Sofia Ribeiro. "Deixa-me muito feliz se a forma como encarei a minha doença inspirar alguém"

A atriz é a cara da campanha de apoio da Intimissimi à Liga Portuguesa Contra o Cancro. Mais de 36 mil euros foram já angariados.

Sofia Ribeiro é a cara da campanha da Intimissimi de apoio à Liga Portuguesa Contra o Cancro. "Deixa-me muito feliz se, de alguma forma, a minha história e a forma como eu encarei a minha doença conseguir inspirar alguém que passou pelo mesmo", diz a atriz, que sobreviveu a um cancro de mama. Na compra de um soutien na Intimissimi, dois euros revertem para a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Já foram angariados mais de 36 mil euros. Uma unidade móvel vai percorrer o país para sensibilizar as mulheres para esta problemática.

"Poder juntar à Intimissimi, esta campanha da Liga Portuguesa Contra o Cancro é algo que me deixa muito feliz. É um tema que me é muito próximo e porque já há bastante tempo que faço questão de vestir a camisola no tema do cancro. Enquanto figura pública, tento ter uma voz ativa para tentar desmistificar o tema, tentar passar a mensagem, dar mais informação, revelar a importância de cuidarmos de nós e do nosso corpo, de estarmos atentas aos sinais, de fazermos o autoexame, fazer os exames de rotina, de pensarmos em cuidar mais de nós através da alimentação e do exercício físico", diz Sofia Ribeiro, em declarações ao Dinheiro Vivo.

"Enquanto pessoas, procuramos referências na nossa vida, em qualquer momento da nossa vida. Especialmente quando atravessamos um cancro ou outra doença. Eu procurei referências, pessoas que me inspirassem, que me partilhassem a sua experiência e me respondessem a dúvidas. Procuramos essa identificação. Pessoas que tenham passado pelo mesmo. Acho que vem daí essa identificação que as pessoas têm comigo. Deixa-me muito feliz se, de alguma forma, a minha história e a forma como eu encarei a minha doença conseguir inspirar alguém que passou pelo mesmo", confidencia.

A campanha procura alertar as mulheres para um diagnóstico precoce, decisivo para a redução da mortalidade associada a esta doença. "Hoje a doença oncológica é cada vez mais vista como uma doença crónica, com uma grande sobrevivência e cada vez menor mortalidade. E o falar desta patologia, abertamente, facilita o contacto com as estruturas e profissionais de saúde, aumenta a adesão ao diagnóstico e ao tratamento. E sendo a mulher um dos grupos alvo, porque não associar esta luta a conceitos e práticas de auto-estima, de auto-imagem, de cuidado com o seu corpo - que inclui a lingerie -, já que nada impede que a doente oncológica os possa ter também?", comenta Vitor Rodrigues, da Liga Portuguesa Contra o Cancro, sobre esta associação à marca do grupo Calzedonia.

Surge num momento em que a pandemia do covid-19 levou a uma redução no número de diagnósticos desta doença. "Com a pandemia, o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento dos cancros tem tido e vai continuar a ter rebate significativo. Os rastreios oncológicos foram suspensos e apenas o rastreio de cancro da mama retomou as suas atividades "quase" normais (em junho). Os outros rastreios oncológicos - colo do útero e colo-retal - têm tido grande dificuldade de retoma, sobretudo porque a sua operacionalização está muito dependente dos cuidados de saúde primários, também eles com muitas preocupações adicionais, sobretudo relacionadas com a covid-19", refere Vítor Rodrigues.

"Os cuidados hospitalares tenham conseguido uma reorganização significativa, a sua atividade está muito dependente da referenciação proveniente de outras instituições de saúde, cuja atividade relacionada com exames complementares de diagnóstico e consultas presenciais teve e continua a ter uma quebra significativa. Não há ainda números, mas se pensarmos que, em circunstância normais, há cerca de 4.500 novos casos por mês, e pensarmos em, por exemplo, diminuição do diagnóstico em 15%, estaremos a contabilizar 675 diagnósticos por mês que estão atrasados ou adiados, o que é inaceitável!", lamenta.

"O objetivo maior desta campanha é tentar inspirar as mulheres a sentirem-se melhor na sua pele, a gostarem mais de si, a cuidar mais de si. E, estando a passar por um momento destes, sentirem-se confiantes, acreditando em nós, descobrirmos uma força que não contamos ter e acreditar que é possível as coisas correrem bem e haver finais felizes", diz Sofia Ribeiro. Felizmente, acrescenta, "os números dizem que, detetado a tempo, são cada vez mais os casos que correm bem. É uma campanha cujo objetivo é abraçar e dar força a todas as mulheres que estejam ou não a passar por um momento difícil, que se sintam confiantes na sua pele, com a sua vida, com aquilo que são e que acreditem em sim."

"Estamos a meio da campanha e, neste momento, já conseguimos atingir o valor de 36 mil euros e, com esse valor, vamos conseguir colocar uma Unidade Móvel, que vai andar de norte a sul do país, que vai chegar a mensagem que penso ser a mais importante: a prevenção. Ou seja, onde vão poder dirigir-se para tirar dúvidas, aprender a fazer a apalpação, ser encaminhadas onde podem fazer os exames necessários ou até apenas conversar. Considero um grande passo para a prevenção e que se as coisas forem detetadas a tempo, a probabilidade de correr bem, é muito maior", diz a atriz.

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