Super Bock. 90 anos com revoluções, Trump e um beijo entre mulheres

Quatro dias de filmagens em Guimarães para contar desde 1927 a história da cerveja da Unicer. Até o músico Benjamin Clementine falou do assunto

No meio das revoluções contadas em 90 anos de história da Super Bock, o momento, de tão fugaz, quase passa despercebido, mas na comunicação de marcas em Portugal assinala uma minirrevolução - uma marca trouxe para uma campanha mass market um beijo entre um casal do mesmo sexo.

“O novo filme da marca é uma viagem desde 1927 até à atualidade, com foco na amizade e na autenticidade das relações. Tenta refletir os temas que faziam e fazem vibrar a juventude em cada geração, independentemente das ideologias, valores ou preferências de cada um”, diz Nuno Bernardo, administrador de marketing da Unicer sobre o tema.

Não há que recear eventuais polémicas em torno do assunto, garante Nuno Jerónimo, diretor criativo de O Escritório, agência de publicidade que assina a criatividade de 90 anos a fazer amigos. “É uma cena que cumpre um papel num filme que ilustra a evolução dos tempos e que demonstra bem a transversalidade da marca.”

90 anos de história

Durante quatro dias, Guimarães transbordou de agitação. 120 figurantes, um elefante de vime de 5 metros, galinhas, coelhos, um burro, duas cabras e até um leitão aterraram na cidade para filmar a campanha do 90.º aniversário da cerveja da Unicer. “Foram quatro dias de filmagens muito intensos e de grande exigência para toda a equipa”, lembra Nuno Jerónimo. “Sentia-se nos olhos de cada um que estávamos a participar em algo de especial. Dia, noite, chuva, neve, incêndios, burros, cavalos, automóveis de diferentes épocas, enfim, o encadeamento entre cenas era tal que chegávamos ao final de cada dia com a sensação de que tínhamos viajado no tempo”, descreve. “É caso para dizer que um filme destes só acontece de 90 em 90 anos.”

Nem o músico Benjamin Clementine, cujo tema Nemesis serve de banda sonora ao anúncio, ficou indiferente. “Depois de ver o anúncio, fez uma referência nas redes sociais num ato espontâneo de orgulho”, conta Nuno Bernardo, da Unicer.

 

 

A campanha “retrata alguns dos momentos mais marcantes da história de Portugal, que a marca, de certa forma, acompanhou ao longo destes 90 anos”, continua Nuno Bernardo. Dos muitos momentos possíveis, a equipa “elegeu alguns daqueles que considerou que revelam o olhar dos jovens em cada época, numa representação daquilo que os fazia vibrar”.

Em 90 anos, vamos do burlesco, passando por Amália, ao rapper Dillaz, por referências às lutas académicas dos anos 60 à contestação das propinas dos anos 90 marcadas pelo momento em que três estudantes mostram de forma inusitada o seu descontentamento ao ministro da Educação da época, Couto dos Santos. Há referências à ditadura, à polícia política PIDE, aos soldados de Abril, aos loucos anos 80 e, de revolução em revolução, chegamos aos dias de hoje com a recente eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

“As cenas do filme resultaram naturalmente de um trabalho de pesquisa exaustivo, que depois cruzámos com critérios narrativos”, diz Nuno Jerónimo. “Como é habitual, fundimos as barreiras entre agência criativa e produtora na procura de uma história autêntica, coerente, relevante e surpreendente. Quer do ponto de vista simbólico quer do ponto de vista visual”, refere o diretor criativo de O Escritório.

E fazendo a ponte com outros momentos de comunicação da Super Bock, o Manifesto da Amizade, que O Escritório criou para a marca em 2015. “É a mesma marca, o mesmo compromisso com a defesa da amizade, o mesmo tom autêntico e honesto, mas agora para falar de outro assunto: o seu 90.º aniversário. A forma da Super Bock comemorar a sua história é celebrando a história da amizade em Portugal”, liga Nuno Jerónimo.

José Pedro Sousa e a produtora Ministério dos Filmes, que também estiveram envolvidos no Manifesto da Amizade, voltaram a ser convocados para esta produção que percorre, em pouco mais de dois minutos, 90 anos de história, com as exigências de guarda-roupa e décor que esse desafio exige. Foram inclusive recriados vários rótulos antigos da Super Bock visando um maior realismo na produção. Nessa recriação contaram ainda com o contributo de Rui Rosa, colorista que já trabalhou com a BBC e a National Geographic em filmes sobre a Segunda Guerra Mundial. O colorista pintou Amália numa das cenas de bar no anúncio.

Comemorar com cerveja

Nuno Bernardo não revela o investimento da Unicer nesta campanha (“está em linha com os anteriores”), um dos momentos que assinalam os 90 anos da Super Bock. Uma edição limitada de uma cerveja comemorativa (visível na campanha), ações nos estádios de futebol e no festival Super Bock Super Rock. Previsto, um “museu itinerante para se ficar a conhecer a história da Super Bock, bem como festas temáticas em pontos de venda e na rua” são outras ações previstas.

Nuno Bernardo não avança objetivos ao nível de vendas com esta aposta comunicacional na marca estrela. Em 2016, efeito do impacto de Angola, as vendas globais da Unicer caíram 1%, somando 451 milhões. Já os lucros subiram para 38 milhões, mais 48%. Mas retirando o efeito da reestruturação, com o fecho da fábrica de Santarém, teriam aumentado apenas 8%.

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