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L’Agence. Três décadas depois os modelos são agora atores e influencers

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Os modelos já não são o que eram, nem a L’Agence, que tem adicionado serviços, como área digital e influencers. Digital já é um décimo da faturação

“Vamos amarrar o cabelo. Agora vira-te de lado. Costas. Frente. Não te esqueças da ficha. Podes ir ao júri”, instrui o fotógrafo sem pausas. Havia de repetir o mesmo processo com cada um dos 150 candidatos a futuros modelos no casting do concurso L’Agence Go Top Model.

Carolina (15 anos), que desde menina sonha em desfilar, e Gonçalo (16), o velocista à procura de uma alternativa de futuro após uma carreira no desporto, foram dois dos participantes. Desfilaram frente a Maria Clara, vencedora do concurso em 2013. “Deu um pulo à minha carreira, mas há aqui muito esforço, criar um estilo de vida, deixas de ter tempo para estar com a família, com os amigos, raramente estou em Portugal”, descreve. É uma “vida imprevisível, ao minuto”. E com o passaporte sempre atualizado. No dia do casting tinha acabado de chegar de Marrocos. E está num constante vaivém entre capitais de moda, como Londres, Paris ou Milão. “É importante perceber que este é um mundo de desafios constantes em que vamos ser postos à prova.”

 

Casting L'Agence 3

Luís Graça (Head Booker do dept. de Models), Elsa Gersávio (diretora L’Agence), Maria Clara (modelo e vencedora do concurso em 2013) e Raquel Sampaio (modelo/atriz e finalista do concurso em 2014) Fotografia: João Pedro para L’Agence

A carreira de Maria Clara, hoje modelo em desfiles da Dolce & Gabana ou Armani, confunde-se com a da L’Agence. Aos 4 anos juntou-se ao departamento comercial, aos 16 começou como modelo de moda internacional. “Manter o concurso vivo é também a forma de a agência ter vitalidade, que é a capacidade de todos os anos introduzir caras novas”, diz Elsa Gervásio, que há dois anos assumiu com Nuno Beijoca (diretor financeiro) a liderança da L’Agence. “Há pessoas que apareceram fora dos requisitos para o casting, mas podem ter uma cara extremamente comercial, serem fotogénicas e serem absorvidas pelo departamento comercial. Acabamos por fazer um trabalho que é transversal.”

Foi a encontrar a cara certa para campanhas de publicidade que a L’Agence começou há 30 anos. Depois quis ser um grupo, juntou comunicação, casting de voz, abriu operação no Brasil… Há dois anos foi um regressar às origens. “A operação no Brasil foi encerrada, tal como foram encerrados ou cedidos os negócios aos outros sócios”, lembra Nuno Beijoca. “Temos uma estrutura mais simplificada em que os sócios da agência são quem a dirige. A nossa filosofia é outra: focarmo-nos no agenciamento”, frisa. “É voltar ao início do que foi a L’Agence”, diz Elsa Gervásio.

Abrir uma filial no exterior não está nos planos. “Não faz sentido. Trabalhamos com parcerias na moda a nível mundial. Temos a possibilidade de dar a conhecer os nossos modelos no mercado internacional. É o que se passa com a Maria Clara ou a Maria Miguel, que estão numa rede global, a Next”, diz. Hoje a agência tem um “departamento de moda, um dos mais fortes do mercado, e em simultâneo um de atores e apresentadores”, a área que mais contribui para as receitas. Cláudia Vieira, Diogo Amaral ou apresentadores como Filomena Cautela ou Ricardo Pereira são L’Agence.

Fotografia: João Pedro para L’Agence

Fotografia: João Pedro para L’Agence

E não esquecer o digital. “Tivemos de nos adaptar a toda esta realidade do digital e dos influenciadores”, lembra Elsa Gervásio. “Fomos abordados por várias agências digitais novas que queriam uma parceria connosco e propor os nossos agenciados para tudo o que eram trabalhos no digital e serem eles fazer a gestão dos blogues.”

“Por uma questão estratégica resolvemos fazer internamente. As pessoas que trabalham essa área criam uma relação muito pessoal com os agenciados, não íamos dar a alguém de fora essa oportunidade de criar relação, pois isso podia virar-se contra nós. Fomos buscar uma equipa jovem e dinâmica e tem corrido bem.” No digital, “abrimos área com influenciadores e com o número de seguidores que cada agenciado tem”. O agenciado entra nessa área a partir de um patamar mínimo de dez mil seguidores e “são trabalhados a partir daí. Temos reuniões com marcas, procuramos de forma ativa vender o trabalho dessas pessoas”. Nomes como Raquel Strada ou Jessica Athayde. É uma área complementar. “São atores que, para terem força no digital, têm de ter projetos, trabalhar em TV, fazer cinema. A nossa base é o agenciamento e tudo o mais é um complemento”, frisa Elsa Gervásio.

O digital hoje vale 10% das receitas da agência que fechou o ano passado a faturar cerca de 3 milhões de euros (+10%). “As estimativas para este ano é aumentar a faturação de 10% para 15%”, diz Nuno Beijoca. “Neste momento, estamos em linha com as nossas expectativas a crescer 12%.”

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