"São tempos de acordar as marcas e se passar à ação. Grandes marcas estão a servir de faróis"

Mariana Galindo, António Bezerra e Maria Cordoeiro arrancam com nova agência TTouch para trazer um novo toque de "ativismo criativo" às marcas.

Numa altura em que a pandemia impõe distanciamento social, a TTouch surge no mercado para ajudar "a definir um caminho com mais sentido para as marcas".

"É o momento certo, também pela pandemia, mas sobretudo pela urgência de fazer acontecer. Porque tanto o mundo como os consumidores estão a exigir isso", assegura Mariana Galindo (ex-BAR e Partners), planning partner e sócia fundadora e da nova agência a surgir no mercado nacional, juntamente com creative partner António Bezerra (ex-BAR) e Maria Cordoeiro (social impact partner).

Com o Natal à porta, e numa época onde a solidariedade é cada vez mais necessária, arrancam com vários pacotes solidários em parceria com instituições que atuam em diferentes áreas sociais como a Ocean Alive, A Avó veio Trabalhar, Vila com Vida, Just a Change, Make a Wish, Gasporto, Não Vamos Esquecer, entre outras.

"Temos todo o tipo de clientes, tais como outras Agências, que se associaram à TTouch numa abordagem de parceria. Foi o caso da Partners , que com a visão que nos tem vindo a habituar, não viu a TTouch como um concorrente mas como um parceiro. E juntos trabalhámos no recente projeto do Meo Bandeira Verde, um símbolo de compromisso da sustentabilidade das cidades", adianta Mariana Galindo. "Já criámos uma marca de restauração, mas que espera melhores dias para abrir as portas. Estamos neste momento, a trabalhar num projeto para Angola e outro no Real Estate de luxo para Portugal", revela ainda. "Para a semana, sai a nossa 1ª campanha multimeios, para a Associação Vila Comvida. É um projeto, sem fins lucrativos- mas exemplificativo do que é a nossa prioridade este ano."

Mariana Galindo explica o que faz mover a TTouch.

Querem dar um "toque" especial para acelerar o ativismo criativo e assim melhorar a vida das pessoas planeta. Que toque novo pretende dar a TTouch à criatividade das marcas nacionais?

Um toque estratégico e criativo que tenha impacto nos resultados das marcas e em paralelo, impacto no mundo. Um Toque que tenha o poder do Toque e que agora mais do que nunca, conseguimos perceber o valor dele e sentimos a sua falta.... no fundo, um toque que nos responda diariamente, "why do I get out of bed every morning" (Porque saio da cama todas as manhãs)? O que me move? No fundo um Toque que ajuda a definir um caminho com mais sentido para as marcas.

Muitos estudos apontam que os consumidores mais do que produtos querem marcas que se preocupem, o propósito, situação que se adensou com a pandemia. De que modo sentem que podem contribuir para dar esse propósito às marcas?

Em duas dimensões: a primeira conhecendo muito bem o lado do 3º sector, das causas, mas sobretudo das reais necessidades da nossa sociedade. Muitas vezes as marcas estão afastadas da realidade das organizações sociais e, existem muitas organizações com projetos incríveis que fazem sentido para as marcas e as tornam ainda mais relevantes e que cruzam com as ODS definidos pelas Nações Unidas e que têm objetivos concretos até 2030.

Um dos nossos pilares estratégicos, é esse mesmo - termos dentro de casa a profissionalização nesse sector, uma equipa onde o seu percurso foi todo feito nessa dimensão, que está no terreno e que traz para dentro da agência necessidades e insights poderosíssimos. A segunda dimensão, é a nossa experiência em entender as marcas, saber comunicar e criar. Do cruzamento destas duas dimensões, nasce aquilo que acreditamos ser a nossa mais valia: o ativismo criativo.

Arrancam com pacotes de experiências do bem. Porque esta opção e que objetivos pretendem atingir?

Este pacotes solidários, são um bom exemplo do poder das ideias e criatividade. Na verdade o que fizemos, foi alavancar iniciativas que já existiam, juntando outras complementares de outras instituições e dar lhe uma "cara "torna-las mais atrativas e mais fáceis de entender. O movimento foi o que as telecomunicações fizeram em tempos. Tornar "produtos e serviços" complexos ou neste caso " profundos", mais simples. São os "Bundles" da Solidariedade. Acreditamos que este pacotes, tem o efeito da democratização da solidariedade. Torna-la mais acessível. Os objetivos, são dois: depois de um ano tenebroso, ajudar estas instituições já este Natal - e onde a ajuda é urgente; mostrar ao mercado, o poder das nossas ideias.

Mas não são uma agência de experiências. Com que serviços avançam no mercado?

Somos uma agência de ativismo criativo e, para isso, precisamos de pensamento, conhecimento de terreno das necessidades da sociedade e criatividade. A partir daqui, é fazer acontecer em qualquer que seja o ttouch point da marca e em qualquer dimensão: experiências, conteúdos, branding, design, packaging, ponto de venda, digital, ativações, advertising.

Arrancam num momento em que a pandemia fez as marcas repensar estratégia e muitas cortar orçamento. É o melhor ou o pior momento para lançar um novo projeto?

É o momento certo, também pela pandemia, mas sobretudo pela urgência de fazer acontecer. Porque tanto o mundo como os consumidores estão a exigir isso.

De qualquer forma antes da pandemia, a população mundial já exigia das marcas esta responsabilidade e que tomassem posições. É o que faz sentido. As marcas têm um poder de influência diário - e o mundo precisa dessa voz. Pelo que as marcas precisam assumir essa responsabilidade da melhor forma possível - mas a pensar nelas também. Já falta pouco, para a geração Z serem os maiores decisores de compra... e estudos provam que 90% só escolhem marcas com impacto na sociedade positivo e que contribuam para uma sociedade mais justa. "The time is now"- é a altura de as marcas decidirem de que lado querem ficar e que legado querem deixar à sociedade.

Têm um percurso em agências nacionais, com peso no mercado. O que sentem que podem trazer de novo num mercado que parece que, ao mesmo tempo que consolida, se atomiza em pequenas agências?

A novidade é o ativismo criativo já falado, sustentado nos nossos percursos profissionais, escolhas de vida e forma de vida. Quer a Maria quer o António Bezerra, têm esta forma de vida, desde sempre. Em casa da Maria, vive-se sustentabilidade e sente-se o impacto que pequenos Toques podem tornar o mundo melhor. Existem 5 filhos, dois cães um gato, uma horta, um espaço para a combustão, uma máquina de costura para costurar as roupas das crianças. Os cães foram ambos adotados, ninguém os queria! Um porque era feio, outro porque tinha um problema no olho... O António Bezerra, para além de um talento inato na criatividade, é um curioso por natureza e muito fiel à sua verdade. Há seis anos saiu da BAR e desenvolveu o seu percurso artístico, voltou a estudar arte, escultura/instalação, novos medias, fazer uma cerveja artesanal biológica, e levar uma vida com mais sentido que fosse ao encontro do propósito de vida dele. Lembro-me na BAR, desde o meu primeiro projeto com ele, em 2011, passar-lhe briefings muito funcional de produto e ele retornar sempre com ideias que respondiam aos desafios colocados mas com um layer de impacto social. É de lá.

Sobro eu, onde sempre existiu uma consciência, mas que só nos últimos 10 anos começou a fazer-me mais sentido. O ano passado, quando vi a minha filha de 15 anos (Geração Z), largar todo o conforto da família e a magia da sua adolescência, para ir viver para a Bósnia, estar imersa numa sociedade ferida pela guerra e tentar fazer a diferença, achei que era o meu momento. E pensei, se é publicidade que eu sei fazer melhor - é com isto que vou mudar o mundo. Ela foi a minha inspiração final.

Depois foi fácil. Juntar a minha vontade, o ADN da Maria e do António Bezerra, o meu conhecimento adquirido em mais de 25 anos de trabalho, onde cresci com os gurus do marketing (P&G) e dos prémios de criatividade em Cannes (Leo Burnett). A somar a esta aprendizagem, pessoalmente tenho muito orgulho em dizer que não só fiz parte da génese das duas maiores agências locais (Partners e BAR) como trabalhei durante muitos anos e de forma direta, com os grandes nomes do mercado português: Sofia Barros, Tomás Froes, Lourenço FT, Susana Sequeira, Diogo Anahory, Bomtempo, Pedro Bidarra... E assim, fiz parte de muitos dos projetos dos nossos anunciantes: Galp, EDP, Sogrape, Banif, Crédito Agrícola, Millennium, Sagres, Luso, PT, TMN, MEO, TAP, CUF... Agora é dar o nosso melhor, para o impacto acontecer.

A pandemia também levou muitas agências e clientes a perceber que não precisam de 'estar fisicamente' juntos, e há novas formas de trabalho. Desta fase o que sentem que o sector - e vocês - retiraram de ensinamentos para o futuro?

Verdade, mas nós somos muito "físicos". Gostamos mais do Toque, da proximidade, do olhar, de sentir a energia e a empatia... e mesmo no desenvolvimento dos projetos, acreditamos que remotamente perde-se informação, relevância, foco, produtividade... O que vendemos são necessidades, onde é preciso estar lá para as sentir e de ideias, sendo que as melhores nascem de conversas, de encontros, de partilha, de estar e sentir. Somos do terreno! É onde nos sentimos em casa.

O mercado externo é um objetivo? Quais os que estão na mira?

Sim, gostamos de dizer que o céu é o limite para fazer acontecer o bem. Para além disso, nos dias de hoje, o mercado é global. Já estamos a trabalhar para o mercado angolano e tivemos um convite para olharmos para o mercado do sul da Europa. Pareceu-nos prematuro...mas é gratificante ver que há quem se tenha "apaixonado" por nós à primeira vista.

Em termos de estrutura o que é, quem é a TTouch? Há equipa fixa, rede de colaboradores freelancers?

Há um pouco de tudo isso. A TTouch é uma casa de ideias que tenta sempre encontrar um espaço relevante e com impacto social. Para isso temos dentro de casa uma estrutura fixa muito sénior com capacidade de responder a todos os desafios que os nossos clientes nos colocam. Mas em caso de necessidade e de acordo com a dimensão do projeto, temos uma rede de colaboradores que se junta a nós. Temos muito talento em regime de freelance, que largaram as multinacionais e as estruturas pesadas para serem mais livres e melhor criarem. Também eles procuram mais verdade no que fazem e começam a optar por caminhos mais instáveis / menos seguros, mas sem dúvida com um propósito maior e mais enriquecedor.

Nas reuniões, costumo dizer, aqui na TTouch - temos a estrutura central - que assegura os desafios, mas em caso de necessidade - o modelo é " Don"t pick an Agency, pick the people you want to work" (Não escolha uma agência, escolha as pessoas com quem quer trabalhar). Felizmente os nossos mais de 25 anos de experiência a trabalhar nas multinacionais e agências nacionais mais premiadas do mercado, possibilita-nos rapidamente identificar o talento mais adequado ao projeto em si.

Quais os objetivos de faturação, retorno do investimento?

Neste ano sem precedentes, o melhor retorno que poderemos desejar é conseguimos "Acordar o Mundo" e fazer acontecer o impacto o quanto antes possível. O Negócio virá por acréscimo no momento dele. Este não é um ano de ganhar dinheiro, este é um ano de "por a cabeça fora de água" e focarmo-nos no que é prioridade. Os Pacotes de Solidariedade são um exemplo disso. Foram desenhados com esse objetivo. São tempos de acordar as marcas e se passar à ação. As grandes marcas do nosso mercado já estão a servir de faróis e já passaram da consciência à ação.

É este o caminho e é aqui que a TTouch quer estar, poder ajudar as empresas e as marcas. Existem muitos clientes e marcas com essa consciência, mas na verdade, quando passam à prática, falta-lhes conhecimento das infinitas possibilidades que existem para tornar o mundo melhor... Encontrar a causa e o propósito certo para a respetiva marca, é um dos nossos principais objetivos. Depois é fazer acontecer com criatividade. O melhor retorno é sermos vistos e percebidos com um parceiro ideal para percorrer esse caminho, de forma mais relevante, rápida, interessante, criativa e com resultados.

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