mas para além disto, este é o momento em que as nossas ‘caixas’ fundamentais estão a ser desafiadas. Se uma empresa tem vindo a fazer há 30, 50, 100 anos as coisas de determinada maneira, isso está a mudar quer queiram quer não.”

Há que procurar, sobretudo, novas soluções e não cristalizar na velha forma de trabalhar. Alan Iny vê sinais dessa vontade em gigantes como a PepsiCo. “Nos EUA a Pepsi começou alguns serviços de entregas em casa para vender diretamente aos consumidores com grande impacto nos lucros”, exemplifica. É apenas um exemplo de algo criativo que não teria acontecido há uns meses. A ideia de chegar a um portefólio de ideias, ver quais são as que podem movimentar a agulha, a longo prazo, mas também agora, pode trazer desde já uma grande mudança.

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