Nova agência i-Brothers convida marcas a serem mais phygital

Duarte Azevedo e Salvador Pinto são as forças motrizes na nova agência de marketing a chegar ao mercado. Querem ajudar as marcas a fazer a ponte entre o mundo digital e o físico.

Ligar o mundo digital das marcas ao mundo físico é a proposta da nova agência de marketing a surgir no mercado nacional: a i-Brothers.

Duarte Azevedo (sócio e diretor de planeamento estratégico) e Salvador Pinto (partner e diretor digital) querem ajudar as marcas a destacar-se junto dos consumidores, num momento, em que a "capacidade média de atenção humana caiu de 12 para 6 segundos nos últimos 10 anos e só as marcas verdadeiramente diferenciadoras valerão a pena ser ouvidas e defendidas pelo consumidor", refere Salvador Pinto. "Apostamos numa expertise 360º, porque é este o mundo em que vivemos atualmente - um mundo phygital de exigência total e que não se compadece com "muros" entre os conceitos físicos e digitais", diz, por seu turno, Duarte Azevedo.

Com passagens por agências como a 9 Creative Shop, Brandia, Partners, McCann, BBDO ou GetBrand - caso de Duarte Azevedo - e, por empresas como Siemens, Barclays, Kia ou agências como Fullsix e By - caso de Salvador Pinto - os dois sócios acumulam uma experiência de quase 20 anos em áreas como marketing estratégico, publicidade, branding, design ou lead generation, assim como, no campo digital, em plataformas de e-commerce, social media ou ativação digital, entre outros.

i-Brothers propõe concretizar uma melhor ligação das marcas entre o mundo digital e o mundo real. Como se propõem fazer isso? O que trazem efetivamente de novo?

Salvador Pinto (SP): Vivemos na era da experiência e das relações cada vez mais personalizadas entre as marcas e os consumidores e hoje em dia a relação que um cliente tem com uma marca deve ser tão relevante quanto o produto que ela oferece. O consumidor quer ter a melhor experiência na sua jornada de consumo e de compra e as marcas devem estar preparadas para romper de uma vez por todas com o paradigma do "digital" vs. real" porque um e outro fazem parte da mesma viagem, não existindo hoje em dia motivos para haver barreiras entre estes dois mundos. O consumidor exige interromper a sua jornada num formato e continuá-la noutro canal completamente distinto do primeiro. O comportamento do consumidor fazia-nos querer que o retalho migrasse para plataformas de ecommerce ("from bricks to clicks") mas temos vindo a assistir precisamente o oposto ("from bricks to clicks"), o exemplo mais conhecido é o da Amazon que nasceu 100% em ambiente digital e inaugurou a sua primeira loja física.

A proposta de valor que a i-Brothers quer trazer para o mercado tem como premissa o conceito "Phygital" tendo o objetivo de unificar o mundo físico e digital respeitando sempre uma experiência totalmente integrada. O nome da própria agência nasceu deste conceito onde vemos estes ecossistemas como verdadeiros "irmãos".

E como se propõem fazer isso? O que é a i-Brothers em termos de estrutura criativa e funcional?

Duarte Azevedo (DA): Somos uma agência com know-how multidisciplinar nas principais áreas de marketing, trabalhando com várias agências, sejam elas criativas ou de meios. Não temos a ambição de ser uma estrutura grande e pesada, mas sim ágil e adaptável a este mercado, acima de tudo queremos ser "Brothers" das agências e das próprias marcas porque acreditamos que reunir os melhores profissionais de cada área para um determinado projeto reforçará a proposta de valor a ser apresentada a um cliente.

Em pandemia o digital acabou por ser uma ponte de ligação importante entre marcas - para começar como canal de venda - e consumidores. Como é que se combate a fadiga digital? Como é que uma marca se pode diferenciar no constante bombardeamento as que os consumidores estão sujeitos?

SP: Não nos podemos esquecer que, nos últimos 9 meses, o consumidor provavelmente passou mais tempo em casa do que nos últimos 9 anos da sua vida, e por essa razão está sedento de socializar e experienciar novos touchpoints além do digital. É fundamental que as marcas adaptem os seus canais aos interesses e comportamentos do consumidor, que são mutantes, altamente dinâmicos e cada vez mais movidos pelos seus sentimentos, agora de forma ainda mais evidente. A capacidade média de atenção humana caiu de 12 para 6 segundos nos últimos 10 anos e só as marcas verdadeiramente diferenciadoras valerão a pena ser ouvidas e defendidas pelo consumidor. A tecnologia veio acelerar o conhecimento que temos sobre o consumidor e já não basta enviar um email marketing com o nome do cliente. Se uma marca quer ser relevante na vida de um consumidor tem de ter em conta os seus interesses e comportamentos.

Muitas marcas/empresas reduziram investimentos ou repensaram estratégias de comunicação. É este o momento certo para lançar novos projetos?

DA: Nós acreditamos que esta conjuntura poderá trazer bastantes oportunidades pelo facto de "obrigar" as marcas a serem mais criativas e, como refere, e bem, repensarem as suas estratégias de comunicação. Existem muitos exemplos de negócios que atualmente têm muito sucesso e foram lançados em anos de crise como por exemplo a Uber e o Airbnb que abriram os seus negócios durante a crise financeira global de 2007-09.

Surgem num momento em que a pandemia levou, à semelhança de outros períodos de crise, ao surgimento de pequenas agências. Considera que é um movimento que terá continuidade em 2021?

SP: Sim, culturalmente somos um mercado que se tenta reinventar todos os dias e os profissionais desta área não têm medo de arriscar. Temos vindo a assistir, nos últimos tempos, concursos de marcas de grande dimensão a serem ganhos por várias agências de pequena dimensão. Cada vez faz mais sentido a colaboração entre pequenas agências que tenham equipas multidisciplinares e neste cenário o resultado é sempre positivo. Ganham as agências, porque conseguem chegar a novos clientes, e as marcas, ao receberem um trabalho final de melhor qualidade.

Digital é, por definição, sem fronteiras. Olham para o mercado externo com interesse? Quais os mercados na mira?

DA: O nosso principal objetivo é estabilizarmo-nos no mercado português. O nosso foco para já é só esse.

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