MEET 2030

“As nossas pedreiras fabris são hoje um padrão a nível europeu”

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Desde o princípio do século, a Secil tem investido em processos de fabrico mais eficientes e sustentáveis, apostando na redução do consumo energético

Otmar Hübscher, presidente da comissão executiva da Secil, acredita que o cenário Lince +, desenhado ao longo do Meet 2030, é compatível com a evolução da indústria cimenteira. Para o responsável, em 2030 a Secil terá conseguido reduzir as emissões de carbono em pelo menos 30%. Vinte anos mais tarde, a empresa funcionará já de acordo com a lógica da economia circular.

Quais os principais desafios que se colocam a uma empresa como a Secil face aos imperativos da descarbonização?

O processo de fabrico de cimento implica a descarbonatação de calcário, a principal matéria-prima para o fabrico de cimento, a temperaturas elevadas para obter clínquer, o produto base do cimento. Os grandes desafios são assim substituir os combustíveis fósseis historicamente utilizados neste processo por combustíveis alternativos – idealmente subprodutos de outras fileiras – e também inovar para continuar a melhorar a eficiência energética do processo industrial e produzir clínqueres de baixo carbono e cimentos compostos inovadores, de forma a reduzir significativamente a intensidade carbónica.

Conhecidas as conclusões do Meet 2030, como imagina o desenvolvimento da operação da Secil no cenário “Lince +”?

O cenário Lince + é compatível com uma indústria cimenteira a caminho da neutralidade carbónica: unidades fabris num máximo de eficiência energética, um processo industrial inserido numa lógica da economia circular, em simbiose com outras indústrias, aproveitando subprodutos enquanto combustíveis alternativos e matérias secundárias nos processos de produção de cimento e de betão.

De que forma é que a Secil tem vindo a promover práticas ambientalmente sustentáveis ao longo dos últimos anos?

A Secil tem vindo desde o princípio deste século a fazer o seu percurso numa rota da sustentabilidade, por melhoria contínua e inovação: produtos com menos matérias primárias, processos de fabricação mais eficientes e sustentáveis e uma grande redução dos consumos energéticos, a par do aumento significativo dos combustíveis alternativos. Damos apenas como exemplos a enorme redução das emissões de partículas, hoje estritamente monitorizadas e publicamente divulgadas, a redução de consumos energéticos e o desenvolvimento de aplicações de betão que incorporam matérias-primas naturais como a cortiça. Paralelamente, temos vindo a dedicar particular atenção à manutenção do capital natural, em particular na minimização do consumo de água e recuperação ambiental das pedreiras das fábricas, promovendo a biodiversidade e restaurando os seus ecossistemas. As nossas pedreiras fabris são hoje um padrão a nível europeu. A Secil consegue hoje produzir mais com menos energia, menos matéria primárias e muito menos impacto ambiental do que há 10 ou 15 anos. É esse o nosso caminho.

Qual o peso da inovação tecnológica na atividade da Secil, na transição para uma economia de baixo carbono?

A alteração de paradigma não pode ser concretizada sem recurso à inovação. A inovação tornou-se parte da nossa atividade, desde o processo produtivo (como por exemplo alterações nos sistemas de alimentação de combustível para introdução de novos combustíveis alternativos), passando pelo produto (com clínqueres e cimentos de baixo carbono) até inovação social, através de um envolvimento proativo dos stakeholders no acompanhamento do desempenho ambiental das fábricas. Mesmo nos produtos que comercializamos, temos já betões com menor intensidade carbónica e com mais eficiência energética. Desenvolvemos um grande número de projetos de I&D nos últimos cinco anos, em parceria com instituições de ensino, que têm mesmo permitido registar patentes. Paralelamente estamos a desenvolver projetos de captura e utilização das emissões de CO2, tanto individualmente como no âmbito da nossa participação no CSI.

Como imagina a operação da Secil, respetivamente em 2030 e 2050?

Em 2030, num caminho de transição, com emissões de carbono reduzidas em pelo menos 30%, em linha com o compromisso assumido pela indústria cimenteira mundial no âmbito da CSI- Cement Sustainability Iniative do WBCSD, e respeitando a cada vez maior exigência ambiental da União Europeia em que nos inserimos. Em 2050, integrados numa economia circular que permite obter os recursos energéticos renováveis necessários à total substituição de combustíveis fósseis, com matérias secundárias empregues no fabrico de cimentos inovadores, com sequestro e reutilização das emissões de CO2 que ainda venham a ser residualmente efetuadas. A performance ambiental do ciclo de vida dos produtos da nossa empresa terá atingido os objetivos de descarbonatação estabelecidos e estará a caminho da neutralidade carbónica.

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