Strat e Parceiros de Comunicação avançam com pedido de proteção de credores

A Parceiros de Comunicação solicitou esta sexta-feira um Processo Especial de Revitalização (PER) junto da secção de Comércio da Comarca de Lisboa. O pedido da consultora de comunicação do grupo Strat segue-se ao feito a 31 de março pela Strat Comunicações e Tecnologia, do mesmo grupo de comunicação, apurou o Dinheiro Vivo.

As duas empresas do grupo Strat passam a ser temporariamente geridas por um administrador judicial enquanto repõem a sua situação financeira junto dos credores. Estes têm 20 dias para apresentar os créditos junto das duas empresas, para que os mesmos sejam reconhecidos.

A auditora Baker Tilly, PG & Associados, a auditora da Strat, surge como a única credora da Parceiros, bem como da Strat Comunicações, segundo os documentos apresentados pelo Ministério da Justiça na plataforma Citius.

Dois PER que surgem no âmbito da reestruturação do grupo Strat, explica ao Dinheiro Vivo Nuno Passô, administrador do grupo de comunicação. Esta "é uma decisão de gestão no âmbito da reestruturação do grupo, que nos permite acautelar os interesses das partes envolvidas e assegurar a continuidade e o crescimento de todos os ramos do grupo". O gestor frisa que não se trata de um "processo de insolvência, mas sim de reestruturação". Uma reorganização no grupo de comunicação que, admite o gestor, também sofreu com a situação da economia do país e do sector da comunicação.

A reestruturação passa por dotar o grupo de "novos modelos de gestão, tornando as estruturas mais flexíveis e com outras valências, estamos a fazer uma grande aposta no digital", descreve Nuno Passô.

A liderança da Parceiros é atualmente ocupada por dois elementos. João Gabriel, atual diretor de comunicação do Benfica, é o diretor geral da consultora desde dezembro de 2013, quando substituiu Rodrigo Saraiva que transitou para a Ipsis. Filipa Trigo juntou-se à empresa em junho de 2014, como diretora executiva.

A consultora de comunicação Parceiros de Comunicação pertence ao grupo Strat, que tem ainda a agência de publicidade com o mesmo nome. Recentemente, a aquisição do grupo liderado por Nuno Passô chegou a ser equacionada pelo grupo Publicis, noticiou em fevereiro o jornal especializado Meios & Publicidade.

Ao grupo francês, que em Portugal tem as agências de publicidade Publicis, Leo Burnett, a agência digital Arc, a LAP Produção, bem como as agências de meios ZenithOptimedia e Starcom, interessava particularmente adicionar um ativo na área das relações públicas, como é o caso da Parceiros de Comunicação. A consultora trabalha no mercado nacional marcas como a Gillette, Pantene ou Herbal Essences do gigante Procter & Gamble, entre outros clientes. Mas ao que foi possível apurar o grupo francês já terá abandonado essa intenção de aquisição.

O grupo Strat tem vindo a reduzir a sua dimensão, com a saída de clientes relevantes na área da publicidade como a Super Bock (cuja conta transitou para a Havas Worldwide) ou CTT. Perdas que não terão sido compensadas com a chegada de novas contas, como os cafés Sical e Boundi (da Nestlé), a Optivisão ou a Água do Castello.

No ranking da MediaMonitor, até maio a Strat Comunicações e Tecnologia ocupa a 18ª posição, com um investimento de 23,3 milhões a preços de tabela (sem os descontos praticados pelos media).

(notícia atualizada às 20h31 com declarações de administrador da Strat sobre os PER e correção de cliente na área de cafés da Strat)

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