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Lego. Há um português a criar blocos mágicos no reino da Dinamarca

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As crianças vão poder criar um set para a Lego Friends. E de ter um miniboneco à sua imagem. O português Ricardo Silva, está envolvido no concurso

Há muitos, muitos anos, em Estarreja, distrito de Aveiro, um menino recebeu um brinquedo especial. Uma casa amarela, com telhado vermelho, duas figuras e um barbecue. Podia ser uma casinha portuguesa, mas era made in Dinamarca. Para Ricardo Silva foi paixão à primeira vista – ainda hoje tem o set da Lego lá por casa -, mas na época o menino de 6 anos estava longe de imaginar que hoje estaria a trabalhar na marca de brinquedos, em Billund, Dinamarca, como senior designer da Lego Friends. É um trabalho de sonho. “É muito engraçado ver a expressão das crianças quando dizemos que trabalhamos na Lego, assim que o fazemos começam a pedir para fazer um conjunto novo com as coisas que eles mais gostam: ‘Podes fazer o meu cão em Lego? E a minha casa?’”, conta o designer.

Agora a Lego está a dar a oportunidade a crianças (6-12 anos) de todo o mundo de criar um novo local de diversão na cidade de Heartlake para as cinco amigas do set Lego Friends. “É a primeira vez que vamos envolver crianças no processo de desenvolvimento de um produto. O vencedor do concurso terá a possibilidade de vir à nossa sede em Billund, ajudar-nos a finalizar o seu design e ainda a possibilidade de se imortalizar através de uma figura que irá acompanhar o produto final”, descreve Ricardo Silva. Além de viajar com a família (quatro pessoas), o vencedor vai mergulhar no mundo Lego: fica no hotel Legoland, vai visitar o parque de diversões, o museu e a fábrica. As candidaturas terminam a 2 de março. Já há 12 mil participações.

De professor a designer

Por pouco o chamamento da Lego não passou ao lado de Ricardo Silva. Durante dez anos deu aulas de Português-Inglês. “Fui lecionando em muitas e diversas escolas, mas nunca me senti realizado, pois o sonho de ficar no quadro foi-se tornando cada vez mais difícil a cada ano que passava”, lembra. Mas o primeiro amor estava só à espera de uma oportunidade. Casou e pediu à mulher se podia trazer a coleção de Lego para a nova casa. E a Lego teve na mulher o seu maior aliado. Não só o incentivou a comprar novos Lego como a se inscrever numa comunidade portuguesa de fãs adultos da marca dinamarquesa: a Lego 0939. Com esta comunidade, Ricardo Silva foi aperfeiçoando as suas construções com os blocos coloridos. Em abril de 2010 visitou a Lego, em Billund. “Percebi que nem todos os que trabalhavam para a Lego eram formados em design. Afinal, a Lego também contratava pessoas que construíam como eu e isto foi decisivo para me deixar com esperança de que um dia eu me poderia tornar um”, conta. “A porta da Lego estava definitivamente aberta a quem demonstrasse talento.”

A oportunidade surgiu em 2012. Foi um mês no processo de recrutamento. “Estava de férias no Algarve com a minha esposa e um casal amigo e recebi uma chamada telefónica de um número estranho. Percebi logo que era da Dinamarca”, recorda. E o telefone tocou com boas novas. “Só mais tarde quando estava na cama é que me deu um ‘friozinho na barriga’ pois estava prestes a mudar a minha vida do avesso”, acrescenta.

Começou a trabalhar em setembro de 2012, a mulher juntou-se no ano seguinte com os dois gatos. A mudança foi pacífica. Tirando aqueles pequenos choques culturais. “No início tentávamos cumprimentar as pessoas com dois beijos e víamos claramente que não estavam preparados. O comum é dar um abraço, mas não um abraço à portuguesa a ‘quebrar ossos’, tem de ser um abraço muito leve quase sem contacto.” E de Portugal do que sente falta? “A minha família, os meus amigos, o clima e a comida”, diz sem hesitações.

Trabalhar na Lego é como estar na fábrica de chocolates do Willy Wonka, com uma diferença: “esta produz coloridos blocos da Lego”, diz humorado. Mas, Ricardo Silva passa os seus dias no departamento de design. Neste momento, está a trabalhar nos próximos conjuntos para 2018 e ainda no concurso de construção da Lego Friends. Ainda se lembra quando viu o seu primeiro set Lego nas lojas: o 41035 – O Bar de Sumos da Heartlake. “Sinceramente não estava preparado. Não parecia real! Passei a minha vida a construir um Lego e agora tinha ali uma caixa à minha frente que tinha sido eu a criar. Demorou um pouco até me habituar à ideia”, admite.

E qual é o segredo da magia Lego? “O facto de se poder usar peças Lego com mais de 50 anos juntamente com as que produzimos atualmente é simplesmente fabuloso”, diz. “A partir do momento em que se dá a uma criança um conjunto Lego, abre-se um mundo de possibilidades. Com as mesmas peças, pode construir hoje um café, amanhã um carro, no dia seguinte uma nave espacial. Nada a pode parar de criar.”

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