Manuel Lima: "Emojis são como voltar aos carateres antigos"

Açoriano liderou a equipa de visualização de dados da Google, e hoje toma conta do design de uma startup que tenta descodificar cadeia de fornecimento mundial.

Se dependesse de Manuel Lima, este texto seria um mapa ou uma rede com várias camadas: quanto maior a curiosidade do leitor, mais informação ficaria disponível. O DV entrevistou o especialista em visualização de dados sobre 15 anos de carreira, o próximo livro e a forma como consumimos informação, mais boneco menos boneco.

Antes de falar de emojis, o açoriano de São Miguel abriu o livro sobre a mudança de trabalho, já neste ano. "Até há dois meses estava na Google, a liderar a equipa de 400 pessoas da área de visualização de dados", recorda o especialista, que esteve mais de cinco anos na equipa do Google Cloud. Atualmente, o português é o líder da equipa de design e visualização de dados da Interos. A startup norte-americana está a tentar mapear as ligações entre empresas a nível mundial.

"A Interos tenta criar uma camada de transparência num sistema um pouco opaco para as próprias empresas e os consumidores. Também mostra como fenómenos distantes podem influenciar a cadeia de valor." Formado em design industrial na Faculdade de Arquitetura de Lisboa,

Manuel Lima tirou o mestrado na escola de design de Parson, em Nova Iorque. Foi aí que percebeu que os dados "poderiam transformar-se em informação, informação em conhecimento e conhecimento em sabedoria".

Depois de mais de uma década no estrangeiro, o português passou a trabalhar a partir de Lisboa em meados do ano passado. Para Manuel, a visualização de dados "é uma espécie de idioma" e tem de ser o mais universal possível, dispensando o conhecimento dos alfabetos. É aqui que entram os emojis, que podem funcionar como substitutos das expressões faciais.

"Os emojis são muito interessantes porque representam um sentimento humano com apenas dois carateres. É como voltar aos carateres antigos", entende aquele que foi considerado, em 2009, uma das 50 mentes mais criativas do mundo pela revista Creativity. "Isto diz muito da psicologia humana: um sinal muito simples e abstrato consegue transmitir algum tipo de emoção", completa.

É pela sua universalidade que Manuel não vê os emojis como preocupantes e considera que "tentar travar as novas linguagens é um erro".

Com três livros publicados, o especialista vai lançar a quarta obra no próximo ano. Orientar os jovens designers e falar sobre a responsabilidade da profissão serão os objetivos. "O designer, antigamente, era uma figura, um artista. Atualmente, há quase uma fábrica de arte, com muita gente a produzir para uma pessoa. Temos de desmistificar o designer como génio criativo".

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