José Filipe Gomes. Menos manipulações, mais união mais gargalhadas

José Filipe Gomes, diretor criativo associado da Innocean Berlim, revela os seus desejos para 2021.

2020 deixou-nos, mas o arranque da 'segunda temporada' parece estar a ultrapassar todas as estimativas.

Ainda assim há que manter algum otimismo. Mais gargalhadas, menos manipulação e 'fake cenas' e, sobretudo, mais união. Estes são alguns dos desejos de José Filipe Gomes, diretor criativo associado da Innocean Berlim.

Veja e leia aqui os desejos do Criativo no Mundo:

"Quando o Dinheiro Vivo me convidou para fazer uma espécie de previsão para 2021 através de cinco anúncios, decidi levar isto a sério e fui investigar o que os especialistas previram para o ano que acabou de terminar.

Isto foi o que encontrei (vejam só os primeiros 8 segundos que a piada já fica feita):

Como sou pouco dado a fazer figura de parvo publicamente, não-só-mas-também porque este texto vai ficar para sempre disponível algures na internet, decidi substituir as previsões por desejos. É provável que nenhum deles se torne realidade, mas pelo menos evito passar vergonha e enveredar pela Astrologia (passo a redundância).

Agora que arrumei as cartas de Tarot e pus a fita de Miss Universo, aqui vão os meus desejos para o mundo neste ano que já começou tão esquisito.

1° Desejo: mais verdade

Gostava que 2021 tivesse menos teorias da conspiração, menos fake news, menos "não sei quem pela verdade", menos mentiras descaradas (adeuzinho Donald!) e menos manipulações. Menos disto tudo e mais disto: verdade. E, se não for pedir muito, mais campanhas como esta da Droga 5 Nova Iorque para o New York Times.

Anúncio: The Truth Is Worth It

Anunciante: New York Times

Agência: Droga5


2º Desejo: Mais Sustentabilidade

Para lá da pandemia, precisamos todos de continuar a viver neste planeta. Por isso também precisamos que 2021 traga consigo uma mudança definitiva na forma como encaramos o nosso futuro enquanto espécie e, sobretudo, o futuro do planeta a que chamamos casa. Estamos numa corrida contra o tempo e, especialmente, contra nós próprios.
Comecemos por ver esta maravilhosa ideia (com o dedo português do Dalatando Almeida) e continuemos, por exemplo, reduzindo a utilização de plásticos, especialmente aqueles de utilização única e/ou não-recicláveis.
Se ficarem inspirados, podem continuar aqui.

Já agora, Parabéns! Porque provavelmente já estão a fazer algumas destas coisas. Também podem agradecer ao menino Covid-19 pelo bónus do número 26 da lista. Que remédio.

Anúncio: Trash Isle

Anunciante: LAD Bible

Agência: AMV BBDO

3º Desejo: Mais Amor Próprio

Uma das consequências mais preocupantes da pandemia, do lockdown e de passar o dia sem tirar o pijama pelo 26° dia consecutivo é, obviamente, o efeito que isso pode ter na saúde mental de cada um.

Entre as calls infinitas no Zoom, Teams e Google Meet, as crianças aos berros com a escola fechada, os almoços em frente ao computador, não saber se é dia 302 de março de 2020 ou 7 de Janeiro de 2021, e um longo etc., o momento alto do dia acaba por ser aperaltarmo-nos para ir ao supermercado ou passear o cão (leia-se vestir umas calças de fato treino e um casaco que tape a camisola cheia de nódoas). Por isso, o meu terceiro desejo é que cada um de nós faça um esforço por literalmente não dar em doido e que nos preocupemos um bocadinho mais com o nosso bem-estar.

Nada melhor para ilustrar esse egoísmo saudável do que o clássico "Sorry, I spent it on myself" do Harvey Nichols. Não sejam consumistas e desatem a comprar roupas que, com sorte, só vão usar no Verão de 2022. Mas meditem, façam exercício, yoga, ou simplesmente parem para respirar.


Há quem continue a vestir-se como se fosse para o trabalho, de forma a manter uma rotina e a separar a vida pessoal e a profissional. Mas tenho quase a certeza que só fazem isso porque nunca experimentaram meditar de pijama.

Anúncio: Sorry I Spent It On Myself

Anunciante: Harvey Nichols

Agência:Adam&EveDDB

4º Desejo: Mais Humor

A pandemia não dá vontade de rir a ninguém, o Benfica dá vontade de chorar e ainda temos de ver André Ventura ter tempo de antena nos meios de comunicação.

Para além disso, pelo menos aqui em Berlim, não há um raio de sol há duas semanas. E convenhamos, os alemães não são famosos pelo seu sentido de humor. Por isso, desejo com muita intensidade que 2021 traga muitas gargalhadas. Na publicidade também, que tem andado muito séria nos últimos anos. Valham-nos as exceções como "Voz de Lidl" ou os filmes de Licor Beirão (parabéns ao Escritório!) Trouxe um anúncio de 2009, que me fez chorar a rir das primeiras 10 vezes que o vi.

Depois de o ter visto 293.538 vezes, ainda soltei uma gargalhada. Riam-se, macambúzios.

Anúncio: Scooter

Anunciante: Canadian Film Center - Worldwide Short Film Festival

Agência: Doug Agency

5º Desejo: Mais União

O leitor mais atento dirá que me estou a contradizer porque ainda há dois desejos atrás pedi mais amor próprio. Talvez esteja, mas os desejos são meus e portanto desejo aquilo que me apetecer. E apetece-me desejar mais união, porque vejo um mundo polarizado, dividido entre "a favor" e "contra", onde não há espaço para debater ideias, para nos respeitarmos uns aos outros, nem para nos colocarmos no ponto de vista alheio.


E também me apetece desejar mais união porque acredito que assim será mais fácil sairmos da pandemia, da crise que aí vem e de futuras pandemias e crises, como a crise climática que nos vai afetar a todos no futuro. E não consigo lembrar-me de nenhum anúncio que fale de união de forma mais eloquente do que esta obra-prima da Wieden+Kennedy para a Nike.

Anúncio: You Can't Stop Us

Anunciante: Nike

Agência: Wieden+Kennedy Portland

Anunciante: Nike

O 6° e último desejo (sem anúncio) é que, apesar de tudo, este possa ser um bom ano. Ou, sem querer exagerar, que seja melhor do que 2020. E já agora, se não for pedir muito, fiquem em casa. A gerência agradece.

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