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Sporting. Bruno de Carvalho sai do Facebook. Fez bem?

Bruno de Carvalho

Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagem
Bruno de Carvalho Fotografia: Filipe Amorim/Global Imagem

Daniel Sá, diretor executivo do IPAM, comenta a decisão do presidente do Sporting de abandonar o Facebook para comunicar com os adeptos do clube

Bruno de Carvalho decidiu abandonar o Facebook. O presidente do Sporting justificou a decisão de sair da rede social por considerar que a sua vontade de “proximidade com o universo leonino, acabou por ter um lado perverso” que não pretende ver aumentado.

“Serei sempre um Presidente próximo, presente e consciente das suas tarefas e objetivos, mas esta ferramenta deixará de ser um desses modos de comunicação com a Família Sportinguista”, escreveu Bruno de Carvalho, no último post que fez na sua conta no Facebook, noticia o Jornal de Notícias.

Terá sido esta uma boa decisão? Daniel Sá, diretor executivo do IPAM, analisa a importância da comunicação na relação das marcas desportivas com os media e o impacto da emergência das redes sociais na forma como passaram a comunicar com os adeptos. E, por fim, comenta a decisão do presidente do Sporting e o que correu menos bem. “Não haveria qualquer problema na utilização desta estratégia por si só [do Facebook], a não ser na minha opinião, a frequência de comunicação e o tom e conteúdo utilizados por Bruno de Carvalho”, diz Daniel Sá.

Leia na íntegra a análise de Daniel Sá.

A importância da comunicação no desporto
A opinião pública é uma das mais poderosas forças da sociedade atual, pelo que as relações com os media objetivam transformar a informação veiculada em mensagens de caráter positivo. O impacto dos media no dia-a-dia da população mundial não pode, de forma alguma, ser subestimado. O mundo do desporto não é imune a esta “lupa global”. O papel das relações com os media é particularmente significativo para os agentes desportivos, em parte pelos seus orçamentos destinados à promoção serem invariavelmente limitados. Até há uns anos atrás, os poucos departamentos de imprensa das organizações desportivas eram subfinanciados e o seu papel limitava-se a fornecer resultados, histórias dos jogos, estatísticas, classificações e calendários. Esta conceção tradicional do processo representava contornos de postura reativa e não ativa. Hoje em dia, para que representem uma atitude ativa, estes departamentos têm de entender com clareza as funções das relações públicas e aprender a usar esse conhecimento para formular um plano de ações que será parte integrante da estratégia global da organização desportiva.

Com o avolumar do peso da informação desportiva na comunicação social, atingiu-se alguma saturação, pelo que a perceção pública do desporto foi alterada. As pessoas já não se interessam somente pelos resultados e classificações, mas também pelos problemas dos clubes e pelas características humanas dos atletas. Por isto, qualquer organização desportiva deve determinar qual o tipo de informação a apresentar ao público, segundo os interesses que pretende verem defendidos, inclusive os económicos.

O impacto das redes sociais
Quanto mais popular for o desporto, maior será o interesse dos media, e quanto maior for a cobertura mediática, mais popular será o desporto. Para uma organização desportiva moderna e profissional, a definição de uma política de media destinada a atrair espectadores e patrocinadores terá sempre a mesma importância que as questões técnicas e desportivas da modalidade. Todos sabemos que o sucesso de uma modalidade passa pela sua capacidade de atrair espectadores, patrocinadores e media. Os adeptos do desporto querem saber instantaneamente, ou o mais rápido possível, os resultados das suas equipas. Os maiores fornecedores deste tipo de informação são as agências noticiosas, cujos clientes são as televisões, rádios e imprensa escrita. Estas agências providenciam resultados desportivos instantâneos de competições que julguem ser suficientemente importantes para um largo conjunto de pessoas, de forma a salvaguardarem os custos que têm com o fornecimento instantâneo da informação. É importante pensar que a velocidade da informação é um fator decisivo: se os media receberem os resultados de um jogo com um dia de atraso, provavelmente não os divulgarão.

Os meios de comunicação social ajudaram a criar autênticos “deuses” do desporto, através da exploração contínua de personalidades como Michael Phelps, Lewis Hamilton, Leonel Messi, Rafael Nadal e centenas de outros mais. Os atletas tornaram-se parte da cultura internacional, imortalizados pelos seus feitos e analisados pelas diversas transmissões. A televisão, a rádio e a imprensa são parte integrante das nossas vidas. Todos vimos, lemos e ouvimos por várias razões: entretenimento, busca de informação, distração, divertimento ou simples curiosidade. Os meios de comunicação social servem muitos propósitos, pelo que faz um enorme sentido que os esforços de marketing se apliquem também nesta área.

As redes sociais vieram nos últimos anos alterar radicalmente este panorama verificando-se uma proliferação instantânea de momentos de comunicação. Imagine-se um clube de futebol; por um lado temos os meios de comunicação formais e institucionais do clube: website, jornal, canal de televisão, newsletter e os canais oficiais de Facebook, Instagram, Twitter ou Youtube onde o próprio clube deve através de uma estratégia concertada definir os timings e mensagens a comunicar com vista a atingir determinados objetivos. No entanto, para além destes canais institucionais, um clube de futebol tem agora que lidar com todos os restantes canais individuais, páginas de Facebook, Instagram ou Twitter de todos os seus futebolistas, treinadores ou até dirigentes. Como é possível manter uma estratégia de comunicação concertada do clube com os seus atletas, treinadores e dirigentes sem se intrometer nas liberdades individuais de cada um?

A comunicação do Presidente de um Clube
Em Portugal, ao contrário de muitos países europeus, os dirigentes dos clubes desportivos tem mais tempo de antena mediático do que as verdadeiras estrelas da competição: os futebolistas e os treinadores. Para além do permanente acompanhamento dos meios de comunicação social da atividades dos dirigentes dos principais clubes de futebol portugueses, com particular incidência nos respetivos presidentes, o caso de Bruno de Carvalho inaugurou uma nova dimensão de comunicação: a utilização permanente da rede social Facebook para comunicar de forma direta e sem filtros a todos os stakeholders do clube, em particular com os adeptos.

Não haveria qualquer problema na utilização desta estratégia por si só, a não ser na minha opinião, a frequência de comunicação e o tom e conteúdo utilizados por Bruno de Carvalho. Nestes anos de comunicação regular no Facebook, Bruno de Carvalho misturou estilos, dirigiu-se para diferentes públicos e confundiu demasiadas vezes o seu papel de Presidente, Adepto ou cidadão. Mais do que uma página de comunicação institucional do Presidente do Sporting Clube de Portugal, Bruno de Carvalho combinou mensagens positivas e institucionais com ataques, desabafos e insultos a diferentes públicos sujeitando-se assim às respostas em real time de todos os seguidores. A interrupção deste canal até agora utilizado prevê a inauguração de um novo estilo de comunicação.”

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