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Tendências no retalho. Dos micro-ondas que encomendam pipocas aos bots companhia

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Henry Mason, diretor da TrendWatching esteve em Portugal a convite da parceira Bloomcast. O DV falou com o 'guru' das tendências do retalho e consumo

Mal visitou Chicago, Henry Mason fez uma paragem obrigatória na Amazon Go. Levou o tempo todo na loja a tentar ‘enganar’ o sistema da loja sem filas e sem caixas de Jeff Bezos. Dez minutos depois de sair recebeu uma notificação da Amazon. “Foi muito frustrante. Tinha exatamente o que tinha comprado”, conta humorado o diretor da TrendWatching.

“A Amazon Go serve uma necessidade humana muito básica, conveniência, entregue de uma forma muito nova”, diz o responsável da empresa que se dedica a detetar tendências na área do consumo e retalho e que, em Portugal, tem uma uma parceria com a consultora de comunicação BloomCast.

É neste foco que parece estar o segredo dos negócios de sucesso. Numa altura em que o passo acelerado da evolução tecnológica deixa as empresas e os decisores sem saber onde apostar as suas fichas, Henry Mason sugere que busquem inspiração nos projetos que assentam nesse pressuposto: servir as necessidades.

“A tecnologia está a mudar tudo, a velocidade e a acessibilidade com que podemos obter as coisas, mas estamos interessados nas necessidades e desejos básicos das pessoas”, diz o responsável ao Dinheiro Vivo. “As pessoas focam-se muito nas tecnologias, há muitas empresas que se sentam connosco para perceber qual é a nova tecnologia ‘mais brilhante’ que devem prestar atenção, mas eu prefiro focar nisso. Penso que foi Warren Buffet que disse que, em vez de nos focarmos no que está a mudar, devemos olhar para o que não está a mudar, porque essas são as coisas sobre as quais pode construir o seu negócio para os próximos 10 anos.”

E o que não muda? A necessidade humana de obter um bom serviço. E nisso a revolução proporcionada pela inteligência artificial está a ganhar visibilidade numa panóplia de serviços, como a assistente inteligente que marca o cabeleireiro ou faz a reserva no restaurante, transformando o e-commerce. “Estamos na emergência da próxima nova onda, prestes a entrar no mundo do a-commerce”, diz.

Exemplos? O micro-ondas da Amazon, um aparelho que custa 90 dólares, mas que o consumidor pode dar indicações através da voz. A surpresa? Depois de usar o micro-ondas para cozinhar as suas pipocas o próprio aparelho encomenda o próximo pacote de pipocas para a sua sessão de cinema lá em casa.

Inteligência artificial e automatização são, para responsável da TrendWatching, as inovações tecnológicas que estão a ditar por onde passa o futuro dos negócios. Os algoritmos e automatização também chegaram ao negócio das seguradoras, como o demonstrou a Revolut que, além de pagamentos, também oferece um seguro para os viajantes. “Todo o serviço é servido numa aplicação no telefone que identifica automaticamente onde o utilizador está. O viajante fica com um seguro por 1 libra por dia.”

Na China estas inovações, juntamente com o reconhecimento facial, permitiu ao gigante Alibaba e a Ford começar a venda de um carro numa aplicação e fechá-la numa gigante máquina de vendas automática. “Estamos a criar um mundo em que podemos comprar um carro numa máquina automática usando o reconhecimento facial”, comenta Mason.

 

Conveniência, eficiência no serviço, mas o que é que as empresas podem fazer para proporcionar uma “experiência mágica” aos seus clientes? Seja bem-vindo à era do m-commerce, das experiências de retalho imersivas. Como usar o live streaming para promover a venda de produtos, como o fez o site de vendas de online chinês, Taobao. “Exatamente como era o TV shopping nos anos 80”, resume Henry Mason, mas que gera 3 mil milhões de visualizações por mês e com uma taxa de conversão de 30%. Ou seja, em cada 100 pessoas que assistem à transmissão online metem um produto no carrinho de carrinhos.

“O retalho digital, o comércio digital, os ecossistemas digitais que existem na China são mais ricos em dados, por isso é que lideram no que toca à automatização e algoritmos, porque quanto mais dados, melhores algoritmos. E também o estilo de vida lá. Se for à China é quase impossível neste momento pagar em dinheiro. Eles simplesmente mais avançados. Se alguém ainda pensa que a China é um copycat no que toca a tecnologia, precisa de acordar e apanhar o próximo avião para Xangai, Pequim…, e ver com os seus próprios olhos que eles são líderes neste campo”, reage Henry Mason, quando questionado sobre se neste momento era o mercado chinês a ditar as tendências no retalho.

Conexão é outra das necessidades humanas que a tecnologia está a mudar. “Em 2020 as pessoas irão falar mais vezes com bots do que com os seus companheiros”, comenta Henry Mason, citando um estudo da Gartner.

O mundo retratado em Her se calhar não está assim tão longe da realidade, parece indicar a ‘namorada holograma’ criada pela Gatebox.

O futuro, que já é hoje, bem pode passar por robots que são literalmente companhias.

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