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Biomassa permite reduzir 50 mil toneladas de CO2

soja

A aposta da biomassa em detrimento dos combustíveis fósseis permitiu à Soja de Portugal reduzir as emissões de CO2 em 50 mil toneladas.

António Isidoro, CEO da Soja de Portugal, destaca o esforço da empresa na promoção de uma atividade mais sustentável. A biomassa, a energia térmica e uma melhor gestão do uso da água, têm permitido melhorar a sustentabilidade da operação nos últimos anos.

Em 2012 a Soja de Portugal definiu uma estratégia de sustentabilidade que passa por reduzir o impacto ambiental. Que medidas foram tomadas desde então para cumprir esta meta?

Numa primeira fase, definimos que redução direta das emissões de CO2 era um objetivo a concretizar no curto prazo, logo o uso de biomassa em detrimento de combustíveis fósseis foi a oportunidade estratégica contemplada para a produção de energia térmica, o que promoveu uma redução direta de 50.000 toneladas de CO2. Numa segunda fase foram avaliadas as oportunidades que, de forma indireta, contribuíssem para a redução de impactos ambientais, nomeadamente, com o investimento em sistemas de iluminação LED, a automatização dos sistemas de produção com uma maior eficiência na utilização dos recursos elétricos e térmicos, além de que realizamos um profundo trabalho de restruturação das viaturas e rotas afetas à atividade da empresa.

Quais os principais investimentos realizados pela Soja de Portugal no que toca à salvaguarda ambiental?

Além das iniciativas e projetos que já descrevi, foi feito um investimento na construção de novas centrais de produção de energia térmica. Instalámos igualmente sistemas de controlo e monitorização do consumo de água potável em todos os setores de atividade, permitindo uma gestão de combate ao desperdício, mais criteriosa e racionalizada deste recurso cada vez mais escasso. Construímos, também duas novas estações de tratamento de águas residuais nas nossas empresas com maior consumo de água e, paralelamente, adotámos sistemas de reúso de água em atividades não operacionais como regas de jardins e lavagens de arruamentos das empresas.

As parcerias de I&D estabelecidas pela Soja de Portugal permitiram criar soluções que geraram poupanças de energia significativas. Que soluções são essas, de que forma são inovadoras e que poupança de energia possibilitaram?

A implementação da monitorização de consumos de energia elétrica e térmica em pontos estratégicos das fábricas – sistemas que monitorizam 122 pontos de utilização de energia, entre eletricidade, ar comprimido e vapor – foi uma medida desenvolvida em parceria com entidades externas no âmbito da política de I&D da empresa, que resultou em poupanças muito significativas. Tivemos igualmente, entre outros projetos, a introdução de enzimas no processo de tratamento de penas, resultantes da nossa atividade de abate de aves, que permitia uma poupança de 6% nos custos de energia térmica e elétrica, com base numa diminuição dos tempos de ciclo do processo em 10%. Este último projeto teve entre outros parceiros no seu desenvolvimento e avaliação as Universidade do Porto (ICBAS), a Universidade Católica do Porto (Escola Superior de Biotecnologia) e a Universidade do Minho.

Quais os principais desafios com que se depara a Soja de Portugal em termos de sustentabilidade ambiental?

Sendo nós um grupo agroalimentar, em que a nutrição animal está assente em fontes de abastecimento com origem fora de Portugal, o desafio da compatibilidade da sustentabilidade ambiental num todo, com o bom funcionamento das cadeias de abastecimento, reveste-se de especial importância. A dependência é de tal forma grande, que não existindo uma ordem global a nível regulamentar, que se adeque à nossa legislação nacional, pode trazer grandes desafios ao nível da produção e da manutenção da atividade do próprio grupo no seu todo. Acreditamos por isso que o “Acordo de Paris” é fundamental, pois cria os princípios base, para que de uma forma global sejam atingidos os necessários objetivos de sustentabilidade ambiental a nível mundial, sem colocar em causa o normal funcionamento da atividade.

A curto e médio prazo, de que forma as exigências de uma actividade cada vez mais sustentável vão transformar o setor em que se insere a Soja dePortugal?

Acreditamos que os setores em que estamos inseridos, face ao seu nível de desenvolvimento e maturidade, vão abraçar este desafio, pois muitos deles já tem assentes as suas próprias atividades e dinâmicas produtivas, em princípios de “Economia Circular”, logo vão conseguir dar resposta às exigências de uma forma mais rápida e eficiente do que outros setores.

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