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Plástico.”Não temos capacidade de produzir em massa alternativas”

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Coca-Cola, Delta, Lidl, Centromarca debateram o desafio colocado pelo plástico à indústria, num encontro organizado pela Superbrands.

As empresas e marcas estão a ser pressionadas a reduzir o plástico nas suas operações e embalagens, mas “não temos capacidade enquanto sociedade para produzir em massa alternativas”, alerta Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca, no primeiro BrandStorming Superbrands, que decorreu no LACS, em Lisboa.

Pimentel também não coloca muita fé nas opções de compra de produto a granel, algo que, acredita, serve apenas um nicho, alertando ainda para o facto de quando as marcas comunicam opções focadas na questão da redução do plástico, de certo modo estão a “estigmatizar” outras ofertas.

O tema da redução do plástico na indústria entrou na agenda política e dos consumidores, com Bruxelas a impor metas de redução, reciclagem e reutilização deste material. Será o fim do plástico, uma solução, uma moda ou uma inevitabilidade?, questionou-se no debate organizado pela Superbrands.

“O plástico não é a causa de todos os males, apesar de ser um problema”, começa por dizer Rita Tomé Duarte, diretora de unidade de negócio da Delta. “O plástico salvou muitas vidas, salvou muitos postos de trabalho. A forma como está a ser usado tem de ser equacionado de forma honesta”, considera.

A Delta Q lançou recentemente uma cápsula que procura endereçar essas preocupações, com zero plástico. Estas cápsulas, cuja data de colocação no mercado está prevista para o segundo semestre, tem 90 dias de validade em vez dos habituais 15 meses. “O consumidor estará disposto a aceitar este trade off”, questiona a diretora de unidade de negócio da Delta.

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Das cápsulas colocadas no mercado pela Delta Q, apenas 5% são recolhidas e recicladas. “É um valor baixo, mas acima das médias do mercado”, frisa a responsável. Empresa tem pontos de recolha nas três lojas Delta Q, recolhendo também junto dos clientes que fazem compras online no ato da entrega.

Omnipresente nas embalagens – pelos seus requisitos de segurança alimentar, leveza, flexibilidade para acomodar vários tipos de produtos -, o plástico tem estado sob o foco mediático. Estudos indicam que 80% do plástico existente nos oceanos tem origem em 10 rios, localizados sobretudo no continente asiático. Mas as marcas de todo o mundo sentem essa pressão.

“O tema é claramente estratégico e está integrado no negócio”, garante Inês Mena, coordenadora de corporate social responsibility & sustainability do Lidl, lembrando estudos que apontam que, a manter-se este ritmo, em 2050 haverá mais lixo nos oceanos do que peixes. “É um problema real.”

O ano passado o Lidl assumiu o compromisso de reduzir em 20% o plástico usado nos produtos vendidos pela cadeia até 2025 e que, até lá, a totalidade das embalagens plásticas de marca própria (que são 80% dos produtos vendidos em loja) incorporem materiais recicláveis.

Desde maio que a cadeia deixou de vender sacos plásticos nas lojas a Norte, projeto que quer estender até ao final do ano aos mais de 250 supermercados em todo o país, visando com isso a sua substituição por alternativas que promovam a reutilização, como sacos de ráfia, retirando de circulação 25 milhões de sacos de plástico por ano. Acaba de lançar os Green Bags, sacos de rede reutilizáveis e 100% recicláveis, para substituir os sacos das frutas e frescos.

“Há uma noção de emergência”, reconhece Márcio Cruz, diretor de relações públicas, comunicação e sustentabilidade da Coca-Cola European Partners. “Tanto assim é que as empresas já estão a trabalhar nisso”, diz. É o caso da marca de refrigerantes. Globalmente, a empresa, que vende 1,9 mil milhões de produtos por dia, quer até 2030 recuperar todas as embalagens que produzem ou o seu equivalente. Na Europa essa meta foi antecipada para 2025.

Atualmente, há duas bebidas da extensa gama da empresa, Honest e Smart Water, já são feitas com plástico 100% reciclado. Até 2025 a Coca-Cola quer ter 50% de plástico reciclado incorporado. “Em Portugal 26% das embalagens já têm 50% de PET reciclado”, adianta Márcio Cruz. Na Europa, a média situa-se nos 30%.

Há que alterar a forma como olhamos para as garrafas PET. “Não é lixo, é um luxo”, reforça o responsável da Coca-Cola, lembrando que as embalagens representam apenas 2% do plástico utilizado no mundo. Apesar disso, “temos de ser muito mais rápidos e usar o poder da marca de forma positiva para comunicar” junto do consumidor.

“A batalha agora é na comunicação”, há que aproveitar a publicidade para passar a mensagem, defende Pedro Pimentel.

O caminho da indústria a está a ser feito, falta o consumidor, comenta Sérgio Loureiro, consultor na Bioinsight. “A inércia do sistema é enorme. Somos 7 mil milhões, 6 mil milhões não quer saber destas preocupações.”

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